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O "laion" do Fortaleza no Castelão.

Em 5 anos, a previsão orçamentária o “laion” subiu R$ 184 milhões. Foto: Mateus Lotif/Fortaleza.

Há duas temporadas o Fortaleza vem sendo o clube nordestino com os resultados mais expressivos, acumulando duas classificações seguidas à Taça Libertadores da América, algo inédito. Numa crescente econômica desde o título da Série B em 2018, o clube alencarino agora projeta, simplesmente, o maior orçamento da história do Nordeste. Com uma receita bruta de R$ 208.600.000, o Leão do Pici é o primeiro a estimar uma cifra acima de R$ 200 milhões – não confunda isso com a “receita realizada”, cujo número é definido após o ano efetivamente consumado, pois aí já aconteceu. É preciso destacar que o clube é o primeiro do NE neste patamar com dados oficiais, embora o recorde deva durar pouco.

Iniciando a gestão via SAF, através do Grupo City, o Bahia deverá quebrar esse recorde orçamentário ainda em 2023. Em 17 de novembro, antes da votação dos sócios sobre a constituição da SAF, o presidente do Baêa, Guilherme Bellintani, falou sobre a projeção de pelo menos R$ 230 milhões. Até esta publicação do blog, o clube de Salvador ainda não havia oficializado a sua planilha, como fez o Fortaleza após a apresentação dos números ao Conselho Deliberativo. Ainda que o tricolor baiano passe de fato, não dá para desconsiderar a capacidade econômica alcançada pelo tricolor cearense, com uma previsão próxima ocorrendo mesmo com o modelo de “associação”, sem um investidor pesado por trás.

O crescimento da receita através da torcida

De 2022 para 2023, o avanço na receita do clube presidido por Marcelo Paz é de R$ 67,5 milhões. Seria natural achar que os direitos de transmissão colaboraram massivamente com isso. Apesar de realmente corresponder ao maior percentual, a fatia da tevê, sobre o aumento no ano, só chegou a 25%, com +17,5 mi. Já a soma de três meios que dependem só da força da torcida, com a venda de produtos (+15,9 mi), mensalidades dos sócios (+12,7 mi) e renda dos jogos no Castelão (+4,9 mi), corresponde a 49%. Aí, sim, um crescimento sólido, uma vez que a receita da tevê pode sofrer enorme variação, como não jogar a Série A e/ou Liberta, por exemplo. Falando especificamente sobre o quadro de sócios, o clube tem hoje 38.758 adimplentes. Para alcançar o apurado desejado, esse quadro deverá beirar 50 mil.

O gasto recorde com o futebol

Com mais dinheiro, o gasto com o futebol profissional também dará um salto enorme, de R$ 88,5 milhões em 2022 para R$ 132,2 milhões em 2023. Na próxima temporada, o departamento irá consumir 63,3% da receita total, percentual pouco acima do orçamento anterior, de 62,7%. Ou seja, o aumento foi bruto e proporcional. Uma novidade em 2023 será a ausência de acordos trabalhistas, pois este passivo foi zerado – em 2022 o futebol precisou destinar R$ 1,8 mi pra isso. Considerando apenas o direito de imagem e os salários na carteira do time comandado por Juan Pablo Vojvoda, o Fortaleza aumentou o investimento de R$ 44,4 mi para R$ 67,0 mi. Portanto, terá mesmo um elenco mais robusto.

Ao todo, a despesa do leão, somando ainda com administrativo, impostos, entre outros custos operacionais, será de R$ 201,9 milhões. Naturalmente, é a maior até hoje também. Porém, o clube espera que a subtração da receita líquida pelas despesas, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2023, ainda resulte num saldo positivo, com superávit de R$ 745.989.

A evolução da previsão orçamentária do Fortaleza (e o aumento sobre o ano anterior)
2018 (Série B) – R$ 24.000.000
2019 (Série A) – R$ 56.700.000 (+136%; +32 mi)
2020 (Série A) – R$ 109.072.000 (+92%; +52 mi)
2021 (Série A) – R$ 113.704.000 (+4%; +4 mi)*
2022 (Série A) – R$ 141.090.000 (+24%; +27 mi)
2023 (Série A) – R$ 208.600.000 (+47%; +67 mi)
* Posteriormente reajustado para R$ 94,6 mi, sem bilheteria na pandemia

As principais fontes de receita do Fortaleza em 2023 (% sobre o total)
1º) R$ 84,9 milhões (40,6%) – Direitos de transmissão na TV*
2º) R$ 31,4 milhões (15,0%) – Sócios
3º) R$ 29,8 milhões (14,3%) – Vendas nas lojas próprias Leão 1918
4º) R$ 20,3 milhões (9,7%) – Bilheteria
5º) R$ 17,0 milhões (8,1%) – Venda de direitos econômicos de atletas
6º) R$ 15,5 milhões (7,4%) – Patrocínio
7º) R$ 6,9 milhões (3,3%) – Bares, camarotes e estacionamento
* Brasileirão (60,0 mi), Libertadores (15,0 mi), Copa do Brasil (4,9 mi), Nordestão (4,0 mi) e Cearense (1,0 mi)

Os maiores orçamentos do Nordeste (+100 mi)

1º) R$ 230,0 milhões – Bahia (2023), valor não oficial
2º) R$ 208,6 milhões – Fortaleza (2023)
3º) R$ 179,0 milhões – Bahia (2020)
4º) R$ 171,9 milhões – Bahia (2021), rebaixado
5º) R$ 163,8 milhões – Ceará (2022), rebaixado
6º) R$ 151,9 milhões – Ceará (2021)
7º) R$ 143,7 milhões – Bahia (2019)
8º) R$ 141,0 milhões – Fortaleza (2022)
9º) R$ 119,7 milhões – Bahia (2018)
10º) R$ 113,7 milhões – Fortaleza (2021)*
11º) R$ 109,0 milhões – Fortaleza (2020)
12º) R$ 108,3 milhões – Sport (2018), rebaixado
13º) R$ 102,0 milhões – Vitória (2018), rebaixado
14º) R$ 100,4 milhões – Ceará (2020)
* Posteriormente reajustado para R$ 94,6 mi, sem bilheteria na pandemia

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