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Balanço financeiro do Bahia em 2021

O gráfico com a evolução das receitas e das dívidas do tricolor de Salvador nos últimos 7 anos.

Para 2021, o Bahia havia estimado um orçamento de R$ 171,9 milhões, o segundo maior da história do Nordeste, mas com um peso considerável a partir de um cenário de pandemia, sem público e com acordos menores. Ainda assim, o tricolor superou bastante a expectativa de receita, chegando a R$ 208,6 milhões, sendo pioneiro na região neste patamar.

Devido à conclusão do Brasileirão de 2020 só em fevereiro de 2021, parte das receitas vieram do “ano anterior”, sobretudo da tevê. Assim, o último exercício, de 1º a janeiro a 31 de dezembro, contabilizou R$ 177,0 milhões pelos acordos específicos de “2021” e R$ 31,5 milhões por “2020” – algo que será visto nos balanços de basicamente todos os grandes clubes. A receita recorde é, em tese, algo a ser comemorado, mas não agora, pois o resultado final disso, no campo, foi o rebaixamento à Série B após cinco anos seguidos na elite.

Não por acaso, a última temporada com faturamento abaixo de R$ 100 milhões foi justamente na última participação na segunda divisão, em 2016, com R$ 80,7 mi. Para 2022, cujo orçamento tricolor já foi analisado pelo blog, a direção estimou uma receita total de R$ 95,6 milhões. Ou seja, considerando que o clube de Salvador alcance este número, que é o 4º maior da Segundona deste ano, a queda nominal de 2021 para 2022 ainda será de R$ 112,9 milhões. É um choque de realidade num clube que vinha num processo sólido de reestruturação.

Hoje, o Bahia já vive um processo de discussão sobre a implantação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), cujo investidor seria o City Group, que comanda o Manchester City da Inglaterra, segundo o UOL, em reportagem de Rodrigo Mattos. As conversas vêm acontecendo há seis meses. E este ponto é bem importante sobre o contexto do balanço financeiro do Bahia. O documento de 31 páginas, enviado ao Conselho Deliberativo e obtido pelo blog, traça um bom raio x do clube, mas também traz alterações importantes ao discurso sobre a possível mudança administrativa, de associação para SAF. Um deles se refere às dívidas do clube.

Qual é o valor real da dívida do Bahia?

Nesta apresentação, o Baêa não detalhou o passivo atual, cujo valor já havia ultrapassado a marca de R$ 300 milhões no último ano. O clube optou por listar o endividamento, a “métrica utilizada para avaliar a necessidade de capital, próprio ou de terceiros, para financiar seus recursos”, num trecho do próprio PDF. No caso, o endividamento, no entendimento tricolor, é a soma dos passivos circulante (pendências a curto prazo) e não circulante (pendências a longo prazo, acima de 12 meses), extraindo as receitas a apropriar e os adiantamentos.

De toda forma, linguagem contábil à parte, o tricolor ainda deve muito. Mesmo reduzindo o valor, o endividamento é de R$ 235 milhões, quase R$ 27 mi a mais que o último faturamento, só possível porque foi o maior do clube. Em 2022 a receita cairá pela metade. Logo, a distância para a dívida líquida será muito maior no próximo balanço, a ser divulgado em abril de 2023.

Talvez por isso, a nota da auditoria independente RSM, contratada pelo Bahia para examinar os números, demonstre uma certa inquietação, com “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional”. No caso, ela chamou a atenção para o excesso de passivo circulante sobre o ativo (número ausente no relatório enviado aos conselheiros), a geração de caixa de R$ 22 milhões e o patrimônio líquido negativo, “evidenciando a necessidade aportes financeiros” (SAF?), mesmo com o enorme superávit registrado, de R$ 27 milhões.

