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A final da Libertadores envolvendo River Plate e Boca Juniors mexeu com quem gosta de futebol. Apesar da derrocada brazuca na competição, não dá para ignorar um capítulo tão pulsante na história do “Superclássico”. Os dois clubes mais populares da Argentina, com inúmeros títulos e craques ao longo dos anos, disputando o maior título do continente?

Aconteceu o óbvio e quase ninguém ignorou, dentro deste contexto de paixão pelo jogo. Ainda mais com um jogo que entregou tudo o que se esperava na ida, com um 2 x 2 batalhado do início ao fim na Bombonera. Esperava-se o mesmo no Monumental de Nuñez, mas a ação violenta dos barrabravas do Millonario, atacando o ônibus do rival a poucas quadras do estádio, acabou estragando a experiência de uma final completa, um River x Boca para a história. Virou frustração.

Após quase uma semana de tapetão, ou “escritório”, como dizem os hinchas, a Conmebol, que de fato já havia sido branda além da conta com os dois clubes, acabou tomando uma decisão esdrúxula. Agendou o jogo de volta da final da Taça Libertadores da América para o dia 9 de dezembro no estádio Santiago Bernabéu. Sim, a casa do Real Madrid. Sim, na Espanha, o país que colonizou a Argentina e outros oito países sul-americanos a partir do século XVI. O nome da competição é óbvio, mas ainda assim vale lembrar sempre: trata-se de uma homenagem aos libertadores da América, como Dom Pedro I (Brasil), José Artigas (Uruguai), Bernardo O’Higgins (Chile) e José de San Martín (Argentina). Uma imagem que se confunde, hoje, à independência do futebol, com a atenção cada vez mais disputada na televisão, diariamente.

Embora a entidade trate como um caso excepcional, a decisão fora do continente não poderia ser mais emblemática para manchar o nome da Libertadores. Não se trata do interesse espanhol sobre a partida, pois até acredito que haverá. Pelo tamanho do jogo, uma vez que o Superclássico é mundialmente conhecido, e pela quantidade de argentinos presentes.

Porém, a transformação de uma partida de tão pesada num produto frio, embalado para o exterior, faz com que a “Liberta” se torne cada vez mais distante do imaginário popular do torcedor sul-americano. Ou alguém sonha em ver o seu time numa final em Madrid? Se já não será fácil a adaptação à final em jogo único, a partir de 2019, em Santiago, imagine o gasto do outro lado do oceano – e é bom tratar desde já a exceção como opção, pois estamos falando da Conmebol. Numa questão de pertencimento, se deixou de lado a questão libertadora…

Entre as demais opções levantadas, o que fazer?
1) Levar para Medellín, na Colômbia. A única cidade que garantiu plena segurança
2) Levar para o Brasil (Mineirão e Arena Pernambuco se apresentaram para a final)
3) Levar para algum estádio do interior da Argentina (só com a torcida do River)
4) Jogo no Monumental de Nuñez, de portões fechados
5) Jogo no Monumental de Nuñez, com público e segurança reforçada
6) Título para o Boca Juniors sem o jogo de volta

Nota do blog: numa triagem, eu teria escolhido as opções 1 e 3


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