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Ednaldo Rodrigues, o presidente da CBF

De provisório a efetivo, Ednaldo foi eleito na assembleia geral da CBF. Foto: Lucas Figueiredo/CBF.

Baiano de Vitória da Conquista, Ednaldo Rodrigues já estava à frente da CBF desde 25 de agosto de 2021, de forma interina, após o afastamento de Rogério Caboclo pela comissão de ética da entidade – devido às acusações de assédio. Agora, em 23 de março de 2022, a eleição de fato. Ele venceu o pleito para 2022-2026 com a chapa única “Pacificação e Purificação do Futebol Brasileiro”. Parte deste nome se deve à intensa rotatividade na presidência da confederação, com o dirigente de 68 anos sendo o 6º mandatário em uma década, tudo a partir de seguidos afastamentos por má conduta ou corrupção (Ricardo Teixeira, Marin, Del Nero e Caboclo).

Na prática, devido ao peso desproporcional dado às federações estaduais, e que nenhum presidente da CBF tem interesse de mudar, a eleição já estava definida, mas Ednaldo também recebeu os votos dos 39 clubes presentes das Séries A e B – só a Ponte Preta faltou. Ou seja, ele teve o voto de Fortaleza (A), Ceará (A), Bahia (B), Sport (B), CSA (B), CRB (B), Náutico (B) e Sampaio Corrêa (B). Desde já, a necessidade de ser diferente de seus antecessores recentes. Além disso, Ednaldo carrega um certo simbolismo. Considerando a história profissional da CBF, e de sua precursora CBD, ele é o primeiro nordestino a ser eleito presidente.

Desde a década de 1930, apenas cariocas (6x), paulistas (3x), mineiros (2x) e gaúchos (2x) haviam sido eleitos. O único nome de fora no período foi o do “Coronel Nunes”, do Pará, que só ascendeu devido à saída de Marco Polo Del Nero, suspenso pela Fifa em 2017. E também só aconteceu devido à regra interna sobre a idade, com a passagem direta do poder ao vice-presidente mais velho – a entidade tem oito vices e o paraense tinha 79 anos na época.

Portanto, a eleição de Ednaldo Rodrigues tem um aspecto histórico, mas isso precisa ser visto de forma paralela ao seu trabalho na federação baiana, onde foi presidente de 2001 a 2018 (!). Neste período, por exemplo, a dupla Ba-Vi foi bater na Série C, em 2006, mas também houve um ganho político com a definição de sedes em Salvador, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Segundo a nota da CBF sobre a eleição, a sua passagem na FBF “ficou marcada pela forte defesa dos interesses do futebol baiano e regional, em meio à capacidade de diálogo e de coalizão com as demais federações”. Porém, o que realmente vale uma maior atenção, neste mesmo texto da CBF, é este trecho: “foi um dos maiores defensores da Copa do Nordeste”.

Garante a continuidade da Copa do Nordeste?

A edição de 2022, como se sabe, é a última do Nordestão segundo o acordo judicial firmado entre a CBF e a Liga do Nordeste, no qual a confederação aceitou a realização de dez edições seguidas para não pagar uma indenização milionária devido à retirada do torneio do calendário oficial em 2003 – mais de R$ 30 mi. Com a Lampions desta temporada já na reta final, segue o impasse sobre a sua continuidade, com silêncio dos principais personagens.

Em seu discurso de posse, de 19 minutos, Ednaldo citou alguns torneios de clubes, mas não falou especificamente da Copa do Nordeste, à parte da nota no site oficial. Com apuração de bastidores, ouvindo gente otimista e gente menos otimista sobre o assunto, a sequência da copa regional a partir de 2023 é tida como quase certa, mas a oficialização só deve acontecer no segundo semestre. Atualmente, o grande debate é sobre o número de datas, hoje com 12, mas podendo variar de 8 a 13. Analisando Ednaldo Rodrigues com a descrição feita pela própria CBF, não faria sentido algum a Copa do Nordeste sair da agenda justamente com o primeiro presidente nordestino por lá. Politicamente, seria um simbolismo às avessas…

Os presidentes da CBD/CBF no futebol profissional (e os estados de origem)
Renato Pacheco-RS (1927-1933)
Álvaro Catão-RJ (1933-1936)
Luiz Aranha-RJ (1936-1943)
Rivadávia Corrêa Meyer-RS (1943-1955)
Sylvio Pacheco-RJ (1955-1958)
João Havelange-RJ (1958-1975)
Heleno Nunes-RJ (1975-1980)
Giulite Coutinho-MG (1980-1986)
Octávio Pinto Guimarães-RJ (1986-1989)
Ricardo Teixeira-MG (1989-2012)
José Maria Marin-SP (2012-2015)
Marco Polo Del Nero-SP (2015-2017)
Antônio Carlos Nunes-PA (2017-2019)
Rogério Caboclo-SP (2019-2021)
Ednaldo Rodrigues-BA (2021-2026)

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