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A evolução de todas as cotas dos dez principais clubes da região em 2019 em relação a 2018.

Encerrada a temporada, vamos ao balanço econômico (e técnico) dos principais clubes do Nordeste, levando em conta o desempenho nas competições oficiais. Os dez clubes que mais faturaram em “cotas” somaram R$ 266,3 milhões, ou R$ 9,7 mi a mais que o ano passado.

Neste contexto, se aplicam as premiações recebidas por fases e/ou títulos, além dos recursos recebidos pela transmissão na televisão de cada torneio, sem a bilheteria. Sem surpresa, os quatro representantes na elite nacional representam a imensa maioria da receita, com 219,6 mi, ou 82,4% – em 2018, também com quatro times na Série A, o percentual foi rigorosamente o mesmo.

Enquanto o Bahia ampliou a liderança e os cearenses também registraram forte alta, a grande mudança nesta versão da lista é a queda acentuada de Vitória e Sport. Rebaixados no primeiro ano sem a “cláusula para-quedas”, que garantia a cota da A mesmo na B (válida durante muitos anos a 18 clubes do país, incluindo ainda o Bahia), os rubro-negros tiveram que se virar com os R$ 6 milhões da segunda divisão. Foi a mesma cota paga aos 20 participantes – na primeira ambos ganharam mais de R$ 40 mi em 2018. Para completar, os dois caíram na 1ª fase da Copa do Brasil, que era “a” chance para turbinar a receita num ano difícil. Assim, na lista geral, o Vitória caiu do 2º para o 6º lugar, enquanto o Sport caiu do 3º para o 8º, atrás do Santa Cruz, que mesmo na C captou mais devido aos avanços no mata-mata nacional.

Ao todo, os calendários envolvendo os clubes deste levantamento foram de 44 (Santa) a 70 jogos (Bahia). No “top ten” de arrecadação técnica, 3 pernambucanos, 2 alagoanos, 2 baianos, 2 cearenses e 1 paraibano. A seguir, todos os números, cifras e observações.

1º) Bahia (R$ 75,6 milhões)
– Estadual (BA): R$ 974.711 (campeão; 12 jogos, 6V, 4E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.215.000 (1ª fase; 8 jogos, 3V, 3E e 2D)
– Copa do Brasil: R$ 11.300.000 (quartas; 10 jogos, 5V, 3E e 2D)
– Brasileiro (Série A): R$ 60.000.000 (11º lugar; 38 jogos, 12V, 13E e 13D)
– Sul-Americana: R$ 1.130.000 (1ª fase; 2 jogos, 0V, 1E e 1D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 75.619.711 (R$ 1.080.281/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 5.683.216 (+8,1%)
– Desempenho: 70 jogos, com 26 vitórias, 24 empates e 20 derrotas. Índice de 48,5%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil, Série A e Sula

Em 2019, o Bahia turbinou a sua receita através da Copa do Brasil. Como em 2018, chegou às quartas. Porém, desta vez largou da 1ª fase – em vez das oitavas, como campeão nordestino. Assim, participou de seis fases. A captação só não foi maior devido à queda precoce na Sula.

2º) Ceará (R$ 55,5 milhões)
– Estadual (CE): R$ 600.000 (vice; 11 jogos, 5V, 4E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.515.000 (quartas; 9 jogos, 5V, 3E e 1D)
– Copa do Brasil: R$ 3.360.000 (3ª fase; 4 jogos, 1V, 2E e 1D)
– Brasileiro (Série A): R$ 49.100.000 (16º lugar; 38 jogos, 10V, 9E e 19D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 55.575.000 (R$ 896.370/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 20.694.680 (+59,3%)
– Desempenho: 62 jogos, com 21 vitórias, 18 empates e 23 derrotas. Índice de 43,5%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série A

O crescimento do vozão está atrelado diretamente à mudança na forma distribuição da receita do Brasileirão, agora com duas emissoras exibindo na tevê fechada. Em 2018, terminando em 15º, recebeu R$ 28,8 mi. Em 2019, uma posição abaixo, recebeu R$ 49 milhões.

