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O “mapa pan-americano” do Recife (índice abaixo), projetado numa imagem do Google Maps.

No embalo dos Jogos Pan-Americanos de 2019, em Lima,  vamos a um exercício de futurologia. E se o Recife cogitasse uma candidatura para o Pan, emulando a “infraestrutura olímpica” numa escala menor?

Trata-se de um evento esportivo envolvendo 41 países das Américas, com 6,6 mil atletas competindo durante duas semanas – nesta 18ª edição, entre 26/07 e 11/08. Considerando as principais modalidades, a estrutura já existente e projetos já apresentados oficialmente (em execução ou não), o blog aponta 14 locais com eventos esportivos na região metropolitana.

Localização dos polos esportivos no Grande Recife
1 – Centro Santos Dumont (atletismo, natação, badminton e lutas)
2 – Geraldão (basquete)
3 – Praia de Boa Viagem (vôlei de praia)
4 – Orla do Pina (tênis)
5 – Marco Zero (chegada da maratona)
6 – Rio Capibaribe, na Rua da Aurora (remo e canoagem)
7 – Centro de Convenções (handebol, ginástica, judô, taekwondo e boxe)
8 – Memorial Arcoverde (basebol)
9 – Ilha do Retiro (futebol)
10 – Aflitos (rúgbi)
11 – Arruda (futebol)
12 – Cabanga Iate Clube Maria Farinha (vela)
13 – Caxangá Golf & Country Club (hipismo, golfe e tiro)
14 – Arena PE (futebol e cerimônias), Arena Indoor (vôlei) e vila dos atletas

Após a edição na capital peruana, a próxima edição do Pan-Americano será realizada em Santiago, a capital chilena, em 2023. Já a cidade-sede de 2027 ainda será definida pela Organização Desportiva Pan-Americana, a Odepa. A escolha deve ser feita até 2021, mantendo a média de seis anos de preparação para cada cidade. Três cidades já demonstraram interesse: Buenos Aires-ARG (sede em 1951), Santa Cruz de la Sierra-BOL e Barranquilla-COL.

Embora seja um evento menor em relação à Olimpíada, o gasto ainda é elevadíssimo. Em 2007, na última vez em que o Brasil recebeu o torneio intercontinental, o Rio de Janeiro gastou R$ 3,5 bilhões, sendo R$ 330 milhões no Engenhão, que posteriormente tornou-se o Estádio Olímpico de 2016. Corrigindo os valores após 12 anos, R$ 7,3 bi e R$ 692 mi, respectivamente. Além do óbvio plano executivo com locais de competição, infraestrutura, centro de imprensa, mobilidade e segurança, cada cidade precisa pagar o custo de inscrição: US$ 50 mil. Encara?

No Recife, vamos aos locais (imagens de divulgação) e as respectivas justificavas

Obs. Com o claro problema no litoral, a maratona aquática precisa ser estudada.

1 – Santos Dumont: Atletismo
Apesar de não ter sido utilizado, o Centro Esportivo Santos Dumont chegou a ser inscrito no guia oficial de treinamento Pré-Jogos Olímpicos de 2016 – acima, uma panorâmica do empreendimento. A pista de atletismo, que foi efetivamente reformada, receberia uma arquibancada na ala leste – abaixo. Para receber ao menos 15 mil espectadores, visando o Pan, o local precisaria do reforço de uma arquibancada móvel. A medida foi adotada na cidade canadense de Winnipeg, em 1999.

1 – Santos Dumont: Natação, polo aquático e saltos ornamentais
Pelo projeto lançado em 2012, o parque aquático do Santos Dumont receberia boa parte da verba de reforma do complexo. O orçamento total foi calculado em R$ 84.994.736, considerando a requalificação física e estrutural, através do decreto 38.395 no Diário Oficial do Estado. Na divisão, 65,3% do governo do estado e 34,6% do Ministério do Esporte. A última previsão era terminar esta etapa justamente em 07/2019, com uma piscina olímpica e uma piscina semiolímpica aquecida.

1 – Santos Dumont: Badminton, lutas greco-romana/livre e levantamento de peso
Um enorme galpão com quadras poliesportivas seria construído no projeto de reforma do centro – cujo primeiro prazo de conclusão apontava para o primeiro semestre de 2014. O amplo espaço seria suficiente para esportes de menor apelo popular no Brasil, até porque, ao todo, o Pan tem 420 eventos entre as 39 modalidades.

2 – Geraldão: Basquete
Inaugurado em 1970, o Geraldão passa por sua maior reforma, orçada em R$ 43 milhões. Iniciada em 2013, a obra deveria ter sido concluída no ano seguinte, mas estamos em 2019 e o trabalho ainda não foi finalizado. O equipamento, que já recebeu 19 mil pessoas na Liga Mundial de Vôlei, em 2002, será liberado para 8.943 pessoas, em cadeiras já instaladas. Entre as novidades, ambiente climatizado, piso com padrão internacional e um telão de última geração. Em caso de inversão com a Arena Indoor, em São Lourenço, o ginásio poderia receber o vôlei em vez do basquete.

3 – Praia de Boa Viagem – Vôlei de praia
A famosa orla recifense recebe torneios nacionais de vôlei de praia há mais de duas décadas. Abaixo, um exemplo, com o Circuito Banco do Brasil em 2013. A estrutura montada na areia atenderia à exigência pan-americana, com quadra central, com mais de dois mil lugares, e três quadras menores, também com arquibancadas.

