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A diferença no quadro dos nordestinos sobre a mesma pesquisa feita pelo Datafolha em 2019.

A última grande pesquisa nacional de torcida, considerando os institutos mais tradicionais, foi divulgada pelo Datafolha há dois anos. Em 17 de setembro de 2019, o instituto paulista apresentou os dados colhidos a partir de 2.878 entrevistas em todos os estados. Essa pesquisa foi abordada pelo blog na época. A volta ao assunto deve-se à novidade sobre aqueles números, agora mais detalhados.

Em seus estudos, focados sobretudo em política, por mais que processe os dados com casas decimais, o Datafolha sempre arredonda os resultados na divulgação oficial. Como exemplo, 0,51% vira 1% e 1,46% também vira um 1%. Não por acaso, foram os dados de Portuguesa e Fluminense no limite do arredondamento em 2012, cujo “empate” acabou em polêmica naquela pesquisa, com o Datafolha explicando o cálculo (“Entendemos que a divulgação de números com casas decimais passaria a falsa impressão de precisão que o método estatístico não proporciona”, disse na época).

Esta metodologia, vigente e utilizada por outros institutos, embora não seja regra, costuma gerar inúmeros “empates”, sobretudo em percentuais menores. Foi o caso da pesquisa produzida em 2019, com os seis clubes nordestinos presentes tendo o mesmo percentual, “1%”. À vera, naturalmente havia diferença ali, só confirmada hoje devido à consulta integral no banco de dados da Unicamp, que costuma cadastrar as pesquisas tempos depois.

No caso, os números mais “precisos”, com casas decimais, vão de 0,5%, com o Ceará, a 1,3%, com o Bahia, que ficaria isolado na ponta no Nordeste. Ou seja, 0,8 pontos percentuais entre os dois clubes. Considerando a população brasileira em 2019, de acordo com a estimativa do IBGE, isso representaria uma diferença de 1.681.117 torcedores. Consequentemente, também acabaram os empates nas três principais metrópoles da região. Antes, todos tinham 2,1 mi.

Em Salvador, agora, Bahia 2,7 mi x 1,2 mi Vitória. No Recife, Sport 2,3 mi x 1,2 mi Santa Cruz. Em Fortaleza, Fortaleza 1,2 mi x 1,0 mi Ceará. Somando as torcidas dois clubes mais populares de cada praça, cada cidade tinha 2%. Agora a ordem das três capitais é a seguinte: 1º BA (1,9%; ou 3,99 mi), 2º PE (1,7%; ou 3,57 mi) e 3º CE (1,1%; ou 2,31 mi). É preciso destacar que o Náutico, apesar de ter uma das principais torcidas da região, não apareceu de forma detalhada no Datafolha, que citou 19 clubes ao todo – o timbu ficou na opção “outros clubes”.

Saindo do NE, a pesquisa com o acréscimo de uma casa decimal já faria enorme diferença em alguns locais. Como em Belo Horizonte. Enquanto o Atlético-MG ganharia 630 mil torcedores, com +0,3, o rival Cruzeiro perderia 840 mil, com -0,4. Ou seja, uma diferença combinada de 1,47 milhão. Considerando o tamanho das duas torcidas, é algo relevante. No alto da lista, a massa do Flamengo, que passou de 40 milhões de torcedores pela primeira vez justamente nesta pesquisa, ficaria ainda maior, com acréscimo de 420 mil, chegando já a 42,4 milhões.

Leia mais sobre o assunto
Pesquisa de torcida do Datafolha em 2019 aponta empate em PE, BA e CE

Datafolha // Brasil 2019
Período: 29 e 30 de agosto de 2019
Público: 2.878 entrevistados (em 175 municípios)
Margem de erro: 2,0%
População estimada (IBGE/2019): 210.147.125

A seguir, o ranking de torcida “atualizado” com os dados decimais da pesquisa do Datafolha e a variação nas colocações sobre a lista original, que foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo.

1º) Flamengo – 20,2% (42.449.719), igual
2º) Corinthians – 14,1% (29.630.744), igual
3º) São Paulo – 7,8% (16.391.475), igual
4º) Palmeiras – 5,5% (11.558.091), igual
5º) Vasco – 4,0% (8.405.885), igual
6º) Cruzeiro – 3,6% (7.565.296), -1
7º) Grêmio – 3,5% (7.355.149), -2
8º) Internacional – 2,8% (5.884.119), igual
9º) Santos – 2,7% (5.673.972), -1
10º) Atlético-MG – 2,3% (4.833.383), igual
11º) Seleção Brasileira – 1,9% (3.992.795), -1
12º) Bahia – 1,3% (2.731.912), igual
12º) Botafogo – 1,3% (2.731.912), igual
12º) Fluminense – 1,3% (2.731.912), igual
15º) Sport – 1,1% (2.311.618), -3
16º) Fortaleza – 0,6% (1.260.882), -4
16º) Santa Cruz – 0,6% (1.260.882), -4
16º) Vitória – 0,6% (1.260.882), -4
19º) Ceará – 0,5% (1.050.735), -7
Outros times – 2,6% (5.463.825)
Sem clube – 21,7% (45.601.926)

Agora, veja a variação absoluta em pontos percentuais em relação aos dados divulgados pelo Datafolha (que foram arredondados). A partir do desdobramento com casas decimais, a maior diferença acumulada é de 0,8 ponto, com quatro clubes tendo +0,3 e três clubes tendo -0,5.

+0,3% (+630.441) – Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Fluminense
+0,2% (+420.294) – Flamengo
+0,1% (+210.147) – Corinthians e Sport
Igual – Vasco
-0,1% (-210.147) – Seleção Brasileira
-0,2% (-420.294) – Internacional e São Paulo
-0,3% (-630.441) – Santos e “sem clube”
-0,4% (-840.588) – Cruzeiro, Fortaleza, Santa Cruz, Vitória e “outros times”
-0,5% (-1050.735) – Ceará, Grêmio e Palmeiras

A seguir, os dois registros do Datafolha sobre a pesquisa de torcida em 2019.

Quadro com números arredondados (oficial, veja aqui)

Quadro com números com casas decimais (extraoficial, veja aqui)


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