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Sport visitando Coritiba e Cruzeiro em 2023

A delegação do Sport contou com 5 dirigentes, incluindo 3 vices. Fotos: Sport/divulgação.

Numa viagem institucional no início de 2023, entre os dias 18 e 20 de janeiro, uma comitiva do Sport visitou as diretorias de Coritiba e Cruzeiro com o objetivo de entender as “práticas gerenciais” que os dois clubes estão implementando, servindo de “exemplo para os rumos que o clube vislumbra”, segundo a nota no site oficial do rubro-negro. De fato, tanto os paranaenses quanto os mineiros vêm passando por uma reformulação estrutural, com a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) sendo parte essencial.

No Recife, embora os três grandes estejam se mexendo sobre o assunto, nenhuma SAF foi constituída até aqui. Mais precisamente na Ilha do Retiro, a ideia sequer foi protocolada para votação em assembleia. Nos bastidores, contudo, a movimentação é real, com o presidente da FPF dando como certa a proposta tanto para o Sport quanto para o Náutico em 2023. Até lá, tendo ainda a discussão sobre investidores (quem e quanto), vale pontuar a diferença entre os dois modelos observados pelo Sport agora. Vamos a um resumo financeiro.

Coritiba e a Recuperação Judicial

Embora já tenha sido aprovada pelos sócios, o coxa ainda não vendeu a sua SAF. O clube segue buscando investidores e espera uma definição até o fim da temporada. A principal diferença sobre outros modelos é que antes disso o Coritiba já havia feito um pedido de “Recuperação Judicial”, um ato que possibilita a negociação coletiva do passivo. No caso, com a suspensão de prazos de pagamentos, resultando na elaboração, via justiça, de um plano de pagamento escalonado. E a Justiça do Paraná concedeu, com o parcelamento de R$ 114 milhões em 12 anos. Com isso, reservando 8% de sua receita para este fim, o Coritiba voltou a ter fluxo de caixa.

Essa saída via “RJ”, que também vem sendo adotada pelo Santa Cruz, com R$ 197 milhões em dívidas, é uma das opções para pagar as dívidas após a SAF de fato. Os outros meios, menos arriscados, são a recuperação extrajudicial e o Regime Centralizado de Execuções (RCE), esta bem parecida. A diferença da RJ para o RCE é o risco de “falência”, já que pode ser a última barreira antes disso – é o caso de muitas empresas. Em relação ao porte do Coritiba, o estádio próprio (Couto Pereira) deixa a gestão do clube semelhante à do Sport. Afinal, é um imóvel de grande porte que precisará sendo gerido pela SAF, enquanto outros clubes têm acordos com arenas.

Cruzeiro e os vários parcelamentos

O Cruzeiro foi o primeiro grande clube do país a adotar a Sociedade Anônima do Futebol, criada pela Lei 14.193, de 6 de agosto de 2021. A raposa estava numa pior, indo para o 3º ano seguido na Série B. Com Ronaldo Fenômeno à frente da empresa Tara Sports, o clube negociou 90% de sua SAF por R$ 400 milhões. Além disso, o pentacampeão mundial também precisou assumir o passivo da “associação civil”, com o primeiro CNPJ do clube. No caso, cerca de R$ 1 bilhão! Neste ponto, de forma proporcional, o problema do Sport parece mais próximo ao do Cruzeiro que ao do Coritiba, levando em conta a capacidade econômica dos dois clubes visitados. Isso porque o leão deve R$ 258 milhões, com o passivo sendo uma âncora.

Segundo reportagem do Superesportes, no 1º ano da SAF, completado em 18 de dezembro de 2022, o Cruzeiro pagou R$ 23 milhões em dívidas na Fifa e parcelou R$ 182 milhões em dívidas tributárias. Só com impostos correndo à revelia, o Sport já deve R$ 79,5 milhões, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Ou seja, uma meta seria obter descontos consideráveis e um parcelamento semelhante, que nem os mineiros. O time de BH dividiu nos mesmos 12 anos utilizados pelo Coritiba na RJ. Só que, além disso, o Cruzeiro também pretende buscar a a própria RJ, para pagar cerca de R$ 530 milhões. Ou seja, seriam duas frentes aqui.

Exemplos da Série A, mas sem padrão definido
Em termos esportivos, ambos os clubes conseguiram os seus objetivos em 2022, com o Coritiba se mantendo na Série A e o Cruzeiro voltando com o título da Segundona. Outra coincidência é mesmo a busca pela Recuperação Judicial, algo que ainda não havia sido falado no Sport. Indo além, outras SAFs foram implantadas em clubes populares na elite, como Botafogo, Vasco e Bahia. Em relação às duas visitas específicas, me parece claro que não é uma escolha sobre qual modelo adotar, mas uma mistura dos trabalhos distintos. Após a segunda visita, o presidente do Sport, Yuri Romão, disse o seguinte ao site do clube:

“Compreender a realidade pós-SAF, que é algo que vislumbramos para o nosso futuro, com a vida social que o Cruzeiro dispõe, nos atrai bastante porque se assemelha ao Sport, tendo em vista o complexo da Ilha do Retiro. E o clube associativo do Cruzeiro é extremamente pulsante, com diversas atrações para os sócios, esportes olímpicos, enfim, de forma rentável e expressivamente lucrativa. E é o cenário que a gente almeja para o Sport”.

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