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Acima, a evolução da média de público anual do trio de ferro. O Sport na frente pela 4ª vez seguida.

Em 2019, os três grandes clubes do Recife registraram uma melhora (tímida) em relação ao público presente e à renda bruta nos jogos no estado, considerando todas as competições oficiais. Embora o número de partidas nesta temporada ainda tenha sido baixo, com 73 mandos, numa consequência da participação dupla na Série C, mais curta, as médias gerais passaram de 10,3 mil para 10,5 mil espectadores (+2,3%) e de R$ 138 mil para R$ 175 mil de bilheteria (+26,7%).

Esses dados seguem bem abaixo do período apoiado pela campanha “Todos com a Nota”, que chegou a registrar 16 mil de média de público, em 2013, e R$ 261 mil de renda, em 2014. Além da saída do subsídio estatal, a enorme oscilação dos clubes, incluindo rebaixamentos (da A pra B e da B pra C), contribuiu para um cenário mediano, hoje distante de Salvador, puxado pelo Bahia na Fonte Nova, e de Fortaleza, com a dupla alencarina enchendo o Castelão.

Em sete anos, desde que comecei a fazer o levantamento de público e renda do trio pernambucano, esta é a 3ª vez que o público absoluto fica abaixo de 1 milhão de espectadores – numa taxa de ocupação de apenas 31%, muito abaixo do potencial local. A título de comparação, o Flamengo, que arrastou multidões em 2019, levou 1,76 milhão de pessoas ao Maracanã em 34 partidas, menos da metade do calendário. Em relação à bilheteria a disparidade é muito, mas muito maior. Aqui, R$ 12,8 milhões. No Fla, R$ 88,1 milhões, com média de quase 60 mil torcedores tanto na Série A quanto na Libertadores (e venceu ambas).

Voltando à realidade local, trata-se de um cenário que precisa ser estudado, para otimizar essa importante vertente na receita, além do necessário apoio nos jogos, naturalmente.

A evolução do público total do trio (Sport à frente pela 6ª vez seguida)

A evolução da renda bruta do trio (Sport também à frente pela 6ª vez)

A seguir, um resumo de cada clube e os dados nos últimos sete anos – seguindo com os dados acumulados do trio de ferro. Em relação ao público total, vale destacar que trata-se da soma de pagantes e não pagantes, critério adotado pelo blog desde o início do levantamento.

Balanço do Sport
27 jogos como mandante (24 na Ilha do Retiro e 3 na Arena PE)
374.947 torcedores (média de 13.886)
43,77% de ocupação
R$ 7.051.814 de renda bruta (média de R$ 261.178)

– Estadual: 8 jogos, 90.133 pessoas (11.266) e R$ 1.861.705 (R$ 232.713)
– Série B: 19 jogos, 284.814 pessoas (14.990) e R$ 5.190.109 (R$ 273.163)

Nesta temporada, o Sport só atuou em casa em duas competições. Afinal, caiu na Copa do Brasil logo na 1ª fase, no interior mineiro, e seguiu fora do Nordestão por vontade própria – decisão desfeita para 2020. Ainda assim, tendo apenas Estadual e Brasileiro, o time conseguiu a sua melhor média de público em três anos, com 13,8 mil (+3,8% sobre 2018). Dos 27 jogos como mandante, priorizando a Ilha, com 88% da agenda, o leão levou mais de 10 mil pessoas em 19 oportunidades – incluindo o maior borderô do ano, com 27.017 espectadores na final local, contra o Náutico.

Copa nacional à parte, o desempenho em campo foi determinante para essa (leve) melhora, com o título pernambucano e o vice na segundona, garantindo o retorno à elite do futebol nacional. Já em relação ao apurado na bilheteria, a evolução de um ano pro outro, com o mesmo nº de partidas, foi bem mais significativa – ainda mais num ano de crise. Subiu em R$ 2.429.719 (+52,5%). E resultou na maior média em 4 anos, com R$ 261 mil – ou seja, à frente de três campanhas na Série A.

Balanço do Náutico
24 jogos como mandante (24 nos Aflitos)
179.930 torcedores (média de 7.497)
44,23% de ocupação
R$ 3.258.538 de renda bruta (média de R$ 135.772)

– Estadual: 8 jogos, 46.455 pessoas (5.806) e R$ 811.437 (R$ 101.429)
– Nordestão: 4 jogos, 29.258 pessoas (7.314) e R$ 441.510 (R$ 110.377)
– Série B: 12 jogos, 104.217 pessoas (8.684) e R$ 2.005.591 (R$ 167.132)

O Náutico viveu a sua primeira temporada nos Aflitos após a reabertura. Após quase seis anos atuando na Arena PE, o timbu disputou todas as suas partidas em casa. Porém, o impacto não foi imediato. O público foi basicamente o mesmo – na verdade, houve um leve decréscimo na média, de 57 pessoas (-0,7%). A diferença, creio, está nos jogos de grande porte. Em 2018 o alvirrubro teve dois casos assim, com 42 mil pessoas diante do Central (final do PE) e 27 mil diante do Bragantino (quartas da C). Em 2019 esses mesmos jogos deram 14 mil (PE, vs Sport) e 16 mil (C, vs Paysandu).

Por outro lado, a taxa de ocupação subiu bastante. Passou de 16,6% na Arena para 44,4% nos Aflitos, o maior índice do trio – otimizando receitas indiretas na própria sede. De toda forma, a proximidade dos dados brutos mostra que o calendário inteiramente voltado ao Eládio (mesmo num ano com título nacional) pode comprometer a bilheteria, a não ser que os ingressos sejam majorados, algo que não parece viável a curto prazo – mesmo com a Série B programada em 2020.

Balanço do Santa Cruz
22 jogos como mandante (16 no Arruda e 6 na Arena PE)
215.885 torcedores (média de 9.812)
18,57% de ocupação
R$ 2.500.019 de renda bruta (média de R$ 113.637)

– Estadual: 5 jogos, 28.995 pessoas (5.799) e R$ 404.555 (R$ 80.911)
– Nordestão: 5 jogos, 30.310 pessoas (6.062) e R$ 303.200 (R$ 60.640)
– Copa do Brasil: 3 jogos, 57.670 pessoas (19.223) e R$ 760.180 (R$ 253.393)
– Série C: 9 jogos, 98.910 pessoas (10.990) e R$ 1.032.084 (R$ 114.676)

Em 2018 o Santa viveu um ano trágico em termos de público e bilheteria, com apenas 18 mandos. Em 2019 o cenário melhorou um pouco (+4), mas ainda distante do início da década. O tricolor teve a média de público (porém, ainda abaixo de 10 mil) e a maior renda bruta dos últimos três anos. Ao todo, foram 6 jogos acima de 10 mil pessoas – contra apenas 4 no ano passado. O dado coral foi salvo pela campanha na Copa do Brasil, com um borderô satisfatório nos três jogos no Arruda.

Ocorre que o cenário foi ruim nas outras frentes. Na Copa do Nordeste, mesmo com o time alcançando a semifinal, o índice ficou em 6 mil espectadores – e isso inclui o mando nas quartas. No Estadual, nem isso. De toda forma, o apurado subiu em R$ 808.511 (+47,7%), com um acréscimo de quase R$ 20 mil na média de renda. Pouco para quem ainda depende tanto desta receita.

Dados acumulados do Trio de Ferro
73 mandos
770.762 torcedores (média de 10.558)
31,77% de ocupação
R$ 12.810.371 de renda bruta (média de R$ 175.484)
Torneios: Estadual, Nordestão, Copa do Brasil, Série C e Série B


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