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A Seleção Pernambucana de 1959, apelidada de Cacareco. Naquele ano, foi o Brasil.

Com mais de um século de história, a Copa América chega a 46 edições em 2019, com o Brasil recebendo a competição pela 5ª vez. Com uma lista cada vez mais internacional, num fluxo aparentemente sem volta, o técnico Tite só chamou três jogadores em atividade no futebol brasileiro, sendo dois do Corinthians (Cássio e Fágner) e um do Grêmio (Everton). Num passado já distante, era normal ver a maioria dos nomes presentes na lista no país. Indo além, havia espaço até para jogadores chamados diretamente do futebol do Nordeste. A última vez foi em 1995. Até hoje, 26 jogadores saíram diretamente da região para o campeonato sul-americano de seleções.

A história começou com Mica, lá em 1923, quando o Brasil jogava com o padrão branco. Zagueiro do Botafogo de Salvador e titular na seleção baiana, ele foi chamado para o torneio no Uruguai. Depois disso, um episódio que turbinou a estatística regional, com a Seleção Brasileira sendo representada por Pernambuco. Literalmente. Parece difícil de acreditar, mas foi exatamente isso. Na época, o futebol local vinha obtendo bons resultados e a CBD, precursora da CBF, já convidara outras seleções estaduais de destaque para representar a amarelinha, como a Bahia, em 1957, visando a Taça Bernardo O’Higgins, no Chile.

Neste caso da Cacareco, cujo apelidado pejorativo veio pela imprensa do Sudeste e acabou devidamente incorporado pelos pernambucanos, o time jogou o Sul-Americano Extra de 1959. Sim, foram duas edições. Na primeira, entre março e abril, na Argentina, o Brasil contou jogadores do eixo Rio-SP. Na segunda, em dezembro, a FPF foi convidada, com o trio de ferro compondo toda a lista de 22 nomes – o que corresponde a 84% do histórico do NE, com a base sendo do Santa, o campeão estadual. Depois disso, na era aberta, apenas três nomes, sendo dois do Bahia, no embalo do título brasileiro de 88, e um do Vitória, após o vice de 93.

Nº de jogadores do NE convocados para a Seleção na Copa América
10 – Santa Cruz (10 em 59)
7 – Náutico (7 em 59)
5 – Sport (5 em 59)
2 – Bahia (1 em 89 e 1 em 91)
1 – Botafogo-BA (em 23) e Vitória (em 95)

A seguir, o histórico de jogos dos convocados. No caso da Cacareco, uma lista detalhada no fim.

Jogos de Mica (Botafogo) na edição de 1923*
Brasil 0 x 1 Paraguai (Montevidéu, URU)
Brasil 1 x 2 Argentina (Montevidéu, URU)
Brasil 1 x 2 Uruguai (Montevidéu, URU)
* 4º lugar entre 4 times

Jogos da “Seleção Pernambucana” na edição de 1959*
Brasil 3 x 2 Paraguai (Guayaquil, EQU)
Brasil 0 x 3 Uruguai (Guayaquil, EQU)
Brasil 3 x 1 Equador (Guayaquil, EQU)
brasil 1 x 4 Argentina (Guayaquil, EQU)
* 3º lugar entre 5 times

Charles (Bahia) na edição de 1989: não jogou*
* Campeão entre 10 times

Jogos de Luís Henrique (Bahia) na edição de 1991*
Brasil 0 x 2 Colômbia (Viña del Mar, CHI)
Brasil 3 x 1 Equador (Viña del Mar, CHI), fez 1 gol
Brasil 2 x 3 Argentina (Santiago, CHI)
Brasil 2 x 0 Colômbia (Santiago, CHI)
Brasil 2 x 0 Chile (Santiago, CHI), fez 1 gol
* Vice entre 10 times

Rodrigo (Vitória) na edição de 1995: não jogou*
* Vice entre 12 times

A divisão de convocados da Seleção Pernambucana em 1959

Santa Cruz: Biu (5 jogos), Clóvis (4 j), Geroldo (1 j), Goiano (3 j), Servílio (1 j), Tião (3 j), Zé de Mello (5 j e 2 gols), Dodô (0 j ), Valter Serafim (0 j) e Moacir (0 j)

Náutico: Elias (5 jogos), Geraldo José (5 j e 2 gols), Givaldo (5 j), Paulo Pisaneschi (4 j e 4 gols), Waldemar (5 j), Zequinha (5 j) e Fernando Florêncio (0 j)

Sport: Édson (5 jogos), Elcy (1 j), Traçaia (5 j e 1 gol), Zé Maria (3 j) e Bria (0 j)

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