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Uma equipe do Banco Itaú BBA produziu o estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes do Futebol Brasileiro – 2018”, a nova versão do raio x atualizado há nove anos. O relatório volta a apresentar 27 times, incluindo os quatro nordestinos presentes na Série A desta temporada – contudo, ao contrário da versão anterior, Náutico e Santa não foram analisados.

O faturamento absoluto em 2017, considerando os clubes observados, foi de R$ 4,9 bilhões, num aumento de 16% sobre o ano anterior. Montante dividido em cotas de tevê (41,9%), transações de atletas (16,3%), bilheteria e sócios (14,9%), publicidade e patrocínio (14,8%), estádio (4,5%) e outras fontes (7,3%).

Todos os números foram colhidos nos balanços oficiais dos clubes, divulgados em abril deste ano. Além de “traduzir” as cifras, até porque os documentos ainda não seguem um padrão de informação, os especialistas deram o aval sobre a situação de cada um, projetando cenários em médio e longo prazo. Abaixo, entre aspas, as conclusões sobre os times da região e alguns gráficos de destaques no levantamento.

No fim do post, a íntegra do relatório de 252 páginas – agradeço a Felipe Sitônio pelo envio.

Bahia (da página 75 a 80)
Custo do futebol em 2017: R$ 69 milhões (65,7% do total, de R$ 105 mi)

“Sinal de alerta”

“O Bahia vinha de gestões equilibradas, mas em 2017 vimos uma mudança de tendência. Aumento nos custos, aumento na dívida bancária, desempenho esportivo aquém do investimento geral. Expectativa de que tenha sido um comportamento pontual e que o clube volte a manter os pés-no-chão e o equilíbrio da gestão. Ainda não é preocupante, mas tem um sinal de alerta ligado.”

Nota do blog
Após a divulgação do material, Marcelo Sant’Ana, ex-presidente do Bahia, mas que esteve no comando do clube em 2017, detalhou alguns dados, “ignorados na análise”: dos R$ 11 mi de endividamento, R$ 7,8 mi foram de dívidas reconhecidas pré-2015, além do investimento de R$ 6,5 mi na (re) compra de dois centros de treinamento. Também destacou que as vendas de Jean, Juninho Capixaba e Rômulo só vão entrar no balanço oficial de 2018.

Ceará (da página 87 a 92)
Custo do futebol em 2017: R$ 21 milhões (77,7% do total, de R$ 27 mi)

“Um dia de cada vez”

“O Ceará é um clube regional, que tem disputado a Série B por muito tempo e retornou agora para disputar a Série A. Os números modestos refletem isso, e, em 2018 devemos ver dados diferentes. Com mais receitas. O que temos até agora será totalmente diferente ano que vem. Resta saber o que o clube fará com o aumento de receitas. É sempre um dilema: gastar mais e tentar permanecer, ou gastar o necessário e trabalhar com folga? Claro, o melhor é trabalhar com eficiência. Vamos ver como o vovô se sairá.”

Nota do blog
Até este balanço, o Ceará já havia pago 56 das 72 parcelas para a compra do seu centro de treinamento, a Cidade Vozão. Isso corresponde a R$ 4,4 mi dos R$ 5,7 mi previstos. Em relação à receita de 2018, o aumento imaginado pela equipe do Itaú foi confirmado antes mesmo da virada do ano, em 27 de dezembro de 2017, durante a aprovação do novo orçamento. No caso, de R$ 55 milhões, com R$ 28 mi através dos direitos de transmissão do Brasileirão.

Sport (da página 193 a 198)
Custo do futebol em 2017: R$ 63 milhões (60,0% do total, de R$ 105 mi)

“Hipotecando o futuro”

“O ano de 2017 mostra um Sport Recife apostando alto nas contratações, mesmo sem dinheiro suficiente. Investiu bem mais que sua capacidade, mas de forma financiada. Ou seja, a conta virá nos próximos anos, ou já neste ano, dependendo do prazo. Não é exatamente a melhor estratégia financeira, pois coloca o futuro em risco, especialmente em dívidas com clubes, pois a Fifa atuará contra atrasos. Não há detalhes sobre a estratégia pensada para o fluxo de caixa nos próximos anos. Uma alternativa é a venda de atletas, e se for por este caminho, mais um clube que vive deste tipo de receita.”

Nota do blog
De longe, a situação do Sport parece a mais comprometida – independentemente da colocação final do clube na Série A de 2018, com o rebaixamento naturalmente agravando. Vale destacar que o biênio 2017/2018, presidido por Arnaldo Barros, teve uma estimativa orçamentária de R$ 213 milhões, a segunda maior da história do leão. Considerando isso e levando em conta os financiamentos efetuados nas negociações, só fica claro o quanto se gastou no período. Ainda sobre a análise, vale destacar a crítica do Itaú em relação à dificuldade sobre os dados informados pelo Sport – uma crítica antiga de minha parte.

Vitória (da página 205 a 210)
Custo do futebol em 2017: R$ 57 milhões (65,5% do total, de R$ 87 mi)

“Voltando enfim ao início”

“Quando se anda em círculos temos a sensação de passar sempre pelo mesmo lugar. Não é apenas sensação, é fato. O Vitória de 2017 lembra bem esta situação. Parecia estar se ajustando, mas surgiram dívidas fiscais do passado que acabaram consumindo a folga de caixa do clube. Agora precisa trabalhar com mais segurança e parcimônia para garantir a estabilidade financeira. Controle, austeridade, investimentos possíveis. Ao menos espera-se que os problemas estejam todos mapeados. É o primeiro passo para estruturar um planejamento.”

Nota do blog
Assim como Bahia, Sport e Náutico, considerando casos na região, o Vitória também passou por um processo de reconhecimento de dívidas antigas, num ajuste contábil necessário para a entrada no Profut e para a obtenção das certidões negativas ( = patrocínio da Caixa Econômica). Tanto que o déficit anual foi de R$ 59 mi! Entretanto, sobre o leão baiano, ainda vale a ressalva sobre a não incorporação do passivo do “Vitória S/A”, entidade criada em 1998 e encerrada em 2004, mas que ainda teria uma dívida de R$ 35 milhões com a União.

Abaixo, a íntegra do estudo, produzido por oito pessoas, tendo à frente o superintendente de crédito do banco Itaú, Cesar Grafietti. O relatório passa por um balanço geral dos 27 clubes, seguido de análises individuais, índice de eficiência sobre as gestões brasileiras e um comparativo com o cenário europeu – onde fica escancarada a distância no futebol.


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