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Os três clubes ficam na área central do Recife, com a maior distância entre eles apontando 5,2 km.

Em 8 de dezembro, um estudo apontou Sport (16º), Santa Cruz (20º) e Náutico (22º) entre os clubes mais valiosos do Brasil. No Nordeste, segundo a Sports Value, o trio só ficou abaixo do Bahia, com o potencial econômico se sobrepondo ao patrimônio físico, o ponto alto dos clubes pernambucanos. A análise considerou os últimos balanços divulgados pelos clubes. Dados oficiais, mas não necessariamente atualizados.

Sobre o “imobilizado”, de fato não há uma padronização nas informações. A partir disso, esta publicação do blog traz os valores mais próximos da realidade, em 2020, em relação às propriedades de alvirrubros, rubro-negros e tricolores. Até porque, no futebol pernambucano, os respectivos estádios são sinônimos desses clubes.

O Náutico está nos Aflitos desde 1917, o Sport está na Ilha do Retiro desde 1936 e o Santa Cruz está no Arruda desde 1943. Estádios incorporados aos bairros (ou bairros incorporados aos estádios?). Ao todo, 200 mil metros quadrados dentro do núcleo urbano, acessados por avenidas importantes. E quanto valem? Considerando o “valor de custo”, com o terreno, imutável nos balanços, e o valor original das edificações, a soma dos patrimônios dos três rivais daria R$ 411.746.199. Entretanto, existem fatores que “depreciam” as edificações com o passar do tempo, como o estado de conservação, cuja redução vai de 2% a 4% ao ano.

Sendo assim, observando os últimos demonstrativos divulgados, o valor acumulado do trio cairia para R$ 329.438.871, numa redução de R$ 82,3 mi (ou -19,9%). Paralelamente ao estado de conservação, também há a valorização dos terrenos no mercado, as mudanças nas condições de aproveitamento da área, o tamanho da área construída etc. Só que o proprietário não é obrigado a atualizar este valor, como na declaração de imposto de renda, por exemplo. Ou seja, os valores originais dos clubes já estavam bem defasados.

Por linhas bem distintas, os três acabaram tendo novos dados neste ano – abaixo, confira os detalhes de cada um. Todos com milhões a mais, sobretudo o Santa Cruz, em tese com o patrimônio mais valorizado do Recife. Hoje, o trio de ferro totaliza R$ 662.906.703. Ou seja, com alta de R$ 251,1 mi sobre o valor de custo (+60,9%) e alta de R$ 333,4 mi sobre o último valor depreciado (+101,2%). Valorização à parte, que esses clubes centenários nunca virem alvo, de fato, da especulação imobiliária, principalmente tendo o pagamento de dívidas (tão altas quanto) como o único objetivo – ainda existem outros meios neste quesito.

A seguir, as cifras patrimoniais do clubes do Recife, à parte dos centros de treinamento.

Patrimônio do Santa Cruz
Bairro: Arruda
Área: 58 mil m² (estádio, sede, ginásio e parque aquático)
Valor de custo: R$ 63.739.000*
Reavaliação do clube em 2020: R$ 245.130.829 (+284% sobre o custo)
* O clube não divulgava o valor depreciado

M² pelo valor de custo: R$ 1.098
M² pela reavaliação do clube: R$ 4.226

Nota do blog sobre a cobra coral
O Santa Cruz, cujos balanços sequer apresentavam a mutação por depreciação, mantendo há anos o valor de R$ 63,7 mi por todo o Arruda, fez um pente fino nesta temporada. O tricolor refez as suas contas nos últimos três anos e passou a considerar o estudo de avaliação feito pela comissão patrimonial em 2012, já corrigindo o montante para dezembro de 2019. Assim, o clube teve um acréscimo de R$ 181 milhões! Com o total de R$ 245 mi, saltou do 3º para o 1º lugar entre os patrimônios dos grandes locais, neste cenário. Na divisão por metro quadrado fica pouco abaixo dos Aflitos, um dos bairros mais valorizados da capital.

Patrimônio do Náutico
Bairro: Aflitos
Área: 41 mil m² (estádio, sede, ginásio e parque aquático)
Valor de custo: R$ 172.240.502
Valor pela depreciação até 2019: ­­R$ 134.489.197 (-21% sobre o custo)
Reavaliação do clube em 2020: R$ 201.680.579 (+17% sobre o custo)

M² pelo valor de custo: R$ 4.200
M² pela reavaliação do clube: R$ 4.919

Nota do blog sobre o timbu
Levando em conta que a versão completa do balanço financeiro do Náutico sobre 2019 ainda não foi divulgada (a receita total, por exemplo, segue sem dados oficiais), o estudo da Sports Value deve ter considerado os demonstrativos publicados até 2018. Por isso, a não aferição do patrimônio informado na “versão sintética” do balanço, apresentada em 30 de abril. O alvirrubro, que já tinha o metro quadrado mais caro na “versão de custo”, e se manteve neste cenário de reavaliação.

Patrimônio do Sport
Bairro: Ilha do Retiro
Área: 101 mil m² (estádio, sede, ginásios e parque aquático)
Valor de custo: R$ 175.766.697
Valor pela depreciação até 2019: R$ 131.210.674 (-25% sobre o custo)
Avaliação patrimonial via justiça em 2020: R$ 216.095.295 (+22% sobre o custo)

M² pelo valor de custo: R$ 1.740
M² pela avaliação judicial: R$ 2.139

Nota do blog sobre o leão
O valor do Sport é o único que não revisto pelo próprio clube. No caso, trata-se de uma avaliação judicial devido a uma ação de R$ 658 mil movida pelo ex-diretor Laércio Guerra. O auto de avaliação, através da 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais da Capital determinou a avaliação de todo o clube, considerando o lance mínimo num leilão – algo que na prática não se aplicaria, pelos trâmites jurídicos e também pela possíveis divisão do bem total para quitação da dívida. Neste cenário calculado “à parte” do Sport, o metro quadro acabou ficando a metade dos rivais. Como curiosidade, a aplicação do valor utilizado no Arruda resultaria resultaria numa avaliação de R$ 426,8 milhões pelo complexo da Ilha.

Leia mais sobre o assunto
A evolução do estádio do Arruda, a casa do Santa Cruz em 1,5 mil jogos

A evolução do estádio dos Aflitos, a casa do Náutico em 1,7 mil jogos

A evolução do estádio da Ilha do Retiro, a casa do Sport em 2,1 mil jogos


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