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A final inglesa reúne apenas um título europeu, o menor dado desde a final de 2005/2006.

Pela 8ª vez, a decisão da Liga dos Campeões da Uefa será “caseira”, com os finalistas do mesmo país. Pode parecer pouco numa história de 66 anos, mas já são 5 edições na última década, mostrando a concentração numa casta de clubes. Ao todo, o futebol inglês emplaca a sua terceira final na Champions League.

Dito isso, creio que este não seja exatamente o ponto-chave sobe a final da edição 2020/2021, mas sim o perfil do confronto, envolvendo Manchester City e Chelsea. Hoje, são duas potências do mercado, presentes entre os dez clubes mais ricos do mundo, de acordo com estudos anuais. São, também, clubes controlados por bilionários estrangeiros, que recolaram ambos na disputa após anos de ostracismo. Até a chegada do russo Roman Abramovich, em 2003, o Chelsea tinha apenas um título inglês, obtido no longínquo ano de 1955. Hoje tem seis, além de uma orelhuda da própria Champions, em 2012. Já vai pelo bi.

Já o City, com o sheik Mansour bin Zayed sendo acionista majoritário, com 78%, quebrou um jejum de 44 anos sem vencer o Campeonato Inglês. Venceu em 2012 e continuou vencendo, passando de 2 para 6 títulos – e já é o virtual campeão da temporada 2020/2021, que valerá a 7ª taça. Ao clube, que viu por muito tempo o rival United dominar o país e conquistar títulos continentais, a inédita classificação fomenta um sonho antigo, de uma realidade muito distante até 15 anos atrás. Nesses dois casos, foi muito dinheiro despejado em reforços, técnicos de ponta (caso de Guardiola no City) e até em estádios. De clubes tradicionais, mas do segundo escalão no próprio país, a clubes globais, furando a bolha de Barça, Real, Bayern etc.

O protagonismo chegou a partir de investimentos do exterior – o que não é um problema, pois vários clubes de peso, caso do próprio United, passaram por este processo. Nesses dois casos, então, vale pela final específica de uma ascensão dupla, embora por vezes a caminhada tenha sido a contragosto da lei, caso do City, que precisou pagar uma multa de 10 milhões de euros para, curiosamente, jogar esta edição. Segundo a Corte Arbitral do Esporte, o “clube não chegou a infringir as regras financeiras, mas também não colaborou com as investigações”. Em 2017 o Chelsea também foi investigado por supostas contratações irregulares.

Isso fica fora do campo. No gramado, com os times bem montados, a final é justíssima. Os “citizens” chegam de forma invicta, com 11 vitórias e 1 empate. No mata-mata, o time venceu todos os jogos, lá e lô. Inclusive o PSG de Neymar, outro clube de apelo empresarial semelhante, mas cujo desejo foi novamente brecado. Já os “blues” tiraram na semi ninguém menos que o maior campeão do torneio, o Real Madrid. E tiraram com autoridade. Na volta, já em vantagem após o 1 x 1 na Espanha, o time controlou todas asações, fez dois gols e manteve a ótima escrita defensiva – nos últimos 11 jogos em casa, não foi vazado em 10.

A nova final inglesa na Liga dos Campeões será no Ataturk, em 29 de maio. O estádio turco já recebeu uma final europeia, com título inglês, diga-se. Foi em 2005, quando o Liverpool reagiu diante do Milan, saindo do 0 x 3 para o 3 x 3, ganhando a taça nos pênaltis. E desta vez?

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A seguir, detalhes sobre os finalistas do principal torneio europeu e dados históricos.

MANCHESTER CITY
Time-base (3-4-3): Ederson. Walker, Stones, Rúben Dias e Zinchenko; Fernandinho, Gundogan e Bernardo Silva; Mahrez, De Bruyne e Foden. Técnico: Pep Guardiola
Campanha: 12 jogos, com 11V, 1E e 0D; 25 GP e 4 GC. Passou em 1º no Grupo C e depois eliminou Borussia Monchengladbach (ALE), Borussia Dortmund (ALE) e PSG (FRA)
Temporada doméstica: campeão da Copa da Liga Inglesa (1 x 0 sobre o Tottenham, em 25/04) e líder da Premier League após 34 rodadas (80 pts; 25V, 5E e 4D)

CHELSEA
Time-base (3-5-2): Mendy; Christensen, Thiago Silva e Rudiger; Azpilicueta, Chilwell, Jorginho, Kanté e Mount; Werner e Havertz. Técnico: Thomas Tuchel
Campanha: 12 jogos, com 8V, 3E e 1D; 22 GP e 4 GC. Passou em 1º no Grupo E e depois eliminou Atlético de Madrid (ESP), Porto (POR) e Real Madrid (ESP)
Temporada doméstica: finalista da Copa da Inglaterra (vs Leicester, em 15/05) e 4º lugar na Premier League após 34 rodadas (61 pts; 17V, 10E e 7D)

As “finais caseiras” na Champions League
1ª) 2000 (ESP) – Real Madrid 3 x 0 Valencia
2ª) 2003 (ITA) – Milan (3) 0 x 0 (2) Juventus
3ª) 2008 (ING) – Manchester United (6) 1 x 1 (5) Chelsea
4ª) 2013 (ALE) – Bayern de Munique 2 x 1 Borussia Dortmund
5ª) 2014 (ESP) – Real Madrid 4 x 1 Atlético de Madrid
6ª) 2016 (ESP) – Real Madrid (5) 1 x 1 (3) Atlético de Madrid
7ª) 2019 (ING) – Liverpool 2 x 0 Tottenham
8ª) 2021 (ING) – Manchester City x Chelsea

Nº de “finais caseiras”
1º) 3x – Espanha e Inglaterra
3º) 1x – Itália e Alemanha

Nº de finais na Champions de 1956 a 2021 (por clube; +8)*
1º) 16x – Real Madrid (ESP, 13 títulos)
2º) 11x – Milan (ITA, 7) e Bayern de Munique (ALE, 6)
4º) 9x – Liverpool (ING, 6) e Juventus (ITA, 2)
6º) 8x – Barcelona (ESP, 5)
* Ao todo, 42 clubes diferentes já chegaram à decisão

Nº de finais na Champions de 1956 a 2021 (por país)*
1º) 29x – Espanha (18 títulos)
2º) 28x – Itália (12)
3º) 24x – Inglaterra (14)
4º) 18x – Alemanha (8)
5º) 9x – Portugal (4)
6º) 8x – Holanda (6)
7º) 7x – França (1)
8º) 2x – Escócia (1), Romênia (1) e Sérvia (1)
11º) 1x – Bélgica (0), Grécia (0) e Suécia (0)
* Ao todo, 13 países diferentes já chegaram à decisão


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