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A vibração do argentino que colocou o time cearense na Liberta. Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza.

Em 1969, devido ao imbróglio entre a CBD (atual CBF) e a Confederação Sul-Americana (atual Conmebol), a 10ª edição da Taça Libertadores da América não contou com clubes brasileiros – a ausência também ocorreria em 1970. Com o crescimento do torneio continental, o país já tinha direito a duas vagas. Um ano antes, Palmeiras e Náutico, campeão e vice da Taça Brasil, foram os representantes. Assim seria também naquela vez. Só que a desorganização do calendário acabou atrasando bastante o desfecho da competição nacional, inviabilizando as vagas.

A Libertadores de 1969 começou em janeiro e acabou em maio, com o bicampeonato do Estudiantes de La Plata. Já a Taça Brasil de 1968, sim, a de 1968, acabou só depois disso, em outubro de 1969, com o título do Botafogo sobre o Fortaleza. Ambos deveriam ter sido os representantes, mas aquela confusão acabou tirando o leão do pici da maior disputa das Américas durante muito tempo. De forma precisa, por 53 anos. Este hiato acabará em 2022, com uma nova classificação, desta vez já sacramentada na Libertadores, com a estreia oficial.

Em seu 36º jogo pelo Brasileirão de 2021, o tricolor venceu o Juventude num jogo sofrido, com um gol do argentino Depietri aos 37 minutos do segundo tempo, diante de 45 mil torcedores no Castelão. Uma massa que se fará presente na copa, seja qual for a fase de entrada. Em 5º lugar com 55 pontos, tendo 16V, 7E e 13D, o Fortaleza já assegurou matematicamente uma vaga na etapa preliminar, chamada de “Pré-Libertadores”, com formato mata-mata. Caso termine no máximo em 6º, a largada será já na fase de grupos, com a garantia de seis jogos.

Desde já, o feito do bem treinado Fortaleza de Vojvoda é imenso. Em 63 anos de história na Libertadores, será apenas a 7ª participação do Nordeste, com quatro clubes envolvidos e sendo algo inédito no futebol cearense. Além disso, é a primeira vez que um time da região chega lá na era dos pontos corridos – Vitória (5º em 2013) e Sport (6º em 2015) não foram porque o “G6” só surgiu com a ampliação do torneio internacional em 2016. Essa classificação, comemorada como título (e seria assim com qualquer rival no NE), é mais uma “carta” no baralho do Fortaleza, numa ascensão impressionante desde a saída da Série C em 2017.

Após bater três vezes na trave na terceirona, o clube alencarino passou a obter resultados bem expressivos. Ganhou a Série B de 2018, sendo o único a nordestino a ser campeão nos pontos corridos, ganhou a sua primeira Copa do Nordeste em 2019 e já figurou duas vezes entre os dez melhores da Série A, com o 9º lugar em 2018 e a campanha atual em 2021, com o 7º já garantido, mas com enorme chance de terminar mais acima. Parabéns, Fortaleza. Não só pela ida à Libertadores, mas pela maior transformação vista na região em muito tempo.

As campanhas nordestinas na Libertadores 1960-2022 (e a origem da vaga)
1960 – Bahia (quartas, 1ª fase – 2 jogos; 1V, 0E e 1D), campeão da Taça Brasil
1964 – Bahia (preliminar, 1ª fase – 2 jogos; 0V, 1E e 1D), vice da Taça Brasil
1968 – Náutico (grupo, 1ª fase – 6 jogos; 2V, 2E e 2D), vice da Taça Brasil
1988 – Sport (grupo, 1ª fase – 6 jogos; 2V, 1E e 3D), campeão da Série A
1989 – Bahia (quartas, 3ª fase – 10 jogos; 5V, 4E e 1D), campeão da Série A
2009 – Sport (oitavas, 3ª fase – 8 jogos; 5V, 1E e 2D), campeão da Copa do Brasil
2022 – Fortaleza (a disputar), via G8 da Série A*
* Pode terminar no G6 e se garantir já na fase de grupos

Nº de participações nordestinas na Libertadores 1960-2022
3 vezes – Bahia
2 vezes – Sport
1 vez – Náutico e Fortaleza

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A mensagem da Conmebol dando boas vindas ao novo classificado para a Libertadores.


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