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O Retrô Futebol Clube Brasil foi fundado em fevereiro de 2016. Já surgiu com um centro de treinamento em Aldeia, voltado inicialmente para as categorias de base, com a formação de times e a realização de competições no Sub 11, Sub 13 e Sub 15. No entanto, o clube avançou na área e se profissionalizou. Em 2019, entra de vez no circuito do futebol local.

O criador e presidente do clube é o empresário Laércio Guerra. Sim, é o mesmo dirigente que ocupou as vice-presidências de comunicação e de futebol no último biênio do Sport – onde colecionou algumas declarações polêmicas. Paralelamente ao rubro-negro, o diretor-geral da faculdade Unibra tocou o seu outro projeto particular, que agora passa a ser, oficialmente, um concorrente no campo – na minha visão, denota um claro conflito de interesses entre dois clubes.

Pelo poder de investimento do (dono do) novo clube, a tendência é que o Retrô entre como favorito ao acesso na A2 e, em breve, faça frente a qualquer time intermediário tradicional na A1. No balanço financeiro de 2017 (abaixo), o clube declarou R$ 492 mil de receita bruta – no mesmo período, entre os intermediários do estado, apenas Salgueiro, Central e Porto tiveram receitas maiores. E o mais curioso neste caso: nenhum centavo com bilheteria, patrocínio ou outra negociação. Todo o valor foi obtido em “doações de terceiros”, uma denominação bem técnica, pois a origem é óbvia. Daí, 80% (R$ 395 mil) foi direcionado ao pagamento de “taxas de federação e confederações”, justamente para o processo de profissionalização na CBF.

Em 15 de janeiro, durante a apresentação dos uniformes do Retrô para a temporada, o presidente da FPF, Evandro Carvalho, deu a seguinte declaração ao site oficial da entidade.

“O Retrô será, sem dúvida, um dos grandes nomes do futebol estadual. O presidente Laércio vem fazendo um investimento grande no clube e promete entrar para brigar já este ano por uma vaga na primeira divisão do Pernambucano”

A razão social do Retrô FC foi aberta em 15 de fevereiro de 2017, como o CNPJ indicado como uma “associação privada” em Camaragibe – cujo único estádio é o municipal Luiz Alexandrino. Neste contexto, conforme visto em diversos times do país, a falta de apelo popular é uma barreira, com o empresariado tendo que bancar a falta de arrecadação com os borderôs dos jogos – até que ocorra uma venda de jogador. Por isso, à parte das grandes redes, caso do Red Bull Brasil, de SP, esses projetos não têm um histórico longevo. Foi assim nos dois exemplos anteriores no futebol pernambucano, licenciados e/ou encerrados há mais de uma década.

Clube-empresa em Pernambuco
Nos anos 90, surgiram dois modelos de “clube-empresa” no estado. O primeiro foi o Unibol, criado em 1996 pelo Grupo Moura. Dois anos depois acabou sendo vendido por R$ 50 mil, sem posse alguma, à rede de lojas Via Sports, indo das mãos de Ivo Moura para Jaildo Dantas. Campeão da A2 em 98, o Unibol figurou na elite nos dois anos seguinte, atuando Goiana. O outro time foi o Intercontinental, do empresário Walberto Dias, que teve um CT, em Paratibe, e mandou os jogos em Nossa Senhora do Ó. Após obter o acesso em 2001, disputou a A1 por dois anos, mas parou por falta de verba – e o tal centro de treinamento acabaria sendo vendido em 2008, ao Sport.

Clube-empresa na 1ª divisão local
2x – Unibol (1999, 6º; e 2000, 7º)
2x – Intercontinental (2002, 6º; e 2003, 9º)

Abaixo, um álbum com a estrutura do Retrô FC, à frente de muita gente em PE. Após estrear na FPF com o Sub 15, em 2018, o clube deve atuar em três categorias em 2019 – infantil, juvenil e profissional. E coloca a previsão de Evandro à prova. Dinheiro (de terceiros), terá.


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