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O carcará venceu o tricolor num mata-mata pela 3ª vez. Este, o maior. Foto: Marlon Costa/FPF.

Chegou o dia! O interior consagrou um campeão pernambucano de futebol. Após 83 anos desde a primeira participação, em 1937, finalmente um time fora do Recife ficou com a taça. Era uma lacuna histórica. Até a decisão no Arruda, só Pernambuco e Rio de Janeiro não tinham um campeão fora da capital.

De fato, a espera foi imensa, com 61 edições contando com interioranos, sendo de forma ininterrupta desde 1961. Somando todos os representantes, vimos campanhas de (quase) todos os tipos, incluindo algumas bolas na trave. Até hoje, o melhor resultado era o vice-campeonato, em seis oportunidades. Agora, o triunfo absoluto. Mérito do Salgueiro, campeão em sua 14ª participação. Num Arruda vazio, a 515 km de casa, em outro jogo equilibrado, o carcará segurou o empate sem gols e venceu nos pênaltis o invicto Santa.

Nesta década, o clube já havia se inserido de vez na briga, tanto que esteve nas últimas sete semifinais. Esta foi a sua terceira decisão. Nota-se que os sertanejos foram criando casca, foram buscando o seu espaço. Até conseguirem o bote que vale para muita gente, na Zona da Mata, no Agreste e, sobretudo, no Sertão. Por tudo o que fez nos últimos 15 anos, esse feito tinha mesmo que ser do carcará. Parabéns ao Salgueiro Atlético Clube, o orgulho do interior!

O jogo histórico do carcará
No 1T, o Santa teve o maior controle da bola, com 64% de posse, e também finalizou mais, com 7 x 2, mas sem perigo real – chance de fato foi num lance anulado de forma errada. Do outro lado, o carcará não esteve apagado. Chegou no campo ofensivo tentando quase sempre uma enfiada de bola. Esteve perto de quebrar a linha coral 2x. Já no 2T o jogo caiu demais, com apenas uma chance efetiva, com Didira. O goleiro Tanaka defendeu com os pés. Faltou apetite ao Santa. Nos pênaltis, o Salgueiro fez 4 x 3, com gols de Ciel, Alison, Dadinha e Muller Fernandes, o último cobrador. O atacante, que havia feito três dos seus quatro gols na campanha através de pênaltis, partiu para a cobrança às 23h45 do dia 5 de agosto de 2020. Preciso, mandou para as redes e fez história.

A campanha do campeão pernambucano de 2020
12 jogos
6 vitórias
3 empates
3 derrotas
16 gols marcados
10 gols sofridos

Escalação do Santa (melhor: André; piores: Victor Rangel e Augusto)
Maycon Cleiton; Toty, William Alves, Danny Morais e Fabiano; André, Paulinho e Jeremias (Derlis Alegre, intervalo; Victor Rangel, 25/2T); Augusto Potiguar (João Cardoso, 35/2T), Pipico e Didira (Mayco Félix, 38/2T). Técnico: Itamar Schulle

Escalação do Salgueiro (melhores: Tanaka, Bruno e Ranieri)
César Tanaka; Sinho (Dadinha, 46/2T), Ranieri, Arthur e Daniel Rodrigues; Bruno Senna, William Daltro e Renato Henrique (Raimundinho, 31/2T); Tarcísio (Muller Fernandes, 31/2T), Ciel e Thomas Anderson (Alison Araçoiaba, 19/2T). Técnico: Daniel Neri

Histórico geral de Santa Cruz x Salgueiro (todos os mandos)
42 jogos
17 vitórias corais (40,4%)
13 empates (30,9%)
12 vitórias salgueirenses (28,5%)

Os vencedores dos mata-matas entre os tricolores
2012 – Santa Cruz (1 x 2 e 3 x 1), semifinal
2014 – Salgueiro (1 x 1 e 2 x 1), 3º lugar
2015 – Santa Cruz (0 x 0 e 1 x 0), final
2017 – Salgueiro (0 x 1 e 2 x 0), semifinal
2020 – Salgueiro (1 x 1 e 0 x 0, com 4 x 3 nos pênaltis), final

Curiosidade 1
O título pernambucano não tem uma cota de premiação direta – a última foi em 2014 (R$ 400 mil). Porém, há o ganho indireto, com a vaga na fase principal da Copa do Nordeste de 2021 (será a 6ª participação do Salgueiro). Considerando a cota da edição recém-encerrada, significa R$ 775 mil ao Salgueiro, que também já havia garantido vaga na Copa do Brasil (também pela 6ª vez), cuja menor cota este ano foi de R$ 540 mil. Ou seja, o carcará irá ganhar, por baixo, R$ 1,3 milhão em 2021.

Curiosidade 2
O português Daniel Neri é o primeiro treinador europeu a ganhar o Campeonato Pernambucano – num passado distante, tivemos técnicos estrangeiros sul-americanos, o último em 1963. Por sinal, este foi o primeiro título profissional de Neri, que chegou do Velho Mundo em 2004, quando começou a trabalhar na base do futebol pernambucano. Agora, se estabeleceu no time principal.

Curiosidade 3
Em 106 edições, foi apenas a 4ª vez na história em que o título pernambucano foi decidido nos pênaltis. Antes, tivemos disputas em 1983 (deu Santa sobre o Náutico), 2006 (deu Sport sobre o Santa) e 2019 (deu Sport sobre o Náutico). Em 2020 ocorreu o 1º triunfo do visitante.

A análise do Podcast 45 Minutos (Cassio Zirpoli, Celso Ishigami, Fred Figueiroa e Lucas Liausu):

Outra final equilibrada. Em 2015 deu Santa. Em 2020 deu Salgueiro. Foto: Rafael Melo/Santa.


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