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Você lembra dessas associações? O seu clube fez parte de alguma das três? Comente.

A organização de campeonatos nacionais através de ligas geridas pelos próprios clubes já tem pelo menos três décadas. Entre os principais exemplos, a Premier League, na Inglaterra, e a Bundesliga, na Alemanha. Em 2017 surgiu a Superliga Argentina de Fútbol (SAF), com 26 filiados, já à frente da competição do país vizinho. No Brasil, a ideia volta de tempos em tempos. Até hoje não funcionou efetivamente, como nos principais modelos europeus. Neste momento, porém, há uma nova tentativa de criação de uma liga de futebol profissional no país, à parte da CBF.

A informação partiu de Lauro Jardim, no jornal O Globo, em 2 de março. Segundo o colunista, oito clubes já estariam praticamente fechados com o projeto. A nota, contudo, cita sete nomes, incluindo três nordestinos: Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Corinthians, Fortaleza, Red Bull Bragantino e Sport. Nessas conversas, em reuniões no Rio e em contatos constantes no WhatsApp, também há resistência. No caso, através de Flamengo, Palmeiras e Vasco – entre eles, os dois mais ricos do país e também vencedores do Brasileirão em 2018 e 2019.

Os dirigentes envolvidos evitam falar abertamente sobre o assunto – o presidente do Corinthians, por exemplo, já negou a articulação. Internamente, o tema é tratado como um “jogo de xadrez”, tanto em interesses comerciais quanto esportivos. Mesmo com poucas informações concretas a respeito, é possível abordar alguns pontos sobre a “liga”.

1) Autonomia – De certa forma, uma liga independente representa a união dos clubes em prol de um produto melhor para todos. Num campeonato, vale sobre a organização, viabilização e comercialização. Não se trata de decisões unânimes, mas do respeito às decisões tomadas, via chancelas oficiais. E estamos falando da autonomia sobre a operação de cerca de R$ 2 bilhões anuais em receita, somando todas as plataformas de TV. A qualidade da gestão seria essencial.

2) Novo formato – No Brasil, as ligas/associações funcionaram, na prática, para a negociação em bloco sobre os direitos de transmissão na televisão, quase sempre junto à Rede Globo. No entanto, é preciso entender que as ligas, ao menos as principais, tomam a frente de todo o processo sobre o campeonato. No país, a dependência da CBF é absoluta – e os conselhos técnicos das Séries A, B e C de 2020, na sede da entidade, não deram sinais de “ruptura” num futuro breve. Mudaria?

3) As rusgas – As versões anteriores no país deixaram algumas rusgas políticas e esportivas. No caso do Clube dos 13, o maior exemplo, há até a discussão sobre a definição de um título brasileiro, justamente no ano de criação. E a Primeira Liga? Foi ignorada pelos clubes paulistas. Considerando as agremiações citadas no jornal O Globo, ainda não parece haver um padrão entre clubes a favor e clubes contrários. Isso vale até para os nordestinos, com a ausência do Bahia entre os times da Série A que ainda não estariam apoiando a ideia.

4) O reinício – A aplicação prática de uma nova liga seria em 2024, com o fim dos atuais contratos de transmissão no Campeonato Brasileiro – tanto com a Globo quanto com o Esporte Interativo, todos vão até este ano. Ou seja, a ideia da liga ainda é embrionária, mas, em tese, já há uma data para começar a operar. Nem que seja a gestão das cotas, com métodos de captação (licitação?) e de distribuição (valor fixo, por audiência e por colocação?). E aí está o tal “jogo de xadrez”.

A seguir, um histórico de 3 associações de times brasileiros (ligas?) que atuaram no século XXI.

