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O gráfico com a evolução das receitas e das pendências do tricolor de Salvador nesta década.

De 2018 a 2019, o Bahia conseguiu aumentar a sua receita total em R$ 53,3 milhões. Como em 2018 o clube já havia estabelecido o recorde de maior faturamento entre os clubes nordestinos, a marca foi aniquilada já na temporada seguinte, com o tricolor registrando R$ 189,4 milhões em seu balanço financeiro, publicado em 3 de abril de 2020 – sendo o primeiro a divulgar o demonstrativo entre os sete maiores times da região.

É preciso destacar que o Baêa havia lançado um orçamento de R$ 143,7 mi em 2019. Sendo assim, ultrapassou a meta em R$ 45,7 milhões (+31,8%), com o valor total se aproximando do objetivo da gestão, que é o patamar de R$ 200 mi. Entre as explicações, o novo aumento na receita de tevê, batendo em R$ 80 milhões – só com esta fonte o clube se equipara (ou passa) as receitas totais dos rivais da região.

No gramado, as eliminações precoces no Nordestão e na Sula, ambas na 1ª fase, foram um entrave inicial, contornado pela permanência na Série A e pelas negociações realizadas pelo clube. A receita oriunda da venda de atletas subiu de R$ 18,3 mi para R$ 44,8 mi – logo, o clube conseguiu R$ 26,5 milhões a mais no ano. Entre os principais jogadores envolvidos, Zé Rafael, Brumado, Becão e Paulo Victor. Com o caixa estável, o tricolor segue investindo neste caminho. Segundo o balanço, o Bahia detém parte dos direitos econômicos de 20 atletas no elenco profissional, com os percentuais variando de 20% a 100%. Na base são mais 23.

Outro salto importante ocorreu no quadro de sócios, com R$ 10 milhões a mais em mensalidades. De 2018 para 2019, o número de adimplentes passou de 19.463 para 34.168 – com 14.705 adesões (+75,5%). A captação de receita com patrocínios e ações de marketing, incluindo a Loja Esquadrão, também voltou a crescer, após um ano de baixa. Sobre os custos operacionais, apenas com pessoal (+ encargos e benefícios), o valor subiu de R$ 71,6 mi para R$ 93,4 milhões, correspondendo a 49% da receita total do exercício. Ao fim do relatório, o segundo superávit seguido. Somando os dois anos, um saldo positivo de R$ 8,3 milhões.

Passivo maior após mudança contábil
Na publicação anterior do blog sobre o balanço do Bahia, o passivo de 2018 aparecia com R$ 196,442 milhões, somando o passivo circulante e o passivo não circulante – numa junção de dívidas, tributos, parcelamentos, contas a pagar, receitas a apropriar etc. No novo balanço, o dado foi “reapresentado”, subindo para R$ 234,442 milhões. A diferença exata de R$ 38 mi está no novo critério contábil sobre “receita diferida”. No caso, sobre a interpretação das luvas obtidas junto à Turner, pelos direitos de transmissão do Brasileirão na tevê por assinatura de 2019 a 2024. O valor foi incorporado ao passivo, com a diluição nos próximos anos. Dito isso, é preciso destacar que o passivo de 2019 também aumentou, chegando a R$ 266 milhões – sendo R$ 104 mi em parcelamentos a longo prazo. Desde que comecei a acompanhar as finanças do clube, trata-se do maior valor, superando o cenário de 2014, quando houve o reconhecimento de dívidas fiscais

Plano de contingenciamento já lançado em 2020
Embora o relatório trate de números de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2019, o documento de 38 páginas encerra com a preocupação sobre o cenário de 2020, devido à crise do Coronavírus: “O “ECB” não encontrou elementos suficientes para quantificar impactos econômicos relacionados à possíveis frustrações de receitas ou potenciais passivos contratuais. Nesse cenário de paralisação operacional, um plano de contingenciamento foi iniciado em março de 2020, com medidas de redução de custos, repactuações com parceiros e negociações com credores, utilizando bases legais”. A princípio, o clube, que conta com 383 funcionários, estimava R$ 179 milhões neste ano.

Abaixo, um comparativo sobre quatro frentes importantes para a composição da receita no futebol profissional, considerando os últimos três balanços do Bahia – e as respectivas séries nacionais.

Direitos de transmissão na TV
2017 (A) – R$ 63.643.000
2018 (A) – R$ 75.399.000 (+18,4%; +11,75 mi)
2019 (A) – R$ 80.541.000 (+6,8%; +5,14 mi)

Quadro de sócios-torcedores
2017 (A) – R$ 6.525.000
2018 (A) – R$ 9.275.000 (+42,1%; +2,75 mi)
2019 (A) – R$ 19.339.000 (+108,5%; +10,06 mi)

Renda nos jogos*
2017 (A) – R$ 15.801.000
2018 (A) – R$ 20.743.000 (+31,2%; +4,94 mi)
2019 (A) – R$ 17.014.000 (-17,9%; -3,72 mi)
* O clube contabiliza ingressos, direitos do contrato na Fonte Nova e premiações em torneios

Patrocínio/Marketing
2017 (A) – R$ 12.909.000
2018 (A) – R$ 9.508.000 (-26,3%; -3,40 mi)
2019 (A) – R$ 15.562.000 (+63,6%; +6,05 mi)

A seguir, o histórico de receitas do Bahia nesta década, com um salto nominal de R$ 152 milhões de 2011 para 2019 – foram três acordos com a TV neste recorte, em 2012, 2016 e 2018. Ainda como curiosidade, vale citar que a última receita do tricolor equivale a 19,9% do apurado do Flamengo nos mesmos 12 meses. Concorrente de divisão, o Fla somou R$ 950,4 milhões, o recorde no país.

Faturamento do clube (receita total)
2011 (A) – R$ 36.883.000
2012 (A) – R$ 66.641.000 (+80,6%; +29,75 mi)
2013 (A) – R$ 74.403.266 (+11,6%; +7,76 mi)
2014 (A) – R$ 75.780.000 (+1,8%; +1,37 mi)
2015 (B) – R$ 89.330.000 (+17,8%; +13,55 mi)
2016 (B) – R$ 129.850.000 (+45,3%; +40,52 mi)
2017 (A) – R$ 104.898.000 (-19,2%; -24,95 mi)
2018 (A) – R$ 136.107.000 (+29,7%; +31,02 mi)
2019 (A) – R$ 189.485.000 (+39,2%; +53,37 mi)

Resultado do exercício (superávit/déficit)
2011 (A): -18.564.000
2012 (A): -3.067.000
2013 (A): -6.703.040
2014 (A): -13.689.000
2015 (B): +34.154.000
2016 (B): +21.810.000
2017 (A): -8.692.000
2018 (A): +4.481.000
2019 (A): +3.881.000

Evolução do passivo do clube (circulante + não circulante)
2011 (A) – R$ 123.365.000
2012 (A) – R$ 156.577.000 (+26,9%; +33,21 mi)
2013 (A) – R$ 185.172.000 (+18,2%; +28,59 mi)
2014 (A) – R$ 255.538.000 (+38,0%; +70,36 mi)
2015 (B) – R$ 216.541.000 (-15,2%; -38,99 mi)
2016 (B) – R$ 214.349.000 (-1,0%; -2,19 mi)
2017 (A) – R$ 195.188.000 (-8,9%; -19,16 mi)
2018 (A) – R$ 234.442.000 (+20,1%; +39,25 mi)
2019 (A) – R$ 266.012.000 (+13,4%; +31,57 mi)

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