Evolução do endividamento do clube
2015 (B) – R$ 209.568.000
2016 (B) – R$ 214.258.000 (+2%; +4,6 mi)
2017 (A) – R$ 194.905.000 (-9%; -19,3 mi)
2018 (A) – R$ 184.398.000 (-5%; -10,4 mi)
2019 (A) – R$ 209.948.000 (+13%; +25,5 mi)
2020 (A) – R$ 255.223.000 (+21%; +45,2 mi)
2021 (A) – R$ 235.088.000 (-7%; -20,1 mi)

O gasto preciso com o futebol

Ao todo, o Bahia gastou R$ 87,9 milhões com a folha salarial, sendo 64,6% com atletas e comissão técnica, 8,8% com o estafe do futebol profissional, 10,5% com o time de transição (Sub 23) e 16,1% com as demais áreas (CT, futebol feminino, administrativo, jurídico e comercial). Só o elenco consumiu R$ 56.762.000 em 2021, ano do título do NE e do descenso.

Abaixo, o histórico de receitas do Bahia nos últimos sete anos, com um salto nominal de R$ 127 milhões de entre o menor ano (2015) e o maior (2021) – foram firmados três acordos com a TV neste recorte, em 2012, 2016 e 2018. O clube passou de R$ 100 milhões de receita nos últimos cinco anos – seriam seis, mas houve uma reclassificação interna sobre os números de 2016. Em 2022 o clube retorna à Série B, com uma inevitável mudança de patamar financeiro.

Faturamento anual do Bahia (receita total)
2015 (B) – R$ 89.329.000 (+17%; +13,5 mi)
2016 (B) – R$ 80.709.000 (-9%; -8,6 mi)
2017 (A) – R$ 104.897.000 (+29%; +24,1 mi)
2018 (A) – R$ 136.107.000 (+29%; +31,2 mi)
2019 (A) – R$ 189.485.000 (+39%; +53,3 mi)
2020 (A) – R$ 130.619.000 (-31%; -58,8 mi)
2021 (A) – R$ 208.649.000 (+59%; +78,0 mi)

Resultado do exercício (superávit/déficit)*
2015 (B): +34.154.000
2016 (B): -16.190.000
2017 (A): -8.692.000
2018 (A): +4.481.000
2019 (A): +3.881.000
2020 (A): -50.641.000
2021 (A): +27.751.000
* O saldo da subtração da receita líquida pela despesa anual

A seguir, um comparativo sobre quatro frentes importantes para a composição da receita no futebol profissional, presentes nos últimos cinco balanços do Bahia. O blog já vinha publicando os dados, mas todos os anos presentes tiveram uma releitura dos números neste novo balanço. Além disso, o clube juntou bilheteria e sócios – no blog, costumo citar em duas categorias separadas

Direitos de transmissão na TV
2017 (A) – R$ 68.939.000
2018 (A) – R$ 83.068.000 (+20%; +14,1 mi)
2019 (A) – R$ 70.540.000 (-15%; -12,5 mi)
2020 (A) – R$ 46.594.000 (-33%; -23,9 mi)
2021 (A) – R$ 90.650.000 (+94%; +44,0 mi)

Quadro de sócios-torcedores e bilheteria
2017 (A) – R$ 16.707.000
2018 (A) – R$ 21.950.000 (+31%; +5,2 mi)
2019 (A) – R$ 36.304.000 (+65%; +14,3 mi)
2020 (A) – R$ 34.347.000 (-5%; -1,9 mi)
2021 (A) – R$ 22.893.000 (-33%; -11,4 mi)

Negociação de atletas
2017 (A) – Zero
2018 (A) – R$ 18.310.000 (+100%)
2019 (A) – R$ 44.821.000 (+144%; 26,5 mi)
2020 (A) – R$ 21.712.000 (-51%; -23,1 mi)
2021 (A) – R$ 35.441.000 (+63%; +13,7 mi)

Patrocínio/Marketing
2017 (A) – R$ 12.959.000
2018 (A) – R$ 9.541.000 (-26%; -3,4 mi)
2019 (A) – R$ 15.587.000 (+63%; +6,0 mi)
2020 (A) – R$ 10.188.000 (-34%; -5,3 mi)
2021 (A) – R$ 18.240.000 (+79%; +8,0 mi)

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