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O gráfico com a evolução das receitas e pendências do tricolor do Recife nesta década.

Após longa espera, o passivo do Santa ganha uma cara real, pesada. Preso num patamar de no máximo R$ 80 milhões, o valor foi recalculado após o necessário processo de reconhecimento de dívidas, algo que os rivais já haviam passado nesta década, com R$ 160 mi a mais no Sport (2013-2017) e R$ 196 mi a mais no Náutico (2013-2018). No tricolor, a soma dos passivos circulante e não circulante elevou o dado de R$ 53 mi para R$ 222 milhões, num aumento superior a 300%.

E ainda falta uma parte deste processo sobre o número final de 2019, que pode passar de R$ 250 mi. A dificuldade sobre gerir o clube passa a ser mais crua, inclusive sobre a utilização das receitas, bem abaixo do potencial. Esse passivo deve aparecer no balanço financeiro do clube, que deveria ter sido publicado até a data deste post, 30 de abril, o limite estipulado na Lei Pelé. Embora o demonstrativo esteja pronto, o clube optou por não publicá-lo numa decisão técnica, uma vez que falta a atuação da auditoria independente, atrasada devido à pandemia – e isso inviabilizou a republicação de alguns dados revistos de 2017 e 2018. Depois, o trâmite interno seguiria para as avaliações do Conselho Fiscal e do Conselho Deliberativo.

Além disso, o Santa Cruz entende que a Medida Provisória de nº 931, de 2020, dá ao clube o prazo até junho, assim como outras entidades. Em contato com o blog, os diretores Roberto Freire e Ítalo Mendes explicaram a situação, reconhecendo que o texto da MP não cita entidades sem fins lucrativos (como clubes de futebol), mas que teria sido erro de publicação e tende a ser solucionado. Durante a conversa, perguntei sobre possibilidade de divulgação de alguns dados, ao menos aqueles que costumo abordar no blog, e obtive os números em ordem de grandeza. Na minha visão, suficientes para conferir um resultado financeiro acima da média no tricolor, apesar da frustração no fim do ano após a eliminação precoce na Série C.

Receita maior e saldo positivo, enfim
Após registrar a menor receita da década, em 2018, o caixa do clube voltou a subir, terminando 2019 com a segunda maior receita operacional no período, só abaixo do ano em que participou da elite nacional (36,8 mi x 18,4 mi). A principal diferença foi nos avanços na Copa do Nordeste (semifinal) e na Copa do Brasil (4ª fase). Considerando essas premiações, tabuladas como cotas de TV, o Santa apurou R$ 7,2 milhões em direitos de transmissão, o maior dado desde 2016. Embora o quadro social siga tímido, com menos de 5 mil adimplentes, o faturamento com as mensalidades aumentou em 158%. O clube também fez uma venda milionária, com a ida do atacante Elias ao Athletico-PR. Na ocasião, o clube abateu R$ 741 mil da dívida com o CAP e ficou com R$ 900 mil. A consequência disso tudo foi o superávit, o primeiro em cinco anos. No último, em 2013, o clube venceu a Série C. Agora, mesmo sem o acesso, a cifra foi a maior na década: R$ 2,7 milhões.

Obs. O post será atualizado quando os números exatos forem publicados pelos corais.

Abaixo, um comparativo sobre quatro frentes importantes para a composição da receita no futebol profissional, considerando os últimos três balanços do Santa – e as respectivas séries nacionais.

Direitos de transmissão na TV
2017 (B) – R$ 3.486.679
2018 (C) – R$ 727.572 (-79,1%; -2,75 mi)
2019 (C) – R$ 7,238 milhões (+894,8%; +6,51 mi)

Quadro de sócios-torcedores
2017 (B) – R$ 3.487.679
2018 (C) – R$ 997.402 (-71,4%; -2,49 mi)
2019 (C) – R$ 2,580 milhões (+158,6%; +1,58 mi)

Renda nos jogos
2017 (B) – R$ 2.535.766
2018 (C) – R$ 4.462.034 (+75,9%; +1,92 mi)
2019 (C) – R$ 2,885 milhões (-35,3%; -1,57 mi)

Patrocínio/Marketing
2017 (B) – R$ 2.377.281
2018 (C) – R$ 2.246.425 (-5,5%; -0,13 mi)
2019 (C) – R$ 1,756 milhão (-21,8%; -0,49 mi)

A seguir, o histórico de receitas do Santa nesta década, oscilando entre R$ 8 mi e R$ 18 mi nas temporadas fora da elite. Na única presença na Série A no período, o recorde histórico.

Faturamento do clube (receita total)
2011 (D) – R$ 17.185.073
2012 (C) – R$ 13.133.535 (-23,5%; -4,05 mi)
2013 (C) – R$ 16.955.711 (+29,1%; +3,82 mi)
2014 (B) – R$ 16.504.362 (-2,6%; -0,45 mi)
2015 (B) – R$ 15.110.061 (-8,4%; -1,39 mi)
2016 (A) – R$ 36.854.071 (+143,9%; +21,74 mi)
2017 (B) – R$ 15.848.541 (-56,9%; -21,00 mi)
2018 (C) – R$ 8.765.924 (-44,6%; -7,08 mi)
2019 (C) – R$ 18,476 milhões (+110,7%; +9,71 mi)*
* Falta o ajuste com a receita de royalties (cerca de R$ 500 mil)

Resultado do exercício (superávit/déficit)
2011 (D): +1.442.869
2012 (C): -692.408
2013 (C): +453.996
2014 (B): -1.766.461
2015 (B): -3.388.522
2016 (A): -3.861.281
2017 (B): -4.605.091
2018 (C): -1.953.164
2019 (C): +2,7 milhões

Evolução do passivo do clube (circulante + não circulante)
2011 (D) – R$ 69.775.333
2012 (C) – R$ 71.536.863 (+2,5%; +1,76 mi)
2013 (C) – R$ 71.377.478 (-0,2%; -0,15 mi)
2014 (B) – R$ 72.727.047 (+1,8%; +1,34 mi)
2015 (B) – R$ 77.728.805 (+6,8%; +5,00 mi)
2016 (A) – R$ 62.604.879 (-19,45; -15,12 mi)
2017 (B) – R$ 65.917.841 (+5,2%; +3,31 mi)
2018 (C) – R$ 53.547.856 (-18,7%; -12,36 mi)
2019 (C) – R$ 222 milhões (+314,5%; +168,45 mi)*
* Ainda falta o incremento de pendências que serão republicadas sobre 2017 e 2018

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