Clube dos 13 (de 1987 a 2011)
Embora tenha contado com 20 clubes durante doze anos, a partir de 1999, a associação começou, de fato, com 13 clubes, os mais tradicionais do país na época. No início, tentaram organizar um Campeonato Brasileiro à parte, chamando a disputa de Copa União. Oficialmente, porém, a disputa correspondeu à metade da competição – o Módulo Verde, com a outra metade sendo chamada de Módulo Amarelo. O imbróglio jurídico acabou deixando a ideia organizacional de lado, com o grupo passando só a negociar os direitos de tevê, com o aval da CBF. Anos mais tarde, em outro imbróglio jurídico, entre Gama e Botafogo, após o rebaixamento de 1999, o Brasileirão acabou sendo “organizado” pelo Clube dos 13, com a Copa João Havelange em 2000 – e foi oficializada pela CBF. O C-13 foi implodido em fevereiro de 2011, quando o Corinthians requereu a sua desfiliação em desacordo coma a forma de negociação (em bloco). O Flamengo tomou um caminho semelhante e esvaziou de vez. A partir dali, a negociação ficaria individual (nos períodos 2012-2015, 2016-2018 e 2019-2024), acentuando a diferença das receitas, a favor de Corinthians e Fla.

Os 20 times, entre fundadores e novos membros*
Athletico (PR)*, Atlético (MG), Bahia (BA), Botafogo (RJ), Corinthians (SP), Coritiba (PR)*, Cruzeiro (MG), Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Goiás (GO)*, Grêmio (RS), Guarani (SP)*, Internacional (RS), Palmeiras (SP), Portuguesa (SP)*, Santos (SP), São Paulo (SP), Sport (PE)*, Vasco (RJ) e Vitória (BA)*

Primeira Liga (de 2015 a 2018)
Em 2015, os clubes da região do Sul e do estado de Minas Gerais começaram a articular a reedição da Copa Sul-Minas, organizada pela CBF em 2000, 2001 e 2002. Porém, a ideia era uma liga independente – semelhante à Copa do Nordeste, cuja liga existe desde 2001. A ideia ganhou força com a adesão de Flamengo e Fluminense, que estavam em litígio com a federação do Rio de Janeiro. A partir dali, ganhou cara de “liga nacional”, com o nome de Primeira Liga – e outros clubes foram sondados, como o trio de ferro do Recife. Neste caso, o objetivo era fazer um torneio paralelo. E aconteceu 2x, com a venda dos direitos à Globo. Os campeões foram Fluminense (2016) e Londrina (2017), sempre em edições sem datas oficiais, espremidas no calendário. Não por acaso, o torneio foi cancelado em 2018. A nota oficial da época apontava para a volta em 2019. Não aconteceu.

Os 21 times, entre fundadores e novos membros*
América (MG), Atlético (GO)*, Atlético (MG), Athletico (PR), Avaí (SC), Brasil (RS)*, Ceará (CE)*, Chapecoense (SC), Coritiba (PR), Criciúma (SC), Cruzeiro (MG), Figueirense (SC), Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Grêmio (RS), Internacional (RS), Joinville (SC), Londrina (PR)*, Luverdense (MT)*, Paraná (PR) e Tupi (MG)*

Futebol Brasil Associados (de 2002 a 2009)
A entidade, chamada de “FBA”, teve amplitude nacional, mas sem os principais nomes do eixo Rio-SP-MG-RS. Até porque surgiu para atuar de forma paralela ao Clube dos 13, com o objetivo de negociar as receitas de tevê da Série B, que vinha ganhando espaço no calendário. Começou com 20 clubes, tendo uma base flutuante desde então – na prática, bastava estar na segunda divisão e não ser filiado ao Clube dos 13. O último presidente foi José Neves, que também foi mandatário do Santa em três biênios, o último em 2003/2004, anos em que o tricolor disputou a segundona. Curiosidade: os integrantes que conseguiam o acesso recebiam um troféu especial da FBA.

Os 20 fundadores
América (MG), América (RN), Anapolina (GO), Avaí (SC), Brasiliense (DF), Caxias (RS), Ceará (CE), CRB (AL), Gama (DF), Joinville (SC), Londrina (PR), Marília (SP), Mogi Mirim (SP), Náutico (PE), Paulista (SP), Remo (PA), Santa Cruz (PE), São Raimundo (AM), União São João (SP) e Vila Nova (GO)


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