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Atualmente, o limite de velocidade nos trechos da corrida é de 60 km/h. Na Indy, 5x mais.

Faz tempo, tem cara de lenda, mas é uma história interessante. Durante um ano foi alimentada a expectativa sobre uma corrida de Formula Indy no Recife. Como se sabe, o único autódromo no estado fica em Caruaru. E a ideia não era construir um novo, mas, sim, caracterizar as principais avenidas da Zona Sul em um circuito de rua, com direito a uma enorme reta de alta velocidade na Avenida Boa Viagem. Conhecendo um pouco o Recife, a situação do bairro e da pista, o cenário sempre pareceu surreal. Embora a articulação não tenha dado certo, efetivamente existiu.

Quem tomou a frente foi o narrador Luciano do Valle, na época já radicado em Porto de Galinhas, embora seguisse como o principal nome esportivo da Band, a casa da categoria automobilística no país. Em maio de 2007, sem alarde, ele comentou durante as 500 milhas de Indianápolis, uma das provas mais famosas do mundo, que estava sendo iniciada uma conversa com Tony George, ex-piloto e fundador da Indy Racing League (IRL), a organizadora. Com o apoio da emissora detentora dos direitos de transmissão e de empresários, o locutor queria uma corrida no Brasil. No Nordeste. No Recife. Bem na beira da praia.

Para dimensionar o quão fora da curva seria o acerto, basta dizer que 16 das 17 provas de 2007 ocorreram nos Estados Unidos, com a exceção sendo no Japão, sob influência da Honda. A América do Sul ainda não fazia parte da escala da Indy. Apesar da barreira, a história voltou a andar em janeiro de 2008, quando o Luciano intermediou a apresentação do projeto ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e ao prefeito da capital, João Paulo. Havia uma estimativa de investimento na ordem de R$ 15 milhões para adaptar o cenário urbano a uma prova de alto nível. Atualizando o valor, R$ 29,2 milhões – considerando as cifras em eventos do tipo, parece insuficiente. A ideia era encaixar a corrida no cronograma do mesmo ano, no fim de setembro. Assim, seria a penúltima prova, antecedendo Surfers Paradise, na Austrália.

E a possibilidade voltou a ser comentada na tevê, ao vivo, durante a primeira prova do ano, em Miami. Logo depois, em abril, surgiu a informação de que o acordo seria de quatro anos, já com o suporte do Ministério do Esporte. Entretanto, veio o primeiro baque, pois o calendário da Indy não foi ampliado, por decisão das montadoras, com o projeto passando a vislumbrar o calendário de 2009. Este seria divulgado em 30 de julho. Portanto, foram 3 meses no ponto alto sobre a expectativa, potencializada pelo esforço (e entusiasmo) do próprio Luciano. Talvez tenha sido uma sensação à parte dos caminhos traçados pela cúpula da Indy, que anunciou um cronograma com 14 provas nos EUA, 2 no Canadá e 1 no Japão. Sem corrida extra.

O continente sul-americano só entraria no mapa da categoria em 2010, com São Paulo, cuja edição abriu a temporada. Curiosamente, com um circuito de rua, montado no Anhembi – na Indy, lembrando, as prova ovais são as mais comuns, não as de rua. Curiosamente, a disputa durou quatro edições, como previa a proposta em Pernambuco. Em vez da reta na Avenida Boa Viagem, reta na Marginal Tietê. E nunca mais se falou de Fórmula Indy no Recife…

O traçado no Pina
A prova não seria tão complexa. Se o traçado do Anhembi teve 11 curvas, o do Recife poderia ter tido apenas 8. Num primeiro momento, chegou a ser dito que a pista teria como base as Avenidas Boa Viagem e Conselheiro Aguiar. Na evolução do projeto, a Avenida Domingos Ferreira, que também é paralela, ficou como a reta oposta à Avenida Boa Viagem – de forma específica, a pista da esquerda da Domingos Ferreira. Neste caso, a Conselheiro ficaria com um pequeno trecho de transição após o Clinical Center. Obviamente, a ideia continuava sendo embrionária, inclusive com uma “quebra” da reta na orla, para reduzir a velocidade, uma vez que os carros podem atingir até 340 km/h – velocidade além da conta num núcleo urbano. Ao todo, a volta teria 3.382 metros – fiz a medida no Google Maps. Considerando todas as corridas de rua na Indy, a distância é um pouco abaixo da média, de 3.415 metros. Porém, seria maior que cinco desses circuitos. Considerando a distância percorrida em SP, de 306 quilômetros, a prova local teria cerca de 90 voltas. Abaixo, uma projeção do traçado, com a linha vermelha, e da área dos boxes, com a linha amarela.

Cronograma da Indy no Recife
27/05/2007 – A possibilidade da prova é citada pela 1ª vez na Band, durante Indianápolis,
19/01/2008 – Apresentação do projeto ao Governo de PE e à Prefeitura do Recife
29/03/2008 – A possibilidade é novamente comentada na TV, na abertura da temporada, em Miami
04/04/2008 – Surge a informação sobre o apoio Ministério do Esporte à corrida em PE
25/06/2008 – Divulgação de detalhes da pista e da logística, durante programa local na Band
30/07/2008 – A Indy Racing League (IRL) divulga o calendário, sem o Recife

Curiosidades sobre a organização da prova no Recife
– A área dos boxes ficaria quase na praia, sendo uma das principais intervenções
– A área para o público seria provisória. Em SP foram 46 mil, utilizando o sambódromo
– O centro de imprensa ficaria no JCPM, o empresarial no fim da Avenida Boa Viagem
– Os pilotos ficariam em resorts no Litoral Sul, com as equipes em hotéis no Recife

O tamanho dos 9 circuitos de rua já utilizados na Fórmula Indy
1º) 4.498 m – Surfers Paradise (AUS), 2008
2º) 4.081 m – São Paulo (BRA), 2010-2013
3º) 3.780 m – Detroit (EUA), em vigor
4º) 3.579 m – Edmonton (CAN), 2008-2012
5º) 3.280 m – Baltimore (EUA), 2011-2013
6º) 3.167 m – Long Beach (EUA), em vigor
7º) 2.900 m – São Petersburgo (EUA), em vigor
8º) 2.820 m – Toronto (CAN), em vigor
9º) 2.630 m – Houston (EUA), 2013-2014

Algumas das fontes utilizadas para o post: Flávio Gomes, F1 Girls e GGOO News.

Como última curiosidade, o traçado do único autódromo pernambucano, o Autódromo Internacional Ayrton Senna, às margens da BR-104, em Caruaru. Inaugurada em 1992, a pista tem 3.180 metros, com 12 curvas. A principal modalidade no histórico é a Fórmula Truck.


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