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Em 2018, o número de partidas oficiais de Náutico, Santa Cruz e Sport, como mandantes, caiu 31% em relação à temporada passada. Considerando as apresentações com público liberado, foram apenas 69 jogos, numa consequência direta da participação de alvirrubros e tricolores na terceira divisão, um campeonato mais enxuto, e da ausência rubro-negra no Nordestão.

Desde 2013, quando comecei a fazer o levantamento de público e renda do trio de ferro, este é o menor dado. E com impacto pesado no borderô, diga-se. O último ano já havia sido o primeiro a ficar abaixo de 1 milhão de espectadores, número acumulado. Agora, caiu ainda mais, com 711.757, considerando público total, entre pagantes e não pagantes. Em outra realidade, só para ilustrar, o campeão brasileiro Palmeiras vendeu 1.184.257 ingressos na temporada, com 37 jogos.

Enquanto o verdão cansou de lotar o Allianz Parque, a taxa de ocupação dos grandes clubes do estado não chegou a 1/4 da capacidade, levando em conta os palcos utilizados (Arena, Ilha e Arruda). A impressão de arquibancadas vazias se justifica, pois apenas 27 partidas tiveram mais de 10 mil pessoas, e só 9 passaram de 20 mil. E estamos falando de torcidas de massa.

Sobre a renda, o trio registrou a 4ª queda seguida, com R$ 3 mi a menos neste ano (-23%). No geral, R$ 9,5 mi, mas essa ordem de grandeza engana. Sozinho, o Palmeiras faturou R$ 79 mi.

Embora o seu público total tenha sido insatisfatório, tanto que a média nem chegou a 10 mil pessoas, o Náutico levou mais gente que o Santa pela 1ª vez – já na média, os corais ficaram à frente (9,4 mil x 7,5 mil). A esta estatística alvirrubra considere ainda o tíquete médio, que foi maior que o coral (R$ 17,84 x R$ 9,98). Aliás, também ficou acima do leão (R$ 12,80).

Falando do Sport, o clube termina pelo 5º ano seguido com o maior público absoluto do futebol local (e pelo 3º ano com a maior média). É verdade que o cenário do leão tem algumas variáveis positivas. Afinal, fez mais jogos na primeira divisão em relação à terceirona (19 x 10), além do maior interesse na competição, claro. Mas, paralelamente a isso, também houve uma ação da direção, barateando os ingressos no returno e com acesso direto para sócios. Houve a resposta, com o índice no Brasileirão, de 16,7 mil pessoas, sendo o maior dos três clubes em um torneio em 2018. Após cinco anos na elite, o clube terá um novo sarrafo em 2019, abaixo.

Se tem algo minimamente positivo para tirar do quadro financeiro, trata-se do crescimento do Náutico. Após registrar a sua pior arrecadação em 2017, o clube voltou ao patamar de R$ 3 milhões em ingressos, dado visto em três dos últimos quatro anos. A diferença é que a média deste ano foi a maior no período, já que o timbu fez menos jogos em casa. E em dois desses jogos a torcida foi em peso, na final do Estadual (campeão diante do Central) e nas quartas da Série C (eliminado pelo Bragantino), com R$ 1.836.210 nos dois borderôs, ou 56% do total.

Já a queda de faturamento do Sport foi a mais acentuada neste recorte. O apurado sofreu uma redução de R$ 4,21 milhões, ou 47%. Disparado o menor valor nos cinco anos em que o leão ficou na Série A e abaixo até da última participação na segunda divisão, em 2013. O Santa também sofreu uma queda, de 24%. No caso coral, a renda no Mundão era tida como uma fonte vital para o caixa. Além do número baixíssimo de jogos (18), o clube teve apenas quatro partidas com mais de 10 mil pessoas. Na verdade, o cenário tricolor foi “salvo” pela última partida, contra o Operário do Paraná, com 49.476 pessoas (o maior público do ano no estado) e R$ 782.335, que correspondeu a 46% de toda arrecadação coral com ingressos no ano.

Sport
27 jogos como mandante (26 na Ilha do Retiro e 1 na Arena PE)
360.972 torcedores (média de 13.369)
43,72% de ocupação
R$ 4.622.095 de renda bruta (média de R$ 171.188)

– Estadual: 7 jogos, 40.149 pessoas (5.735) e R$ 685.215 (R$ 97.887)
– Copa do Brasil: 1 jogo, 3.238 pessoas e R$ 55.655
– Série A: 19 jogos, 317.585 pessoas (16.715) e R$ 3.881.225 (R$ 204.275)

Santa Cruz
18 jogos como mandante (17 no Arruda e 1 na Arena PE)*
169.484 torcedores (média de 9.415)
17,11% de ocupação
R$ 1.691.508 de renda bruta (média de R$ 93.972)

– Estadual: 5 jogos, 21.995 pessoas (4.399) e R$ 166.800 (R$ 33.360)
– Nordestão: 3 jogos, 12.648 pessoas (4.216) e R$ 71.415 (R$ 23.805)
– Série C: 10 jogos, 134.841 pessoas (13.484) e R$ 1.453.293 (R$ 145.329)

* Ainda houve uma partida de portões fechados, no Arruda

Náutico
24 jogos como mandante (24 na Arena PE)
181.301 torcedores (média de 7.554)
16,60% de ocupação
R$ 3.235.798 de renda bruta (média de R$ 134.824)

– Estadual: 8 jogos, 89.135 pessoas (11.141) e R$ 1.543.943 (R$ 192.993)
– Nordestão: 4 jogos, 14.209 pessoas (3.552) e R$ 178.690 (R$ 44.672)
– Copa do Brasil: 2 jogos, 6.649 pessoas (3.324) e R$ 90.530 (R$ 45.265)
– Série C: 10 jogos, 71.308 pessoas (7.130) e R$ 1.422.635 (R$ 142.263)

Trio de Ferro
69 mandos (26 na Arena PE, 26 na Ilha do Retiro e 17 no Arruda)*
711.757 torcedores (média de 10.315)
24,47% de ocupação
R$ 9.549.401 de renda bruta (média de R$ 138.397)
Torneios: Estadual, Nordestão, Copa do Brasil, Série C e Série A

* Ainda houve um jogo de portões fechados no Arruda


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