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Das primeiras ondas numa tampa de isopor ao topo do pódio olímpico. Foto: Jonne Roriz/COB.

Na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, Baía Formosa tem apenas 9.322 habitantes. Emancipado em 1950, o pequeno município litorâneo é o maior produtor de cana-de-açúcar do RN, além de contar com o turismo nas praias com reservas de Mata Atlântica. E lá surgiu um dos maiores surfistas da atualidade. Campeão do mundo em 2019, Ítalo Ferreira foi um dos dois brazucas presentes em Tóquio para os Jogos Olímpicos. O outro, com dois títulos mundiais, foi Gabriel Medina.

Pelo chaveamento a partir das boas ondas iniciais de ambos, os representantes da “Brazilian Storm” só se encontrariam numa hipotética final. Na penúltima bateria, porém, Medina acabou surpreendido pelo japonês Kanoa Igarashi, que obteve uma nota altíssima no finzinho. Veio a decisão na praia de Tsurigasaki e Ítalo não deu qualquer chance para a zebra.

Na soma das duas melhores ondas de cada um, o potiguar de 27 anos teve mais de 15 pontos de vantagem, o que, no surfe, é muita coisa. A ponto de valer a comemoração faltando um minuto. Afinal, somente com duas ondas daquelas o adversário se aproximaria da nota. Campeão do circuito mundial, vencedor da etapa de Pipeline, a meca do surfe, e agora o primeiro medalhista de ouro da modalidade. Na estreia olímpica do surfe, na 29ª edição da era moderna, o filho de Baía Formosa voou com a prancha lá no Pacífico. Para a história.

Parabéns, Ítalo! Orgulho de Baía Formosa, do Rio Grande do Norte, do Nordeste, do Brasil…

A 31ª medalha de ouro na história do país
Na história do “Time Brasil”, que estreou nas Olimpíadas há 101 anos, em Antuérpia, este foi o 31º ouro, com o surfe sendo a 12ª modalidade diferente com o metal mais nobre. Em Tóquio, foi o 1º ouro da delegação. Em relação ao Nordeste, esta foi a 8ª medalha individual obtida por um atleta nascido na região. Essa lista, aliás, só começou a ser alimentada em 2012, na edição de Londres. Até hoje já foram 3 ouros, 2 pratas e 3 bronzes do NE. Neste contexto, em Tóquio, já ganharam medalha o surfista Ítalo (RN) e a skatista Rayssa Leal (MA), curiosamente em duas provas inéditas.

As 31 medalhas olímpicas de ouro do Brasil por modalidade*
1º) 7x – Vela
2º) 5x – Atletismo e Vôlei
4º) 4x – Judô
5º) 3x – Vôlei de Praia
6º) 1x – Boxe, Futebol, Ginástica, Hipismo, Natação, Surfe e Tiro
* De 1920 até 27 de julho de 2021

As 8 medalhas olímpicas individuais do Nordeste (ouro, prata e bronze)*
1º) 1-1-2 – Bahia
2º) 1-0-0 – Piauí e Rio Grande do Norte
4º) 0-1-0 – Maranhão
5º) 0-0-1 – Pernambuco
Sem medalha: Alagoas, Ceará, Paraíba e Sergipe
* De 1920 até 27 de julho de 2021

Leia mais sobre o assunto
O histórico do quadro de medalhas olímpicas Pré-Tóquio 2020, com 0,8% do Time Brasil

Abaixo, assista à emoção de Ítalo na primeira entrevista após a conquista olímpica.


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