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Uma investigação de cinco meses, feita pela polícia civil e pelo ministério público, monitorou 85 pessoas envolvidas com o futebol paraibano e desvendou um esquema de manipulação de resultados, como revelou o programa Fantástico, em 13 de maio. Em 2018, vários jogos do campeonato vizinho teriam sido condicionados a partir de subornos a árbitros, de R$ 15 mil a R$ 50 mil, com o Botafogo, o campeão da temporada, sendo o principal beneficiado.

No dia seguinte à exibição da reportagem, a comissão de ética da CBF anunciou o afastamento de Amadeu Rodrigues, o presidente da federação paraibana – cargo ocupado desde 2015. O dirigente é um dos alvos da ‘Operação Cartola’. Assim, foi preciso nomear um interventor na entidade – em Pernambuco, a última vez em que ocorreu isso foi com o Centro Limoeirense, mas devido a problemas financeiros, em 2013, com um interventor da própria FPF, João Caixero.

A proximidade do escândalo chama a atenção. Por isso, resolvi questionar o presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho, sobre o assunto, numa rápida entrevista.

Presidente, você acha que a revelação desse esquema de manipulação de resultados na Paraíba pode alcançar estados vizinhos, como Pernambuco?
“Risco zero em Pernambuco. É próximo (João Pessoa-Recife), mas o que aconteceu na Paraíba é um caso isolado. Aqui a gente banca, em dólar, um sistema internacional (terceirizado) de monitoramento de jogos. No país, além da gente, só a federação paulista tem”

Nota: Trata-se do ‘sistema de detecção de fraudes’, com a sigla em inglês FDS, produzido pela SportRadar e também utilizado pela própria Fifa. O sistema, alimentado por 5 mil jornalistas e 275 pesquisadores freelancers, é monitorado por 550 operadoras de apostas mundo afora.

Além do sistema de monitoramento, qual é a garantia para um ‘risco zero’ em Pernambuco?
“Em Pernambuco, a gente vem formando árbitros (através da Escola de Árbitros Sherlock, desde 2015) e acabamos com o intercâmbio estadual, justamente para evitar qualquer tipo de vício”

Nota: De fato, os 64 jogos do Pernambucano de 2018 tiveram árbitros do quadro local. Embora seja carioca, Péricles Bassols firmou um contrato para integrar a Ceaf-PE. Além disso, neste mesmo ano, Amadeu Rodrigues tentou articular um intercâmbio de árbitros entre PB, PE e SE, em notícia divulgada pelo site da CBF, em 23 de fevereiro, mas a ideia não vingou.

Mas a investigação continua na Paraíba, presidente…
“Não vai chegar aqui. A responsabilidade do nosso trabalho nessa área é grande. Inclusive, cheguei a ser convidado para ser o interventor na Paraíba, mas não aceitei, porque não cabe a outro presidente de federação estadual fazer isso. E se (a investigação) continuar lá, que limpe essa sujeira logo. Porque isso é ruim para todo mundo, tanto que você está me perguntando sobre isso”

Nota: o auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Flávio Gambogi, foi nomeado como interventor da federação paraibana de futebol e ficará à frente da entidade até o fim das investigações – inicialmente, num período de 30 dias. Em relação à arbitragem, todos os árbitros e auxiliares do quadro paraibano foram suspensos de forma preventiva.


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