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Pela primeira vez nesta década, o Santa Cruz arrecadou menos de R$ 10 milhões num ano. Para uma agremiação do porte do tricolor, trata-se de uma receita ínfima. Com R$ 8,7 milhões, o clube teve uma média de R$ 730 mil por mês – o que na prática nem se aplica, devido às despesas com férias e 13º salário dos funcionários/jogadores. Numa comparação com os rivais, a receita total do tricolor correspondeu a 54% do montante alvirrubro (16 mi), que disputou a mesma divisão, e a 8% do montante rubro-negro (104 mi), duas divisões acima.

O Santa divulgou o seu relatório oficial sobre 2018 na data-limite, 30 de abril. Porém, à parte disso, o documento foi bem mais detalhado do que de costume – ao todo, tem 23 páginas. Na receita, por exemplo, o clube destrinchou as cifras auferidas, com queda na cota de transmissão, no quadro de sócios (que não chegou a R$ 1 mi, muito abaixo dos rivais nordestinos) e também no patrocínio, com acordos pontuais.

Entre as principais frentes de receita, à parte da negociação de atletas, a única a crescer foi a bilheteria. Contudo, há uma ressalva. Em 2018, o Santa teve apenas quatro jogos acima de 10 mil espectadores – incluindo o maior público do ano no Recife, com 49 mil pessoas no duelo contra o Operário-PR, pelas quartas da Série C. E a renda bruta nas 18 partidas com mando coral foi de R$ 1.691.508. Com os descontos, o dado é ainda menor, indo de encontro à receita declarada de R$ 4,4 milhões. O que leva ao ponto de que o clube somou as cotas de participação em competições neste quesito – o Fortaleza fez algo semelhante, computando a cota da Série B de 2018 em outro tópico.

A receita enxuta, num nível de competitividade acima, acabou gerando mais um déficit, o 5º consecutivo. Sobre o gasto com o futebol, que no ano caiu nas quartas de final do Estadual, do Nordestão e da Série C, além da eliminação na 1ª rodada da Copa do Brasil, o Santa gastou apenas R$ 6,3 milhões. O timbu gastou R$ 10,6 mi, enquanto o leão gastou R$ 56,9 mi. Fica claro que o Santa mediu forças na base da rivalidade, mas alguns degraus abaixo no quadro financeiro. Ao menos o passivo voltou a cair, num número até considerável, R$ 12 milhões a menos. Só que é preciso destacar que o clube ainda não passou pelo processo de reconhecimento de dívidas, como Sport (R$ 193 mi) e Náutico (R$ 284 mi). O valor de R$ 53 mi é baixo neste comparativo, mas há um certa incógnita sobre isso.

Para 2019, a expectativa em relação à gestão começou melhor devido à integralidade das cotas das competições. Fica a necessidade do acesso no Brasileiro para evitar o fim do calendário esportivo em agosto, com uma receita incomparável ao tamanho do Arruda.

Abaixo, um comparativo sobre quatro frentes importantes para a composição da receita no futebol profissional, considerando os últimos dois balanços do Santa – e as respectivas séries nacionais.

Direitos de transmissão na TV
2017 (B) – R$ 3.486.679
2018 (C) – R$ 727.572 (-79,1%; -2,75 mi)

Quadro de sócios-torcedores
2017 (B) – R$ 3.487.679
2018 (C) – R$ 997.402 (-71,4%; -2,49 mi)

Renda nos jogos
2017 (B) – R$ 2.535.766
2018 (C) – R$ 4.462.034 (+75,9%; +1,92 mi)

Patrocínio/Marketing
2017 (B) – R$ 2.377.281
2018 (C) – R$ 2.246.425 (-5,5%; -0,13 mi)

A seguir, o histórico de receitas do Santa nesta década, oscilando entre R$ 8 mi e R$ 17 mi nas temporadas fora da elite. Na única presença na Série A no período, o recorde histórico.

Faturamento do clube (receita total)
2011 (D) – R$ 17.185.073
2012 (C) – R$ 13.133.535 (-23,5%; -4,05 mi)
2013 (C) – R$ 16.955.711 (+29,1%; +3,82 mi)
2014 (B) – R$ 16.504.362 (-2,6%; -0,45 mi)
2015 (B) – R$ 15.110.061 (-8,4%; -1,39 mi)
2016 (A) – R$ 36.854.071 (+143,9%; +21,74 mi)
2017 (B) – R$ 15.848.541 (-56,9%; -21,00 mi)
2018 (C) – R$ 8.765.924 (-44,6%; -7,08 mi)

Resultado do exercício (superávit/déficit)
2011 (D): +1.442.869
2012 (C): -692.408
2013 (C): +453.996
2014 (B): -1.766.461
2015 (B): -3.388.522
2016 (A): -3.861.281
2017 (B): -4.605.091
2018 (C): -1.953.164

Evolução do passivo do clube (circulante + não circulante)
2011 (D) – R$ 69.775.333
2012 (C) – R$ 71.536.863 (+2,5%; +1,76 mi)
2013 (C) – R$ 71.377.478 (-0,2%; -0,15 mi
2014 (B) – R$ 72.727.047 (+1,8%; +1,34 mi)
2015 (B) – R$ 77.728.805 (+6,8%; +5,00 mi)
2016 (A) – R$ 62.604.879 (-19,45; -15,12 mi)
2017 (B) – R$ 65.917.841 (+5,2%; +3,31 mi)
2018 (C) – R$ 53.547.856 (-18,7%; -12,36 mi)

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