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A transmissão internacional já começaria a valer logo no Campeonato Brasileiro pós-quarentena.

A transmissão do Brasileirão no exterior sempre foi intermitente, tanto em período quanto em locais. Até 2016, por canais diferentes, foi exibido na Espanha (Canal +), Portugal (Sport TV), Inglaterra (BT Sport) e leste europeu (Arena Sport). Em 2018, após a desistência da Globo, os clubes iniciaram o processo para vender um pacote, agregando tanto o período de transmissão quanto os países. No dois primeiros anos, sem acordo. Agora em 2020, outra negociação, apurada pelo site Globoesporte, com a negociação já avançando para a fase da contraproposta.

Considerando as três tratativas, a atual apresenta o menor valor. Curiosamente, isso leva a um cenário mais factível sobre o desfecho positivo – com o início “desvalorizado” do acordo funcionando como “degustação”, afinal, a Série A ainda carece de apresentação de fato para o público consumidor no exterior. Na sequência do post, um resumo das três negociações sobre as vendas dos direitos internacionais do principal torneio de futebol do país, tendo como principais características a divisão igualitária e o avanço no alcance dos beneficiados.

No 1º ano a receita seria direcionada só para uma divisão. No 2º ano, para duas divisões. Agora, no 3º ano, para três divisões. Por sinal, esta temporada conta com 16 clubes nordestinos entre os 60 inscritos, sendo 4 na A, 6 na B e 6 na C – pela lógica, todos seriam contemplados com a alguma cota (bem-vinda num momento de dificuldade como esse).

A negociação em 2018
Na ocasião, o acordo seria válido por quatro edições, de 2019 a 2022. A informação foi publicada pela Veja, através da coluna Radar, em 14 de maio, citando a venda dos direitos para o exterior tanto da tevê aberta, quanto da tevê paga e do streaming, além de placas exclusivas nos estádios. As conversas seguiram na Rússia, durante a Copa do Mundo. Na época, Evandro Carvalho, o presidente da FPF, estava na delegação brasileira e comentou a negociação, focada em canais específicos na Europa – e tratou o negócio como quase certo. O bolo seria apenas para os times da Série A, com R$ 137,5 milhões por edição. A ideia era firmar após o Mundial, mas não vingou.

Divisão anual da receita (parte I)
100% para a Série A (R$ 6,875 milhões por clube)

A negociação em 2019
Após a frustração anterior, os clubes da Série A se reuniram na CBF para detalhar um novo processo licitatório para a venda dos direitos internacionais – incluindo, novamente, placas publicitárias. A reunião ocorreu em 7 de fevereiro, contando com os presidentes de Bahia, Ceará e Fortaleza, já com duas propostas de negociação na mesa, segundo o UOL, em informação publicada no blog de Rodrigo Mattos. A maior delas somava 10 temporadas, de 2019 a 2028, com R$ 300 milhões por ano, com 10% da receita sendo repassada à Série B, segundo determinação confirmada pela própria CBF na época. Ou seja, seria, R$ 270 mi para a 1ª divisão e R$ 30 mi para a 2ª divisão. Um valor considerável, mas que acabou saindo logo de cena, com os clubes negando as demais sondagens (bem menores).

Divisão anual da receita (parte II)
90% para a Série A (R$ 13,5 milhões por clube)
10% para a Série B (R$ 1,5 milhão por clube)

A negociação em 2020
Na nova rodada sobre a negociação dos direitos de TV para fora do Brasil, a novidade foi a inclusão da 3ª divisão na conversa, com 5% do montante – mesmo que efetivamente não tenha jogos televisionados, ao contrário da segundona. De acordo com a matéria assinada por Paulo Vinícius Coelho e Raphael Zarko, em 15 de abril, a proposta seria de 4 temporadas, de 2020 a 2023. A oferta seria de US$ 10 milhões por edição, totalizando US$ 40 milhões pelo contrato. Numa conversão com a cotação do dia (R$ 5,24), o bolo anual chegaria R$ 52,4 milhões. Repartido entre as três principais divisões, com 60 clubes envolvidos, as fatias seriam de R$ 39,3 milhões na A, R$ 10,48 milhões na B e R$ 2,62 mi na C. Os clubes ainda aguardam a resposta sobre a contraproposta, até pelo fato de os valores nesta negociação serem os menores nesses três anos – mas com o atenuante sobre a crise provocada pelo Coronavírus.

Divisão anual da receita (parte III)
75% para a Série A (R$ 1,965 milhão por clube)
20% para a Série B (R$ 524 mil por clube)
5% para a Série C (R$ 131 mil por clube)

A seguir, a composição das três principais divisões nacionais em 2020.

Os 20 times da Série A
Athletico (PR), Atlético (GO), Atlético (MG), Bahia (BA), Botafogo (RJ), Ceará (CE), Corinthians (SP), Coritiba (PR), Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Fortaleza (CE), Goiás (GO), Grêmio (RS), Internacional (RS), Palmeiras (SP), Red Bull Bragantino (SP), Santos (SP), São Paulo (SP), Sport (PE) e Vasco (RJ).

Os 20 times da Série B
América (MG), Avaí (SC), Botafogo (SP), Brasil (RS), Chapecoense (SC), Confiança (SE), CRB (AL), Cruzeiro (MG), CSA (AL), Cuiabá (MT), Figueirense (SC), Guarani (SP), Juventude (RS), Náutico (PE), Oeste (SP), Operário (PR), Paraná (PR), Ponte Preta (SP), Sampaio Corrêa (MA) e Vitória (BA).

Os 20 times da Série C
Boa Esporte (MG), Botafogo (PB), Brusque (SC), Criciúma (SC), Ferroviário (CE), Imperatriz (MA), Ituano (SP), Jacuipense (BA), Londrina (PR), Manaus (AM), Paysandu (PA), Remo (PA), Santa Cruz (PE), São Bento (SP), São José (RS), Tombense (MG), Treze (PB), Vila Nova (GO), Volta Redonda (RJ) e Ypiranga (RS).

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