4 – Orla do Pina: Tênis
As quatro quadras de tênis no Pina já receberam quatro torneios oficiais de nível “challenger”, em 1992, 1993, 1994 e 2011. O último aconteceu após uma reforma completa das quadras, de R$ 4,1 milhões, incluindo novo piso e troca no sistema de iluminação, com 48 refletores. Na quadra principal foi montada até uma arquibancada com 1.000 lugares e mais 150 no camarote vip. Na ocasião, a disputa contou com 32 tenistas na chave principal.

5 – Marco Zero: Chegada da maratona e fan fest
Cartão postal do Recife, o local seria ponto obrigatório para imagens do evento, com a chegada da maratona, cujo trajeto poderia sair da Igreja de Nazaré, em Suape. Além disso, o local, com know-how, poderia abrigar a praça de eventos do Pan, engajando turistas e demais interessados.

6 – Rio Capibaribe: Remo e canoagem
Outro cartão postal. O rio é ponto de treino de remo em diversos pontos, como próximo à Ilha do Retiro (remadores do Sport) e na Rua da Aurora (remadores do Náutico). As águas calmas e o calçadão da Aurora poderiam harmonizar com a disputa. Outra opção seria levar as provas para o Marco Zero.

7 – Centro de Convenções: Handebol, ginástica, judô, taekwondo e boxe
Assim como ocorreu no Pan de Toronto, em 2015, e na Olimpíada do Rio, em 2016, o Centro de Convenções, em Olinda, poderia ser adaptado para receber diversas modalidades com demanda menor de espaço. As alas sul e norte do pavilhão de feiras têm 18.870 metros quadrados e já contam com ar-condicionado. O Cecon ainda tem 5,3 mil m² de área livre, num espaço para praças de alimentação e confraternização. Em 2012 o governo apresentou um projeto de ampliação de R$ 800 milhões, incluindo a construção de um complexo empresarial-hoteleiro. Ainda no papel.

8 – Parque Memorial Arcoverde: Basebol
O parque na divisa entre Olinda e Recife foi inaugurado em 1994. Inicialmente, contava com campos de futebol, quadras de tênis e de outras modalidades. Deteriorado, o espaço tem um projeto de repaginação parado. Em 2016 chegou a ser divulgada a articulação de uma parceria para a construção de um campo de basebol, num acordo entre a Major League Baseball (MLB), do EUA, e o governo estadual (!). A ideia não andou, mas este cenário “resolveria” a lacuna no Pan.

9 – Ilha do Retiro: Futebol
Ainda que o futebol seja um evento com seleções Sub 20, a popularidade no país poderia causar um interesse acima da média na disputa. Três estádios na capital dariam conta, com a Ilha do Retiro aguardando uma reforma de R$ 750 milhões. Como o Sport não encontrou um parceiro na iniciativa privada, a arena acabou engavetada, curiosamente depois de o projeto ser, enfim, autorizado pela Prefeitura do Recife. Sem arena, o estádio precisaria de obras de requalificação.

10 – Aflitos: Rúgbi
Após dois anos de obras, o Náutico reabriu o estádio dos Aflitos em 16 de dezembro de 2018. A modernização do local custou R$ 5 milhões, com ampla reforma estrutural, incluindo novo gramado. Com dimensões menores, o palco poderia receber o torneio de rúgbi. Há alguns anos, durante a pausa do futebol, o Eládio de Barros recebeu jogos de futebol americano, num bom indicativo para os aficionados locais sobre uma modalidade semelhante.

11 – Arruda: Futebol e cerimônia de abertura
A Arena Coral foi lançada em 28 de junho de 2007. Na época, o Santa estipulou o investimento em R$ 190 milhões – hoje, em valores atualizados, quase R$ 400 milhões. Com capacidade para 68.500 pessoas, o novo Mundão poderia ser o palco da cerimônia de abertura, um dos eventos mais nobres em eventos do tipo. Na questão esportiva, poderia receber a final ou ao menos a semifinal dos torneios de futebol (masculino e feminino), tendo a Arena Pernambuco como concorrente – dependendo do grau de reforma no estádio até o Pan.

12 – Maria Farinha: Vela
O litoral norte de Paulista, na altura de Maria Farinha, é um reduto tradicionalíssimo das regatas pernambucanas, na proximidade da segunda unidade do Cabanga Iate Clube. A descentralização do Pan-Americano também poderia pesar a favor da decisão de levar a disputa para lá.

13 – Caxangá Golf: Golfe, hipismo e tiro
O clube no final da Avenida Caxangá tem 80 hectares, boa parte no campo de golfe, com 18 buracos, a quantidade exigida no torneio do Pan – a estreia da modalidade foi em 2015. Também há espaço para hipismo, em provas de saltos e equitação, além de espaço suficiente para para montar instalações para o tiro.

14 – Cidade da Copa: Arena (futebol), Indoor (vôlei) e vila dos atletas
A Arena Pernambuco saiu do papel, mas longe do ambicioso projeto apresentado em 15 de janeiro de 2009. Além do solitário estádio, a bilionária “Cidade da Copa” já deveria contar, em 2019, com um ginásio (a “Arena Indoor”, com 15 mil lugares, sendo a maior da cidade, apta para o vôlei, de grande procura), centro de convenções (9,5 mil m²), centro comercial (79 mil m²), dois hotéis (300 e 250 quartos) e 1.510 unidades residenciais, entre prédios e casas. A área residencial, sendo concluída próxima à arena, poderia formar a necessária Vila dos Atletas. Com isso, a distância dos demais polos de competições teria que ser resolvida com um ajuste no metrô e em linhas expressas.


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