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Sede da FPF

A azulada sede da FPF, na Boa Vista. De fato, vive tempos no azul. Foto: Rafael Vieira/FPF.

Pelo 12º ano seguido, o balanço financeiro da Federação Pernambucana de Futebol apresentou um saldo positivo entre receitas e despesas. Novamente trabalhando no “azul”, o relatório sobre as contas de 2024, auditado em 24 de fevereiro e divulgado no site oficial nesta semana, aponta um superávit de R$ 6,4 milhões. É o maior saldo positivo da história da entidade, sendo a quarta quebra de recorde consecutiva. Este novo número é, também, uma consequência da maior receita operacional já registrada pela FPF.

Receita da FPF subiu 18% em uma temporada

De 1º de janeiro a 31 de dezembro, a FPF apurou R$ 18.052.525. É um valor bem acima do faturamento anual do Santa Cruz pré-SAF, por exemplo. Esse cenário robusto aconteceu num ano com dois acessos nacionais, um à Série A, através do Sport, e um à Série C, através do Retrô. Por outro lado, o Náutico caiu na primeira fase da terceira divisão e o Santa ficou de fora do Campeonato Brasileiro, independentemente da divisão, após 55 anos.

A nova receita da federação presidida por Evandro Carvalho foi composta por três frentes: receitas técnicas de futebol, com R$ 9,3 mi (51% do total), receitas operacionais, com R$ 5,0 mi (27%), e receitas financeiras, com R$ 3,7 mi (20%). Esse montante vem das taxas sobre as bilheterias dos clubes e das ações administrativas dos filiados, como registros contratuais e rescisões, além de repasses da CBF. Em relação ao gasto, a maior parte foi com despesas técnicas com futebol, com a organização dos torneios. Passou de R$ 7,3 mi para R$ 9,5 mi. Somando os três anos após a pandemia, a FPF já faturou R$ 47,7 milhões. Foram os seus três maiores balanços. Em 15 anos, o período disponível para consulta, 14 tiveram superávit!

Dívida dos clubes filiados cresceu pelo 10º ano

Com o resultado positivo contínuo, na contramão dos principais filiados, que costumam fechar no “vermelho”, a federação virou credora dos clubes. Em 2010, no demonstrativo contábil mais antigo à disposição, a FPF tinha um crédito de R$ 272.704. Desde 2015 esse número só fez subir. Em 2024, o acumulado em empréstimos na entidade aumentou 15%. Agora totaliza R$ 22.235.471. É o dado presente na nota explicativa sobre os “créditos de clubes filiados”, que, segundo o relatório da FPF, se referem aos “adiantamentos concedidos a clubes filiados da federação”. Os valores “não possuem prazos de vencimentos definidos”.

No período, os três grandes clubes do Recife entraram com o pedido de “Recuperação Judicial”. Os documentos apresentados à Justiça neste processo, além dos respectivos balanços, apontam uma dívida conjunta de R$ 11,3 milhões junto à FPF. Isso representa 50% do total empenhado pela federação. Somando empréstimos e receitas antecipadas, eis a divisão: R$ 7,25 milhões no Náutico, R$ 2,20 mi no Santa Cruz e R$ 1,85 mi no Sport. No documento da FPF não há o detalhamento sobre o repasse a cada time. Em tempo: só o Sport já conseguiu realizar a assembleia com os credores para amortizar o passivo na “RJ”.

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Dívidas acumuladas pelos clubes junto à FPF

2010: R$ 272 mil
2011: R$ 1,14 milhão (+0,8 mi; +318%)
2012: R$ 736 mil (-0,4 mi; -35%)
2013: R$ 2,10 milhões (+1,3 mi; +185%)
2014: R$ 2,09 milhões (-5 mil; -0,2%)
2015: R$ 3,63 milhões (+1,5 mi; +73%)
2016: R$ 7,98 milhões (+4,2 mi; +116%)
2017: R$ 9,06 milhões (+1,1 mi; +14%)
2018: R$ 9,28 milhões (+0,2 mi; +2%)
2019: R$ 10,17 milhões (+0,8 mi; +9%)
2020: R$ 11,60 milhões (+1,4 mi; +14%)
2021: R$ 13,66 milhões (+2,0 mi; +17%)
2022: R$ 15,95 milhões (+2,2 mi; +16%)
2023: R$ 19,23 milhões (+3,2 mi; +20%)
2024: R$ 22,23 milhões (+3,0 mi; +15%)
* Via adiantamentos, com valores ainda pendentes

Apesar de o relatório ter 11 páginas, não é possível ver a representatividade das dezenas de taxas cobradas pela entidade na receita, até mesmo para ter uma base sobre o “cartório”. Em campo, a FPF segue em 3º lugar no Nordeste, de acordo com o Ranking de Federações da CBF após a temporada 2024. À frente de PE, as federações do Ceará (1º) e da Bahia (2º).

Receita operacional anual da FPF

2010: R$ 2,32 milhões
2011: R$ 3,14 milhões (+0,8 mi; +35%)
2012: R$ 4,83 milhões (+1,6 mi; +53%)
2013: R$ 6,28 milhões (+1,4 mi; +29%)
2014: R$ 6,00 milhões (-0,2 mi; -4%)
2015: R$ 6,43 milhões (+0,4 mi; +7%)
2016: R$ 8,50 milhões (+2,0 mi; +32%)
2017: R$ 6,31 milhões (-2,1 mi; -25%)
2018: R$ 5,10 milhões (-1,2 mi; -19%)
2019: R$ 6,73 milhões (+1,6 mi; +31%)
2020: R$ 6,88 milhões (+0,1 mi; +2%)
2021: R$ 8,11 milhões (+1,2 mi; +17%)
2022: R$ 14,50 milhões (+6,3 mi; +78%)
2023: R$ 15,18 milhões (+0,6 mi; +4%)
2024: R$ 18,05 milhões (+2,8 mi; +18%)

Resultado anual da FPF, com superávit ou déficit

2010: +297.742
2011: +898.500
2012: -89.573
2013: +1.834.817
2014: +1.306.002
2015: +1.478.674
2016: +2.302.010
2017: +279.246
2018: +362.906
2019: +2.386.235
2020: +2.235.891
2021: +4.080.101
2022: +5.836.717
2023: +6.023.627
2024: +6.427.834
* O saldo da subtração da receita líquida pela despesa anual, em R$


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