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Com 5 trocas será possível alterar todos os setores do time. O que você achou? Foto: Fifa/Twitter.

Em caráter excepcional, devido à pandemia do Coronavírus, a Fifa liberou a realização de até cinco substituições por time nos 90 minutos – antes, já numa adaptação recente, eram 3 no tempo normal e mais 1 na prorrogação. A alteração na “Regra 3”, em comum acordo com a International Football Association Board (Ifab), o órgão que regula as regras do futebol desde em 1886, tem efeito imediato e foi feita porque os jogos da temporada poderão ser disputados em períodos curtos e em diferentes condições climáticas, situações que podem impactar no bem-estar dos atletas.

Em situações normais, as partidas profissionais precisam ser separadas por pelo menos 66 horas – numa articulação para a volta da Copa do Nordeste, por exemplo, foi comentada a possibilidade de jogos entre 48 horas. Em acordos pontuais, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) chegou a liberar intervalos mínimos neste ano, com Bahia e Vitória jogando no mesmo dia, pelo Estadual e Nordestão, mas com os clubes concordando com a utilização de atletas diferentes. Na prática, um time principal e um reserva.

Tirando situações extremas como essas em Salvador, a ideia mira o achatamento dos torneios no ano, tanto que a mudança vale até 31 de dezembro de 2020 – a entidade ainda irá determinar se a emenda será estendida até 2021, visando a conclusão das disputas iniciadas em 2020. A Fifa também deu o comando da implantação para cada organizador. No Brasil, cabem às federações estaduais, Liga do Nordeste e CBF. Será que alguém será contra?

Nota do blog
Achei a decisão interessante, inclusive pensando a longo prazo, quando o futebol puder voltar à normalidade, com jogos em intervalos regulares. Já a preocupação, inclusive da Fifa, com a interrupção do jogo (detalhes abaixo) é essencial para a discussão sobre a alteração. A dinâmica do futebol, creio, não ficaria legal com o ritmo de trocas do basquete e do vôlei, por exemplo. Em relação às questões técnica e tática (e também econômica), a concentração de bons jogadores num elenco tende a deixar o desempenho melhor, e isso, consequentemente, poderá ser determinante sobre o resultado, justamente a partir da larga escala. Isso deve valer nas esferas estadual, regional, nacional, continental e global. Ou seja, Náutico, Santa e Sport, mais encorpados, teriam um benefício na volta do Pernambucano, enquanto os times do interior talvez nem tenham time. Já no Brasileiro seria o oposto, com o Flamengo, o atual campeão, podendo utilizar mais o banco já fortíssimo. E no Mundial de Clubes? São 7 títulos seguidos dos europeus, que agora poderão usar ainda mais valores. Em torneios curtos, o “futebol” ainda pode ser capaz de imprevisibilidades. A longo prazo, como em 38 rodadas, parece cada vez mais improvável um desfecho além do óbvio.

Sobre a ampliação das substituições
-Cada time está autorizado a fazer até 5 substituições por jogo
-Para reduzir as interrupções, cada time só pode fazer as mudanças em três momentos durante o jogo (sendo possível também no intervalo)
-Mesmo que os times mudem ao mesmo tempo, essa mudança irá contar como um dos três momentos de cada time
-Substituições não realizadas nos 90 minutos podem ser feitas na prorrogação. Em tese, um time pode mudar os 5 jogadores no tempo extra
-Em torneios com a previsão da substituição extra na prorrogação (que seria a 4ª), os times não terão esta substituição adicional

Algumas curiosidades com esta mudança
-Não há qualquer distinção de posição nas mudanças. Fazendo as cinco, 45% do time seria alterado
-Até 16 atletas podem ser utilizados num jogo. Ou seja, 69% dos 23 nomes à disposição, entre campo e banco
-A Fifa destacou que o retorno de substitutos (tipo basquete/vôlei) não é uma opção para torneios adultos

Leia mais sobre o assunto
As 7 novas regras do futebol, oficializadas pela Ifab a partir de junho de 2020


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