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A emissora de Silvio Santos assinou um contrato de três edições, de 2020 (em andamento) até 2022.

Até 2017, a Rede Globo detinha os direitos de transmissão das principais competições de futebol do país, em todos os âmbitos. O pacote contava com campeonatos estaduais (SP, RJ, MG, RS, PE, BA, CE etc), regionais (Copa do Nordeste), nacionais (Série A, Copa do Brasil e Série B) e internacionais (Libertadores e Sul-Americana). Assim, ditava os horários da programação na tevê aberta, com duas faixas clássicas, quarta-feira às 21h30 e domingo às 16h00. Três anos depois, uma reviravolta segue sendo desenhada, surpreendente a cada episódio.

Tanto em escolhas internas quanto em negociações sem resultado aparente, com o quadro ampliado pela crise na pandemia, o portfólio da emissora caiu bastante. Chegamos em 2020 e o canal de maior audiência do país já não conta não conta com a Libertadores, a Sul-Americana, a Copa do Nordeste e o Campeonato Carioca. E em pelo menos dois com o Flamengo, um puxador de audiência, envolvido diretamente.

Após rescindir o contrato de transmissão com a confederação sul-americana, tentando renegociar os termos (até mesmo pela alta do dólar), o canal acabou vendo a aproximação do SBT, que tomou a dianteira e fechou com a Libertadores. A informação já foi confirmada pela Conmebol, com o SBT tendo os direitos da Liberta em território brasileiro até 2022. É uma grande volta do canal, que na década de 1990 se envolveu bastante com o futebol, exibindo a Copa do Brasil e a extinta Copa Mercosul, além de inúmeros torneios amistosos.

Nesta edição do torneio continental, a empresa “recebeu” uma copa com Flamengo, Palmeiras, Athletico-PR, São Paulo, Internacional, Grêmio e Santos, todos com apenas dois jogos disputados, faltando quatro rodadas – fora o mata-mata, a partir das oitavas. A princípio, o SBT mantém o horário de quarta-feira, às 21h30 – clássico no Brasil por ser depois da novela (da Globo). Ou seja, haverá concorrência nos gramados, com a ex-parceira da Conmebol exibindo jogos do Brasileirão, o seu ponto forte (e haja Corinthians, preparem-se).

Seguindo a visão sobre essa notícia bombástica, vale traçar um paralelo com a Copa do Nordeste, que pode ser beneficiada com esse movimento do mercado. Isso mesmo. O torneio regional está nas mãos do SBT desde 2018 e o contrato já foi renovado até 2022 – cada edição custa mais de R$ 34 milhões. A diferença é que a Lampions integra a programação do “SBT Nordeste”, por decisão da direção nacional. Assim, os jogos são transmitidos só na região e ainda passam em horários “alternativos” aos da Globo, na terça-feira e no sábado.

Porém, com a volta efetiva do SBT ao futebol, não surpreenderia uma revisão interna sobre o “futebol nacional” na grade o ano inteiro, ainda mais considerando que já tem os direitos no NE (precisaria das demais regiões) e que a audiência nacional não chega a 10 pontos no Ibope. A final do Carioca de 2020, com o Fla-Flu exibido lá num acordo excepcional (após a saída da Globo), rendeu 16 pontos. Diria que foi aberta uma brecha para a nacionalização da fase final do Nordestão, caso o SBT entenda que o futebol tenha que ser perene – e isso implicaria, claro, num alcance maior do “produto”, valorizado na busca por patrocínios e cuja receita é dividida pela liga. Levando em conta o portfólio atual, vale ficar atento no Nordestão de 2021…

O que você achou da Libertadores no SBT? Acha que isso pode influenciar no Nordestão no SBT?

A saída da Rede Globo dos principais torneios de futebol
2018 – Copa do Nordeste (não entrou em acordo com a Turner, que fechou com o SBT)
2019 – Sul-Americana (sem interesse, perdeu para a DAZN, uma plataforma de streaming)
2020 – Carioca* (rescindiu após a Medida Provisória 984, que dá o direito de TV ao mandante)
2020 – Libertadores (rescindiu para tentar renegociar os valores do contrato; SBT assumiu)
* Segue sem emissora com direitos

Abaixo, o vídeo do SBT anunciando o histórico acordo, em 10 de setembro de 2020.

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