3º) Fortaleza (R$ 45,1 milhões)
– Estadual (CE): R$ 600.000 (campeão; 11 jogos, 7V, 2E e 2D)
– Nordestão: R$ 3.210.000 (campeão; 12 jogos, 7V, 4E e 1D)
– Copa do Brasil: R$ 2.500.000 (oitavas; 2 jogos, 0V, 1E e 1D)
– Brasileiro (Série A): R$ 38.800.000 (9º lugar; 38 jogos, 15V, 8E e 15D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 45.110.000 (R$ 716.032/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 38.280.000 (+560,4%)
– Desempenho: 63 jogos, com 29 vitórias, 15 empates e 19 derrotas. Índice de 53,9%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil, Série A e Sula

Em campo, o leão do pici foi, disparado, o melhor time da região. Em termos financeiros só não faturou mais devido ao contrato de TV, assinado quando ainda estava na C. Agora, num outro patamar estrutural, mas com o acordo ainda válido, o tricolor ganhou menos que o rival.

4º) CSA (R$ 43,4 milhões)
– Estadual (AL): R$ 80.000 (campeão; 11 jogos, 6V, 3E e 2D)
– Nordestão: R$ 1.125.000 (quartas; 9 jogos, 4V, 4E e 1D)
– Copa do Brasil: R$ 920.000 (1ª fase; 1 jogo, 0V, 0E e 1D)
– Brasileiro (Série A): R$ 41.300.000 (18º lugar; 38 jogos, 8V, 8E e 22D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 43.425.000 (R$ 736.016/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 35.545.000 (+451,0%)
– Desempenho: 59 jogos, com 18 vitórias, 15 empates e 26 derrotas. Índice de 38,9%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série B

Nunca o CSA havia visto tanto dinheiro. A projeção orçamentária estimava R$ 40 milhões somando tudo, incluindo sócios, bilheteria etc. Segundo os cálculos do economista Cesar Grafietti (o mesmo utilizado para os outros times da A), o azulão ganhou mais só por jogar a primeirona.

5º) CRB (R$ 10,8 milhões)
– Estadual (AL): R$ 80.000 (vice; 11 jogos, 8V, 1E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.135.000 (quartas; 9 jogos, 1V, 7E e 1D)
– Copa do Brasil: R$ 2.600.000 (3ª fase; 4 jogos, 0V, 3E e 1D)
– Brasileiro (Série B): R$ 6.000.000 (7º lugar; 38 jogos, 15V, 10E e 13D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 10.815.000 (R$ 174.435/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 985.000 (+10,0%)
– Desempenho: 62 jogos, com 24 vitórias, 21 empates e 17 derrotas. Índice de 50,0%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série B

O lado alvirrubro de Maceió viveu um ano “estável” em termos de captação. A diferença, de menos de R$ 1 mi, foi a menor desses clubes. Para isso, ajudou as participações competitivas tanto no Nordestão quanto na Copa do Brasil, avançando fases – R$ 4,7 mi somando as duas.

6º) Vitória (R$ 10,0 milhões)
– Estadual (BA): R$ 974.711 (1ª fase; 9 jogos, 3V, 4E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.515.000 (quartas; 9 jogos, 0V, 7E e 2D)
– Copa do Brasil: R$ 525.000 (1ª fase; 1 jogo, 0V, 0E e 1D)
– Brasileiro (Série B): R$ 6.000.000 (12º lugar; 38 jogos, 11V, 12E e 15D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 10.014.711 (R$ 175.696/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: -R$ 50.965.289 (-83,5%)
– Desempenho: 57 jogos, com 14 vitórias, 23 empates e 20 derrotas. Índice de 38,0%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série B

Em campo o desempenho foi péssimo, com apenas 65 pontos dos 171 disputados no ano. E isso refletiu no apurado do Vitória. Inclusive visando 2020, pois a permanência na segunda divisão mantém o leão da barra com uma cota de tevê muito abaixo daquela recebida durante 20 anos.

7º) Santa Cruz (R$ 8,3 milhões)
– Estadual (PE): R$ 1.000.000 (quartas; 10 jogos, 5V, 3E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.890.000 (semifinal; 10 jogos, 3V, 4E e 3D)
– Copa do Brasil: R$ 4.500.000 (4ª fase; 6 jogos, 3V, 1E e 2D)
– Brasileiro (Série C): sem cota (1ª fase; 18 jogos, 6V, 7E e 5D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 8.390.000 (R$ 190.681/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 5.490.000 (+189,3%)
– Desempenho: 44 jogos, com 17 vitórias, 15 empates e 12 derrotas. Índice de 50,0%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série C

Em relação ao montante tricolor, é importante ressalvar que na prática o clube teve R$ 580 mil a menos, resultado do acordo firmado com o Náutico durante a 2ª fase da Copa do Brasil – com 60% da cota ao vencedor (o Santa) e 40% ao perdedor. Ou seja, o dinheiro entrou e “saiu”.

