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Marcelo Martelotte e Zé Teodoro no Santa

Os comandantes do tri no Estadual entre 2011 e 2013 agora juntos. Fotos: Santa Cruz/Twitter.

O dia 8 de maio de 2022 foi um dos mais loucos do Santa Cruz em muito tempo. Dentro e fora de campo. No mesmo domingo em que venceu pela primeira vez na Série D, virando o placar sob protestos da torcida e evitando o fundo do poço na classificação, o clube realizou uma assembleia geral para deliberar, entre outros pontos polêmicos, sobre a constituição de uma “SAF” com decisão exclusiva da presidência, e ainda viu uma troca de comando técnico no fim da noite.

Este último ponto tende a impactar uma boa parte da torcida na segunda-feira. Sobretudo aqueles que comemoraram o resultado sobre o Atlético de Alagoinhas e seguiram a vida, praxe no cidadão comum. Entretanto, para aqueles mais fervorosos, que acompanham o desenrolar pós-jogo nas rádios e sites, com entrevistas e debates, a sensação era de que algo iria acontecer ainda à noite. Neste caso, o pós-jogo não foi uma coletiva oficial, mas uma reunião do time junto ao técnico Leston Júnior e ao executivo de futebol Marcelo Segurado.

Foi um pronunciamento em tom de desabafo do então treinador, em nome da equipe, sobre a falta de condições para trabalhar, sobretudo financeiras. O Santa deve ao time (2 meses), à comissão técnica (3 meses) e aos demais funcionários (4 meses). Ou seja, por mais bombástico que tenha sido, foi baseado num problema real. Leston ainda falou frases como “o clube está largado mesmo” e “vivemos com nossa honra e dignidade covardemente atacadas todo dia”.

Discurso duro e feito num papel de líder, mas que dificilmente seria digerido pela direção coral. Às 23h08 o clube comunicou, através de seus perfis nas redes sociais, a saída do técnico e do executivo. Ato paralelo às mensagens de vários jogadores declarando apoio ao agora ex-técnico nos comentários da própria publicação oficial. Autor de um dos gols na vitória mais cedo, Matheuzinho disse: “se mantiver essa decisão o grupo também está fora”. Caldeirão.

Comandantes do tri a toque de caixa

A pressão não surtiu efeito, pois o hiato sem técnico durou apenas 74 minutos. Um nova mensagem oficial anunciou a volta de Marcelo Martelotte, o último treinador antes de Joaquim Bezerra e que já havia trabalhado numa gestão do próprio Antônio Luiz Neto, com o título pernambucano em 2013. Isso já era surpreendente o suficiente, num acerto às pressas numa evidente queda de braço com o elenco, mas o Santa também confirmou o retorno de Zé Teodoro, nome importantíssimo no reerguimento do clube na década passada, com o bicampeonato estadual em 2011 e 2012. Também com ALN na época. O tri, obtido em cima do Sport, balizou parte do cacife político do dirigente, ainda em vigor.

Zé volta numa nova função, como coordenador técnico, lembrando um pouco a passagem de Givanildo Oliveira no ano passado. Que não seja apenas uma muleta pelo histórico no Arruda. A mensagem sobre a contratação dupla, já no início da madrugada, foi encerrada com a expressão “Vamos por mais!”. Como se já fosse pouco o que o Santa viveu num dia quase interminável, no qual a vitória que poderia distensionar o ambiente já parece ser algo extremamente datado. Como é, também, a condução do Santa Cruz…

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Abaixo, o anúncio da saída de Leston e de Segurado.

Abaixo, o anúncio da volta de Martelotte e Zé Teodoro.


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