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No começo, o clube era conhecido como “Grêmio da Vila Tecelagem”. A alcunha, outrora presente nos jornais, se perdeu com o tempo, até mesmo pelo fato de o pássaro preto ter virado um andarilho. Anos depois, a partir dos seguidos insucessos, viria a nova denominação, definitiva: “o pior time do mundo”. Por mais indesejado que seja o apelido, o Íbis se alimenta dele e hoje se confunde com a ruindade no futebol. E assim continuará sendo.

O Íbis chega aos 80 anos nacionalizando a sua imagem às avessas, a partir do bom humor do Ibismania, com quase 400 mil seguidores nas redes sociais. Uma imagem trabalhada para seguir divulgando o time, que, independentemente da situação, mantém a luta nas divisões inferiores com muitas derrotas e uma ou outra alegria. Afinal, não é fácil estabelecer um saldo de gols de -1.734. Sim, negativo. Até esta data,  a comparação é a seguinte: Náutico +2.992, Sport +3.930 e Santa +3.939.

Neste post, trago algumas curiosidades sobre o Íbis Sport Club, adotado pelos torcedores dos principais clubes do Recife, mas com vida própria (e pouco linear).

A origem tecelã
O “rubro-negro suburbano” foi fundado em 15 de novembro de 1938, pela Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP). O objetivo era fomentar alguma diversão para funcionários da empresa – e a modalidade já era popular. A família “Ramos”, sobrenome onipresente no Íbis, entrou na parada após a morte do proprietário da fábrica, João Pessoa de Queiroz. Onildo Ramos, avô do atual presidente, era o gerente da empresa.

Saco de pancadas no Campeonato Pernambucano
Em 104 anos de disputa, o Íbis é o 7º clube com mais participações no campeonato. Ao todo, 46. Porém, ganhou apenas 12% dos jogos, indo mal quase sempre. Com -1.488, o clube tem, disparado, o pior saldo de gols entre os 64 times que já jogaram o Pernambucano desde 1915. A diferença no saldo em relação ao penúltimo da lista, o Ferroviário do Recife, é de 376 gols. Na estreia na primeira divisão local, em 13 de abril de 1947, nove anos após a fundação, foi goleado pelo Náutico por 9 x 2. O cartão de visitantes se estenderia logo depois ao Sport (6 x 0) e ao Santa (6 x 1). Ainda assim, naquele ano, existiu um time pior, o Moinho Recife. Entretanto, o Íbis já terminou muitas vezes na lanterna. Para ser exato, 24x, incluindo campanhas “memoráveis”, com a de 1981, com 16 derrotas em 16 jogos, ou a de 1994, quando acabou na 16ª colocação (a pior da história). 

Lanternas: 48, 50, 53, 60, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 72, 75, 78, 79, 80, 81, 82, 87, 88, 89, 90, 91, 93 e 94

Agora, um resumo estatístico do clube tanto na primeira divisão quanto na segunda divisão de Pernambuco. Partindo para a 19ª temporada longe da elite, o clube vive o seu maior jejum de participações na Série A1. Na Série A2, a melhor colocação foi em 1999, quando foi vice-campeão, justamente na única vez em que obteve o acesso – para ser rebaixado no ano seguinte.

Íbis na 1ª divisão (46 participações, 1947-2000)
678 jogos
83 vitórias (12,2%)
91 empates (13,4%)
504 derrotas (74,3%)
507 gols marcados (média de 0,74)
1.995 gols sofridos (média de 2,94)
-1.488 de saldo
16,7% de aproveitamento

Íbis na 2ª divisão (21 participações, 1977-2018)
269 jogos
60 vitórias (22,3%)
72 empates (26,7%)
137 derrotas (50,9%)
253 gols marcados (média de 0,94)
499 gols sofridos (média de 1,85)
-246 de saldo
31,2% de aproveitamento

