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Em 1981, a Seleção Brasileira se apresentou pela primeira vez em Alagoas. Na ocasião, o time de Zico goleou um combinado irlandês por 6 x 0, diante de 36.982 torcedores. Basicamente o dobro da capacidade máxima atual. E é justamente essa limitação de público (e de bilheteria) que poderá mudar o mando de algumas partidas do CSA no Campeonato Brasileiro de 2019. Ideia estudada pelo próprio do clube, recém-promovido à elite.

A princípio, os 19 jogos estão marcados para o Rei Pelé, o único estádio de Maceió a respeitar o artigo 20 do regulamento da competição, que exige no mínimo 12 mil lugares. Segundo a versão mais recente do cadastro nacional de estádios da CBF, a capacidade atual do “Trapichão” é de 17.126 espectadores. Na prática, é um pouco maior. Na 37ª rodada da segundona, em 17 de novembro, a federação local autorizou a disponibilidade de até 18.702 ingressos para CSA x Avaí, entre pagantes e gratuidades – e o público adquiriu todas as entradas. A renda bruta foi de R$ 380.168.

A alternativa do CSA em Pernambuco foi informada pela Folha de S. Paulo. A partir disso, apurei sobre a situação, com o contato ocorrido na semana seguinte ao acesso, através de gente ligada ao campeão alagoano – talvez, o ponto mais surpreendente. Inicialmente, procurando informações sobre o aluguel do palco em São Lourenço, a 272 km de distância – numa viagem de carro. Neste momento, nenhum grande clube do Recife tem acordo em vigor para atuar no estádio de 45.500 lugares, a não ser em caso de jogos pontuais, como o do CSA.

Em relação ao Rei Pelé, acho que quatro jogos devem esgotar a lotação independentemente da fase: vs Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, os únicos com mais de 10 milhões de torcedores no país (no caso do Fla, 33 mi). Ao mesmo tempo em que financeiramente a troca pode ser algo positivo ao alviceleste, que tende a ter o menor orçamento da competição, por outro é um golpe duro no torcedor local, há três décadas esperando a volta à primeira divisão do futebol. À parte da receita na arena, também está em jogo a relação clube/torcida.

Torcedor, o que você acha da possibilidade de o CSA mandar alguns jogos da Série A na Arena PE?

Obs. O primeiro aluguel da Arena PE ocorreu em 2013, para o clássico carioca entre Botafogo e Fluminense. O alvinegro pagou R$ 270 mil, para ficar com a renda. Porém, foram apenas 7.882 pagantes e o clube saiu com um prejuízo de R$ 41 mil. Em outros casos, com o clube e a gestão do estádio dividindo a renda, o custo cai bastante – a operação gira em R$ 70 mil em jogos de grande porte, dado divulgado em 06/2016, após o rompimento governo/Odebrecht.

As torcidas dos 20 integrantes da Série A de 2019*
– Acima de 10%: Flamengo (16,0) e Corinthians (13,1)
– De 5% a 10%: São Paulo (6,8) e Palmeiras (6,3)
– De 2% a 5%: Vasco (4,1), Grêmio (2,7), Santos (2,5), Cruzeiro (2,4), Inter (2,1) e Atlético-MG (2,1)
– De 1% a 2%: Fluminense (1,1), Bahia (1,1) e Botafogo (1,1)
– Abaixo de 1%: Ceará (0,7), Atlético-PR (0,5), Fortaleza (0,2), Chapecoense (0,2) e Goiás (0,1)
– Sem dados disponíveis – Avaí e CSA
* Segundo a pesquisa do Ibope-Repucom, divulgada em maio de 2018

Os maiores palcos de cada estado do Nordeste
CE – 63.903 (Castelão)
PE – 55.582 (Arruda)
BA – 50.025 (Fonte Nova)
PI – 44.200 (Albertão)
MA – 40.149 (Castelão)
RN – 31.375 (Arena das Dunas)
PB – 19.000 (Almeidão e Amigão)
AL – 17.126 (Rei Pelé)
SE – 15.575 (Batistão)


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