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O Mutange em 1949, o principal estádio alagoano até o Rei Pelé. Foto: CSA/divulgação.

No Brasil, alguns clubes têm ampla identificação com bairros históricos nas cidades, transformando os seus nomes em sinônimos. No Recife, Aflitos, Ilha do Retiro e Arruda são referências diretas a Náutico (desde 1918), Sport (1937) e Santa Cruz (1943). Sedes que viraram estádios, estádios que viraram a segunda casa das torcidas. Em Maceió também é assim. Ou era, com o elo sendo quebrado, de maneira concreta, em 2020. No estado vizinho, CSA e CRB também são conhecidos como Azulão do Mutange e Galo da Pajuçara, numa soma dos mascotes com os bairros. Com cada num canto, passaram quase um século no mesmo local, sendo parte viva da história. Ainda são, frisando, mas agora a alguns quilômetros de distância, sob novos ares.

Em 2014, o CRB se despediu do Estádio Severiano Gomes Filho, a “Pajuçara”, após quase 94 anos no local, inaugurado em 1920. O clube vendeu a propriedade por R$ 20 milhões, quitando dívidas e viabilizando o Centro de Treinamento Ninho do Galo, em Barra de São Miguel. A 34,7 quilômetros. Agora é a vez do CSA, mas devido a um motivo insólito.

Inaugurado em 1922, o Estádio Gustavo Paiva, o “Mutange”, foi, por décadas, um dos principais centros do futebol na capital, sendo o primeiro com sistema de refletores. Acabou perdendo espaço, assim como o campo do rival, após a construção do Rei Pelé, em 1970. Porém, o CSA optou por transformar o local em um centro de treinamento, concluindo a obra em 2012. E usufruiu da estrutura até o mês de março, quando ocorreu o último treino profissional. Foi preciso parar, por causa da ameaça de afundamento do solo provocada pelo excesso de extração de sal-gema, a substância utilizada para fabricar soda cáustica e material em PVC – foram quatro décadas de atividade comercial. Os poços da mineradora Braskem atingiram quatro bairros, com a necessidade de remoção de 17 mil pessoas, além do clube.

Abaixo, o Mutange e os novos passos do CSA, com dois destinos nos próximos anos.

Com a saída forçada após 98 anos, numa tragédia ambiental, o clube passou a procurar um novo local, que seria naturalmente bancado pela mineradora. A primeira parada, com duração de dois a três anos, será em Tabuleiro do Martins, a 13,3 quilômetros da “origem”. Lá, na parte alta da cidade, o clube arrendou a estrutura do antigo Corinthians Alagoano, com um estádio de pequeno porte e mais dois campos oficiais. O Estádio Nelson Feijó foi pintado, de azul e branco, claro, contando ainda com reformas internas nos vestiários, na academia, na sala de fisioterapia e na sala de imprensa. O acordo indenizatório ainda prevê a construção de um CT definitivo. E neste próximo passo a caminhada será ainda maior, de até 23,2 quilômetros a partir da velha casa. A futura propriedade será em Rio Largo, próxima ao aeroporto.

Para quem nunca viveu algo semelhante, em termos futebolísticos, talvez seja difícil dimensionar o impacto na identidade. No Recife, o Náutico passou cinco anos longe dos Aflitos, período marcado por pedidos de volta, mesmo com uma arena de Copa do Mundo à disposição. Em Buenos Aires, o San Lorenzo, o time do Papa Francisco, se esforça há 50 anos para voltar ao seu bairro, Boedo. Em Flores, onde ergueu a sua nova cancha, o Nuevo Gasómetro, o clube criou novas raízes e até foi campeão da Libertadores, mas sem esquecer a alma. E assim tende a ser por todo o sempre com Náutico, Santa e Sport. Que assim também seja com CRB e CSA, que jamais deixarão de ser o Galo da Pajuçara e o Azulão do Mutange…

A seguir, imagens de 03/06 do novo (e provisório) centro de treinamento do CSA, já reformado e caracterizado. O local receberá todos os departamentos do clube. Fotos: Augusto Oliveira/CSA.

Sobre a pergunta no título desta publicação, segue a descrição do próprio CSA:

“Foram quase 100 anos no Mutange. Nossa antiga casa nunca será esquecida pela Nação Azulina. Tantas histórias, títulos, acessos foram vividos no antigo CT Gustavo Paiva. Agora é um novo momento. Nosso novo Centro de Treinamento está pronto para receber os atletas e todos os funcionários do Azulão. Três campos, academia ampla, todas as salas estruturadas para os setores do departamento médico, departamento de futebol, presidência, administrativo, marketing e comunicação, sócio-torcedor, financeiro e comissão técnica. Mudamos apenas de endereço! Continuaremos sendo o Maior Campeão de Alagoas!”


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