Jogos oficiais do Íbis (1ª e 2ª divisões, 67 campanhas)
947 jogos
143 vitórias (15,1%)
163 empates (17,2%)
641 derrotas (67,6%)
760 gols marcados (média de 0,80)
2.494 gols sofridos (média de 2,63)
-1.734 de saldo
20,8% de aproveitamento

Abaixo, o histórico de confrontos do Íbis diante de alvirrubros, tricolores e rubro-negros, considerando amistosos e jogos pelo campeonato estadual e pelo extinto Torneio Início. O levantamento, que baliza a freguesia, foi feito pelo pesquisador Carlos Celso Cordeiro. Ao todo, 308 jogos, com 12 vitórias do pássaro preto (3,8%), 31 empates (10,0%) e 265 derrotas (86,0%).

O apelido clássico
O status de “pior time do mundo” veio após quase quatro anos sem uma vitória sequer no Campeonato Pernambucano, em 1984, com o repórter Lenivaldo Aragão cravando o apelido no jornal. Não era goleado apenas pelos grandes, mas por Central, Sete de Setembro, América, qualquer um. A fama internacional veio após a lembrança no Guinness Book, o livro dos recordes. No país, a marca segue como a maior em número de partidas – e olhe que o próprio clube se “aproximou” depois. Então, eis os números que justificam o apelido.

Os maiores jejuns de vitória
55 jogos, com 7 empates e 48 derrotas (de 20/07/1980 a 17/06/1984)
29 jogos, com 7 empates e 22 derrotas (de 05/06/2008 a 01/08/2012)

Quando o Íbis foi goleado pelo trio de ferro sofrendo pelo menos 10 gols…
11/10/1978 – Íbis 0 x 13 Santa Cruz (Arruda)
05/08/1981 – Íbis 0 x 13 Santa Cruz (Arruda)
02/08/1958 – Íbis 0 x 11 Náutico (Aflitos)
24/03/1976 – Íbis 0 x 11 Santa Cruz (Arruda)
14/06/1980 – Íbis 0 x 11 Sport (Ilha do Retiro)
04/10/1978 – Íbis 0 x 10 Náutico (Aflitos)
08/06/1983 – Íbis 0 x 10 Náutico (Aflitos)
16/06/1991 – Ibis 1 x 10 Santa Cruz (Arruda)

Total: Santa Cruz 4x, Náutico 3x e Sport 1x

Quando o Íbis conseguiu vencer o trio de ferro no Estadual…
28/08/1947 – Íbis 5 x 4 Sport (Aflitos)
29/01/1948 – Íbis 1 x 0 Náutico (Aflitos)
01/08/1948 – Íbis 5 x 3 Náutico (Aflitos)
30/11/1952 – Íbis 2 x 0 Sport (Ilha do Retiro)
16/06/1961 – Íbis 1 x 0 Náutico (Aflitos)
18/07/1965 – Íbis 1 x 0 Santa Cruz (Aflitos)
10/05/1970 – Íbis 1 x 0 Sport (Arruda)
25/03/2000 – Íbis 1 x 0 Náutico (Aflitos)

Total: Náutico 4x, Sport 3x e Santa Cruz 1x

O sonho perdido aos 70 anos
No futebol, é comum o anúncio de metas ambiciosas em aniversários emblemáticos. Nem o Íbis escapa disso, como fica claro nos planos traçados em 2008, quando o clube completou 70 anos. Desta vez, evitou esse exercício de futurologia.

– Centro de Treinamento até 12/2009 (não definiu nem o terreno)
– 20.000 sócios até 12/2010 (chegou a no máximo 500)
– Retornar à Série A1 do Pernambuco até 2010 (segue na A2)
– Disputar a Série C do Brasileiro até 2012 (nunca disputou o Brasileiro)
– Disputar a Série B do Brasileiro até 2014 (nunca disputou o Brasileiro…)

Acabou? Ainda tem história… Confira aí um álbum de fotos com passagens marcantes no Íbis.

Mauro Shampoo é o maior símbolo do Íbis, mas a história do pássaro preto já teve outros momentos gloriosos... Foto: Ibismania/twitter
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