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A planta do Recife em 1875. E a Ilha do Retiro era, sim, uma ilha. O Sport chegou lá 60 anos depois.

A identidade do bairro da Ilha do Retiro está totalmente ligada ao Sport Club do Recife, presente com clube social e estádio no bairro desde 1935. Não por acaso, o sinônimo de Estádio Adelmar da Costa Carvalho é “Ilha”, onde o leão já atuou mais de 2,1 mil vezes.

Neste post, trago alguns dados construídos em décadas de futebol praticado na casa rubro-negra, incluindo projetos faraônicos deixados de lado ao longo dos anos – além de imagens históricas. A Ilha do Retiro foi o palco que passou por mais mudanças na capital, com a incansável meta de crescimento do clube.

Informações gerais da Ilha do Retiro
Primeiro jogo: Sport 6 x 5 Santa Cruz (04/07/1937)
Maior goleada: Sport 14 x 0 Santo Amaro (07/04/1976)
Maior artilheiro: Traçaia, com 114 gols (todos pelo Sport, nos 50 e 60)
Maior público: 56.875 pessoas, Sport 2 x 0 Porto (07/06/1998)
Número de finais: 32 (Estadual 29x, Série A 1x, Série B 1x e Nordestão 1x)

Abaixo, tópicos com detalhes históricos de períodos distintos da casa do Sport.

1 - Campo da Avenidas Malaquias, a 1ª casa

Antes da Ilha do Retiro, o Sport teve outro estádio, o primeiro com esse status no Recife. Entre 1918 e 1937, o time atuou 235 vezes no Campo da Avenida Malaquias – rua que ainda existe, na esquina com a Avenida Rosa e Silva. Foi o principal “praça esportiva” da cidade por quase duas décadas, recebendo até oito mil espectadores. Tudo por causa da estrutura, de 75 metros de comprimento e 40 metros de largura, trazida de navio para a capital pernambucana. Sim, a arquibancada de madeira e ferro foi comprada. No Rio de Janeiro, o Fluminense se desfez de seu antigo estádio após construir as Laranjeiras, na época o maior palco do Brasil. O leão ganhou o seu primeiro tricampeonato estadual, em 1925, na Malaquias. Ainda vale citar que a Seleção Brasileira jogou cinco vezes por lá, em 1934 – num dos jogos, a canarinha perdeu do Santa Cruz.

2 - Ilha do Retiro Pré-Copa de 1950

O Sport adquiriu o terreno da Ilha do Retiro em 1935. Na época, o clube pagou 53 contos de réis pela área de 14 hectares, que era praticamente o “fim” da área urbana do Recife. Após a construção da sede e dos primeiros ambientes esportivos, o clube rubro-negro inaugurou o estádio aconteceu em 4 de julho de 1937, num amistoso contra o Santa. O Sport venceu o Clássico das Multidões por 6 x 5 – Artur Danzi marcou o primeiro gol da história. Quase não havia arquibancada na época, sendo basicamente um campo murado. Entretanto, a evolução da estrutura para abrigar o público foi paulatina a partir dali, com o estádio passando a receber os principais jogos do estado. E até de fora do estado, como o clássico carioca entre Flamengo e Fluminense, num amistoso em 1947 – o Fla-Flu terminou em 1 x 1. O sucesso daquele jogo, com “25 mil espectadores”, segundo reportagem do Diario de Pernambuco, fundamentou a campanha leonina para receber a Copa do Mundo de 1950, o que acabou ocorrendo, após obras de modernização (grades, túneis, tribuna de honra etc). O local recebeu um jogo do primeiro Mundial no Brasil, Chile 5 x 2 Estados Unidos. Na ocasião, com capacidade para 20 mil pessoas – sem superlotação.

