Eis o 45º troféu de campeão estadual do clube da Ilha do Retiro. Foto: Rafael Vieira/FPF.
A vantagem construída na Arena Pernambuco, no jogo de ida, deixou o Sport bem pertinho do título pernambucano. O bom futebol no primeiro tempo mostrou uma diferença técnica considerável em relação ao Retrô. Entretanto, a desconcentração após o intervalo resultou numa vitória apertada, e graças ao gol de Pablo no finzinho. Ainda assim, bastava o empate na Ilha do Retiro no jogo de volta. Após a boa estreia na Série A, no empate sem gols com o São Paulo no Morumbi, a confiança foi recuperada para ratificar de vez o título estadual de 2025. O que de fato aconteceu, mas com muito mais suor derramado.
Roteiro ensaiou o renascimento da Fênix
Empurrado pela torcida, que encheu a Ilha com quase 25 mil torcedores, o Sport começou pressionando e abriu o placar com Chico numa sobra na área. Com apenas 25 minutos, o 3 x 2 no agregado virou 4 x 2. Foi mais um passo dado rumo à conquista. Todo mundo pensou. Porém, vieram os passos para trás, com uma atuação travada pela imposição física do clube-empresa de Camaragibe, que mostrou um alto nível de competitividade. Sobretudo o meia-atacante Fernandinho, de 39 anos. Ainda no primeiro tempo, ele fez boa jogada e cruzou para Mascote, o camisa 9, empatar de cabeça. A vantagem do Sport voltava a ser mínima.
No comecinho da etapa complementar, usando a mesma formação, apesar do desempenho inconstante até então, o Sport chegou a desempatar com Sérgio Oliveira, mas o VAR anulou o gol por uma falta cometida por Barletta antes do passe. Pior, Sérgio Oliveira, que vinha sendo a figura mais criativa, acabou perdendo a cabeça e foi expulso. Também após revisão do árbitro de vídeo. Pra complicar de vez, o Retrô virou logo na sequência. Numa cobrança de falta aos 27 minutos, Fernandinho igualou o confronto, com 4 x 4 no agregado. A sua participação foi enorme nas finais, com dois gols e duas assistências. Com o jogo indo às penalidades, a torcida do Sport sentiu o baque, ainda que não tenha faltado ímpeto à equipe nos minutos finais – até mesmo de forma arriscada, gerando contragolpes perigosos.
Título leonino veio com a cara de Magrão
Com a “remontada”, o título acabou sendo definido nos pênaltis, sendo a quinta vez em sete anos. Eis então a reviravolta definitiva neste 2 de abril. O Retrô já havia conseguido duas classificações nos pênaltis nesta temporada, ambas como visitante. Uma contra o Náutico, nas quartas do PE, e outra contra o Atlético-GO, na segunda fase da Copa do Brasil. Nos dois casos, com o goleiro Volpi muito bem. Já o Sport havia parado no Operário de Várzea Grande na Copa do Brasil. A diferença anímica para as cobranças era evidente. Estava no ar. Só que desta vez o Leão foi certeiro. O zagueiro João Silva ainda chegou a parar em Volpi, mas o goleiro adiantou e o VAR, em sua terceira revisão na noite, finalmente foi favorável ao Sport.
Tendo uma nova chance, o português caprichou e ampliou a vantagem após a bola no travessão da Fênix. Quando Carlos Alberto marcou o quarto gol leonino, o Sport ficou com três “match points”. Conseguiu logo na primeira chance. Num lance emblemático, diga-se. Na cobrança de Diego Guerra, o filho do proprietário do Retrô, Caíque França defendeu e encerrou a série em 4 x 2. O goleiro estava com uma camisa verde com detalhes dourados que replicava o modelo clássico utilizado por Magrão durante o título nacional de 2008. Por sinal, o ídolo estava na arquibancada vendo aquilo tudo. Como torcedor, vivenciou o mesmo que tantos rubro-negros durante sua carreira na Ilha. Desta vez, o pênalti defendido valeu um tricampeonato, algo que o clube não conquistava há 17 anos – assista abaixo.
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Hegemonia ampliada em Pernambuco
Portanto, o Sport chegou a 45º título pernambucano, ampliando a hegemonia local, tendo agora 16 taças a mais que o segundo colocado no ranking, o Santa Cruz, além de se manter no “top ten” entre os maiores campeões estaduais do país – confira abaixo. Embora tenha terminando a primeira fase do campeonato estadual em 4º lugar, ameaçando até as vagas nas copas, o Sport acabou conquistando as vagas almejadas para 2026. No caso, na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste. Com 14 partidas, a campanha final no PE 2025 teve 8 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Sobre o breve histórico com o Retrô, este foi a segunda taça em duas finais. Ao todo, são 5 vitórias do Sport, 3 vitórias do Retrô e 2 empates.
Escalação do Sport, 1 (4) (melhores: Chico e Rivera)
Caíque França; Hereda, João Silva, Lucas Cunha e Chico; Rivera, Fabrício Domínguez (Lenny Lobato) e Sérgio Oliveira; Lucas Lima (Gustavo Maia), Chrystian Barletta (Carlos Alberto) e Pablo. Técnico: Pepa
Escalação do Retrô, 2 (2) (melhor: Fernandinho)
Volpi; Gedeilson (Diego Guerra), Claudinho, Rayan e Salomão; Fabinho, Radsley e Mascote (Fialho); Fernandinho, Jonas (Gledson) e Maycon Douglas (Grafite). Técnico: Wires Souza
Os 45 títulos estaduais do Sport
1916-1917 (bi), 1920, 1923-1925 (tri), 1928, 1938, 1941-1943 (tri), 1948-1949 (bi), 1953, 1955-1956 (bi), 1958, 1961-1962 (bi), 1975, 1977, 1980-1982 (tri), 1988, 1991-1992 (bi), 1994, 1996-2000 (penta), 2003, 2006-2010 (penta), 2014, 2017, 2019 e 2023-2025 (tri)
Ranking de títulos pernambucanos de 1915 a 2025
1º) 45 títulos: Sport (último em 2025)
2º) 29 títulos: Santa Cruz (2016)
3º) 24 títulos: Náutico (2022)
4º) 6 títulos: América (1944)
5º) 3 títulos: Torre (1930)
6º) 2 títulos: Tramways (1937)
7º) 1 título: Flamengo (1915) e Salgueiro (2020)
* Ao todo, foram 8 campeões em 111 edições
Os maiores campeões estaduais do Brasil
1º) 57 títulos: ABC-RN (último em 2022)
2º) 51 títulos: Bahia-BA (2025)
3º) 50 títulos: Paysandu-PA (2021) e Atlético-MG (2025)
5º) 48 títulos: Rio Branco-AC (2023)
6º) 47 títulos: Remo-PA (2022) e Ceará (2025)
8º) 46 títulos: Fortaleza-CE (2023) e Internacional-RS (2025)
10º) 45 títulos: Sport-PE (2025)
* Lista atualizada até 2 de abril de 2025
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Abaixo, a publicação oficial do Sport após a conquista do 45º título estadual. Parabéns!