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A torcida coral nos Aflitos, com 2.972 ingressos. Frustração e fim precoce. Foto: Santa Cruz/twitter.

Pelo segundo ano seguido, o futebol profissional do Santa Cruz acaba ainda em agosto, o que corresponde a 2/3 de atividade. Em 2018, o time foi eliminado da Série C nas quartas de final, com uma goleada em Ponta Grossa. Em 2019, saiu da mesma competição já na primeira fase, com outra atuação calamitosa, desta vez num Clássico das Emoções – embora o técnico Milton Mendes tenha dito, de forma inacreditável, que foi a melhor partida do time sob o seu comando; não foi.

Além da frustração esportiva, com o tricolor indo para a 5ª participação na terceirona nesta década (cronologia abaixo), é possível imaginar perdas indiretas, como o engajamento no quadro social e na Timemania, fonte do clube há anos. Como exemplo, o último ano, o único nesta década a terminar com a receita abaixo de R$ 10 milhões – o faturamento foi de 8,7 mi.

Em 2019, a tendência é superar esta faixa, graças às cotas acumuladas no Nordetão (2,89 mi) e Copa do Brasil (3,92 mi, recorde do clube no torneio). Ou seja, R$ 6,81 milhões. Trata-se do único desafogo no Arruda, à parte de trabalhos na área jurídica sobre as finanças do clube – cujo passivo segue sendo averiguado e poderá saltar de R$ 53 mi para até R$ 300 milhões (!).

Em campo, o presidente Constantino Júnior apostou em Leston Júnior, que fez 30 jogos, com 11V, 11E e 8D, tendo 48,8% de aproveitamento. A troca aconteceu em 19 de maio, diante de um time travado. Achei aceitável, sobretudo pelo substituto, Milton Mendes, a “bala de prata” naquele momento. Porém, o técnico campeão do Nordeste em 2016 fez um trabalho ruim. Assumiu na 5ª rodada, tendo 6V, 4E e 4D. Embora tenha ficado a um ponto do G4, a impressão é de que o time teve mais pontos do que bola, com um futebol horroroso, pontuando no limite, com seguidas mudanças na escalação, várias sem justificativa coerente. Era um nome de peso no Brasileiro, mas não correspondeu, assim como o elenco com várias carências – como o substituto de Pipico, algo que não existiu em momento algum do ano.

Fora do campo, o Santa viveu um problema tão grande quanto, com três poderes paralelos – executivo, conselho e patrimonial. Hoje, no futebol pernambucano, não há nada parecido. Sem um direcionamento único, no âmbito interno, é difícil imaginar um Santa Cruz diferente…

Observações sobre a próxima temporada:

1) A Copa do Brasil. A saúde financeira do clube em 2018 e 2019 foi balizada pelo desempenho no mata-mata nacional. Num ano, caiu na 1ª fase, com caos na sequência. Neste, avançou até a 4ª fase, com as premiações ajudando a manter os salários em dia – um ponto positivo na gestão, apesar da montagem de um time bem aquém. Em 2019, só a estreia valeu R$ 525 mil, com a primeira classificação rendendo R$ 625 mil. É algo “básico” neste contexto. Vale o registro sobre a cota dividida no clássico, numa decisão racional com péssima contrapartida moral na torcida.

2) A definição do perfil do técnico. Milton Mendes chegou com “contrato de três temporadas”, porém, baseado em metas. O que não aconteceu já na Série C. Além disso, a visão do treinador diante de um rendimento tão fraco torna a permanência insustentável. Com o caixa apertado, o clube tende a buscar um nome para gerenciar um elenco mais enxuto também.

3) O Campeonato Pernambucano precisa ser tratado como laboratório, mas as duas quedas seguidas nas quartas de final de uma competição tão limitada tecnicamente acabaram sendo um “spoiler” do Campeonato Brasileiro. É preciso que essa fase de teste, numa espécie de pré-temporada estendida, não pressione a meta principal, a busca pelo acesso.

4) Nos últimos dois anos, a bilheteria coral ficou devendo bastante. Num cenário sem cota de tevê, caso da Série C, isso gera um problema enorme. Em 2019 foram apenas sete públicos acima de 10 mil pessoas, com o maior chegando a 25 mil. Sem a catraca, a conta não fecha. A conferir.

5) Ampliação do centro de treinamento. A tendência é que o segundo campo do Ninho das Cobras seja entregue em breve. Num cenário estrutural tão defasado, melhorar a parte de treinamento é algo vital. O clube não irá parar em 2020. Portanto, esse foco, a longo prazo, é uma obrigação.

Divisões nacionais do Santa nesta década (1x A, 3x B, 5x C, 1x D)
2011 – Série D (2º lugar, acesso)
2012 – Série C (14º lugar, permanência)
2013 – Série C (1º lugar, acesso)
2014 – Série B (9º lugar, permanência)
2015 – Série B (2º lugar, acesso)
2016 – Série A (19º lugar, rebaixamento)
2017 – Série B (18º lugar, rebaixamento)
2018 – Série C (7º lugar, permanência)
2019 – Série C (13º lugar, permanência*)
2020 – Série C (a disputar)
* Colocação atualizada após a rodada final

O desempenho do Santa Cruz em 2019
44 jogos (55 GP, 51 GC, +4 SG)
17 vitórias (38,6%)
15 empates (34,1%)
12 derrotas (27,2%)
50,0% de aproveitamento

Estadual (10 jogos; 5V, 3E e 2D) – Quartas de final (5º)
Nordestão (10 jogos; 3V, 4E e 3D) – Quartas de final (4º)
Copa do Brasil (6 jogos; 3V, 1E e 2D) – 4ª fase (20º)
Série C (18 jogos; 6V, 7E e 5D) – 1ª fase (7º no grupo A)

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