3 - Ilha do Retiro pós-Copa de 1950

A Ilha do Retiro foi ampliada diversas vezes em seus mais de 80 anos. Após a Copa do Mundo de 1950, foram duas grandes obras, com a capacidade da estrutura subindo para 36 mil em 1960. Na época, as cabines de imprensa ficaram na área central da arquibancada frontal. Neste período, a Seleção Brasileira jogou duas vezes na Ilha, com duas vitórias sobre a Seleção Pernambucana, em 1956 (2 x 0) e 1969 (6 x 1). Em 1970, no aniversário de 65 anos do clube, a direção apresentou um megaprojeto de ampliação, o “Gigante da Ilha do Retiro”, já com apelido (“Nordestão”). A capacidade seria de 130 mil pessoas! O clube anunciou a ideia em vários jornais – só deixou de lado porque no ano seguinte lançou outro projeto gigantesco, o Presidente Médici, com 140 mil lugares (!). Voltando à Ilha, a ampliação seguinte só aconteceu, de fato, em 1984, com parte da receita financiada no Bandepe. Foram quase dois anos de obras. Na ocasião, o clube dobrou o setor de cadeiras e ergueu as duas gerais, com o palco subindo para 45 mil lugares. O curioso é que isso foi apenas uma parte da obra, pois o projeto visava o fechamento de todo o anel, chegando a 90 mil lugares – até hoje, incompleto. Em 1998, mais um lance de arquibancada foi erguido, ligando uma geral às cadeiras e chegando a 50 mil lugares. Em 2007, a última ampliação, ligando a outra geral às cadeiras. Apesar disso, mesmo com o estádio maior, pouco tempo depois a capacidade foi drasticamente reduzida, por questão de segurança. Hoje, a Ilha está limitada a 30 mil espectadores.

4 - Ideia de estádio na Joana Bezerra, em 1971

Apontado como a “mais bela praça de desportos”, no primeiro projeto de Oscar Niemeyer para o Nordeste, o Estádio Presidente Médici seria o segundo maior do mundo, só abaixo do Maracanã. Seriam 140 mil lugares – sim, 140 mil. Lançado em 6 de agosto de 1971, o projeto – cujo nome foi autorizado pelo então general-presidente – ficaria a menos de 1 km da Ilha do Retiro, na Joana Bezerra, cujo terreno de 26 hectares pertencia ao clube na época. Coberto, o estádio seria dividido por arquibancada (90 mil lugares), setor popular (25 mil), cadeiras (24 mil) e camarotes (1 mil), além de um estacionamento para cinco mil carros. Três mil cadeiras chegaram a ser vendidas durante a gestão de Ivan Ruy de Andrade, coronel do exército (daí, o nome do estádio). Contudo, o sonho parou na terraplanagem da Hofmann Bosworth S/A. O motivo? Dívidas. “O Sport estava devendo dinheiro a Deus e ao mundo. Até o terreno, cedido pela família Brennand, foi negociado para amortizar o débito”, chegou a dizer Sílvio Pessoa, presidente em 1974, ano em que estava prevista a inauguração da praça.

5 - Ideia de arena de R$ 750 milhões, em 2011

Aproveitando a onda de investimentos durante o ciclo da segunda Copa do Mundo no Brasil, o Sport articulou a sua própria arena, à parte do empreendimento então em construção em São Lourenço. Apresentado em 17 de março de 2011, o plano visava a demolição de todo o clube na Ilha do Retiro. No lugar, um estádio multiuso, um shopping center, dois empresariais e um hotel. Em termos de investimento, variava entre R$ 400 milhões (arena) e R$ 750 milhões (todo o complexo). No entanto, as barreiras burocráticas junto à Prefeitura do Recife foram enormes. A principal autorização, dada pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), só viria em dezembro de 2013 – essa demora resultou numa mudança completa na arena, saindo da DDB/Aedas para o escritório Pontual Arquitetos, cujo projeto foi revelado em março de 2012. Ainda assim, era preciso regularizar outros documentos. Quando toda a papelada para iniciar a obra ficou ok, o investidor anunciado, a Engevix, não entrou mais em contato – posteriormente, a empresa seria investigada na Lava-Jato.