8º) Sport (R$ 7,5 milhões)
– Estadual (PE): R$ 1.000.000 (campeão; 13 jogos, 10V, 0E e 3D)
– Nordestão: não participou
– Copa do Brasil: R$ 525.000 (1ª fase; 1 jogos, 0V, 0E e 1D)
– Brasileiro (Série B): R$ 6.000.000 (vice; 38 jogos, 17V, 17E e 4D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 7.525.000 (R$ 144.711/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: -R$ 38.425.000 (+83,6%)
– Desempenho: 52 jogos, com 27 vitórias, 17 empates e 8 derrotas. Índice de 62,8%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série A

A situação econômica do Sport foi parecida com a do Vitória, tendo como agravante a ausência no Nordestão – por decisão do ex-presidente. A presença no regional poderia ter deixado o Sport em 5º nesta lista. Ao menos o calendário de 2020 será bem melhor: Série A e Nordestão.

9º) Botafogo-PB (R$ 5,3 milhões)
– Estadual (PB): sem cota (campeão; 14 jogos, 12V, 0E e 2D)
– Nordestão: R$ 2.710.000 (vice; 12 jogos, 7V, 3E e 2D)
– Copa do Brasil: R$ 2.600.000 (3ª fase; 4 jogos, 1V, 2E e 1D)
– Brasileiro (Série C): sem cota (1ª fase; 18 jogos, 6V, 7E e 5D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 5.310.000 (R$ 110.625/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: +R$ 2.870.000 (+117,6%)
– Desempenho: 48 jogos, com 26 vitórias, 12 empates e 10 derrotas. Índice de 62,5%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série C

A presença do time de João Pessoa foi a única novidade nesta temporada, deixando o Sampaio fora da lista – em 2018, lembrando, os maranhenses ganharam a Lampions. O Bota foi vice no regional, a sua melhor campanha até hoje, e avançou duas fases na copa nacional.

10º) Náutico (R$ 4,5 milhões)
– Estadual (PE): R$ 1.000.000 (vice; 13 jogos, 9V, 1E e 3D)
– Nordestão: R$ 2.410.000 (semifinal; 10 jogos, 5V, 3E e 2D)
– Copa do Brasil: R$ 1.150.000 (2ª fase; 2 jogos, 0V, 2E e 0D)
– Brasileiro (Série C): sem cota (campeão; 24 jogos, 12V, 6E e 6D)

– Cotas (participação, premiação e tv): R$ 4.560.000 (R$ 93.061/jogo)
– Variação financeira sobre 2018: -R$ 1.440.000 (-24,0%)
– Desempenho: 49 jogos, com 26 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. Índice de 61,2%
– Em 2020 jogará Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série B

Em relação ao montante alvirrubro, é importante ressalvar que na prática o clube teve R$ 580 mil a mais, resultado do acordo firmado com o Santa durante a 2ª fase da Copa do Brasil – com 60% da cota ao vencedor e 40% ao perdedor (o Náutico). Ou seja, ganhou mais fora da contagem regular.

As maiores arrecadações em cotas/premiações em 2019 (R$)
1º) 75,6 mi – Bahia (28,3%)
2º) 55,5 mi – Ceará (20,8%)
3º) 45,1 mi – Fortaleza (16,9%)
4º) 43,4 mi – CSA (16,3%)
5º) 10,8 mi – CRB (4,0%)
6º) 10,0 mi – Vitória (3,7%)
7º) 8,3 mi – Santa Cruz (3,1%)
8º) 7,5 mi – Sport (2,8%)
9º) 5,3 mi- Botafogo-PB (1,9%)
10º) 4,5 mi – Náutico (1,7%)

As maiores médias de cota por jogo oficial em 2019* (R$)
1º) 1.080.281 – Bahia
2º) 896.370 – Ceará
3º) 736.016 – CSA
4º) 716.032 – Fortaleza
5º) 190.681 – Santa Cruz
6º) 175.696 – Vitória
7º) 174.435 – CRB
8º) 144.711 – Sport
9º) 110.625 – Botafogo-PB
10º) 93.061 – Náutico
* Considerando os dez clubes com maiores arrecadações


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