Agora, o passo a passo sobre as principais marcas do local, entre público e futebol.

Evolução da capacidade de público da Ilha*
1950 – 20.000 lugares
1960 – 36.000 (+16.000), ampliação da cadeira central e da arquibancada
1984 – 45.000 (+9.000), construção das gerais e a ampliação da cadeira central
1998 – 50.000 (+5.000), construção da “curva especial”
2001 – 45.000 (-5.000**)
2005 – 32.500 (-12.500**)
2006 – 30.520 (-1.980**)
2007 – 34.500 (+3.980), construção da “curva da ampliação”
2012 – 34.200 (-300**)
2013 – 32.983 (-1.217**)
2017 – 30.000 (-2.983**), em vigor
* A partir das obras para a Copa do Mundo de 1950
** Redução por medida de segurança, por orientação dos bombeiros

Os 10 maiores públicos na Ilha do Retiro
1º) 56.875 – Sport 2 x 0 Porto (07/06/1998, Estadual*)
2º) 53.033 – Sport 0 x 2 Corinthians (12/09/1998, Série A)
3º) 50.106 – Sport 4 x 1 Santa Cruz (29/03/1998, Estadual)
4º) 48.564 – Sport 1 x 1 Cruzeiro (27/09/1998, Série A)
5º) 48.328 – Sport 5 x 0 Grêmio (20/09/1998, Série A)
6º) 46.018 – Sport 1 x 1 Grêmio (03/12/2000, Série A)
7º) 45.697 – Sport 3 x 0 Náutico (15/12/1991, Estadual*)
8º) 45.399 – Sport 2 x 1 Botafogo (24/10/1998, Série A)
9º) 45.151 – Sport 1 x 0 São Paulo (16/08/1998, Série A)
10º) 44.346 – Sport 2 x 0 Santa Cruz (31/07/1988, Estadual)

A evolução do recorde de público da Ilha*
25.000 – Flamengo 1 x 1 Fluminense (13/07/1947, amistoso)
34.546 – Sport 1 x 1 Santa Cruz (07/08/1955, Estadual)
37.332 – Sport 2 x 0 Náutico (06/12/1981, Estadual)
37.635 – Sport 2 x 1 Flamengo (31/03/1982, Estadual)
44.346 – Sport 2 x 0 Santa Cruz (31/10/1988, Estadual)
45.697 – Sport 3 x 0 Náutico (15/12/1991, Estadual)
50.106 – Sport 4 x 1 Santa Cruz (29/03/1998, Estadual)
56.875 – Sport 2 x 0 Porto (07/06/1998, Estadual)
* A partir das obras para a Copa do Mundo de 1950

Sport na Ilha do Retiro (1937-2019*)
2.192 jogos
1.345 vitórias (61,3%)
483 empates (22,0%)
364 derrotas (16,6%)
* Competições oficiais e amistosos

Primeiro: Sport 6 x 5 Santa Cruz (04/07/1937, amistoso)
Último: Sport 0 x 0 Brasil-RS (22/07/2019, Série B)

29 decisões do Campeonato Pernambucano
16 títulos – Sport (1948, 61, 62, 81, 88, 91, 92, 94, 96, 98, 99, 2000, 03, 06, 10 e 19)
10 títulos – Santa Cruz (1940, 46, 57, 71, 73, 86, 87, 2012, 13 e 16)
2 títulos – Náutico (1954 e 65)
1 título – América (1944)

A seguir, um álbum com a evolução a evolução da casa leonina, antes mesmo de ser na Ilha – imagens do Google Maps, do Diario de Pernambuco, via Biblioteca Nacional, e do próprio Sport. Para uma melhor visualização, caso esteja num celular, basta virar a tela na horizontal.


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