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As principais plataformas de streaming com transmissões de futebol no país.

O consumo de futebol na tevê vem mudando de forma bem acelerada, quase sempre com o viés de benefício. Entretanto, é preciso ficar atento neste ponto, longe de ser uma verdade absoluta. De um lado, a praticidade, com quase todos os jogos (ou literalmente todos em vários torneios) disponíveis de alguma forma.

Na virada do século, pouco antes do HD para precisar a linha cronológica, a oferta era reduzida, devido à concentração num só canal, a Rede Globo (com a Band em alguns momentos), e pela escolha dos clubes na telinha, por parte da própria emissora. Hoje é possível assistir até a jogos de equipes modestas em campeonato de base. O futebol está na tevê – numa visão ampla sobre “tela”, somando televisão, celular, tablet etc.

O segundo ponto, que, por narrativa, vai abraçado a esta evolução, é o custo disso. Entre o tempo com poucos jogos na grade até o presente, com uma colcha de retalhos (sendo isso algo positivo), os principais campeonatos ficaram à disposição na tevê aberta e na tevê assinatura, com SporTV, ESPN, Fox Sports e Band Sports. Porém, a mensalidade saiu da razoabilidade, baseada em pacote com dezenas (sim, dezenas) de canais que o consumidor não quer e não tem como não querer. Isso levou a uma estagnação na base de assinantes, e, em seguida, à contínua redução – de quase 20 milhões em 2014, no ano da Copa do Mundo no país, para 15 milhões em 2020, durante a pandemia. Em parte pela crise econômica, em parte pelo novo perfil mesmo, de consumir o óbvio, apenas o que se deseja de fato. Daí, a fragmentação do conteúdo. Reforçando, esse não é o ponto da crítica. É o custo. Vamos lá.

Em 14 de setembro a confederação sul-americana anunciou a criação da “Conmebol TV”, criando uma parceria com a Band Sports para a produção do conteúdo. O pay-per-view da entidade engloba os três torneios continentais profissionais, a Taça Libertadores, a Copa Sul-Americana e a Recopa. Feito exclusivamente para o mercado brasileiro, chega por R$ 39,90 mensais. Olhando a tabela de programação, o impacto sobre o custo-benefício.

Dos 64 jogos restantes na fase de grupos da Libertadores, apenas 27 vão passar na Conmebol TV, entre os dias 15 de setembro e 21 de outubro. Ou seja, o PPV irá cobrir 42% da etapa, e exigindo ao menos duas mensalidades – e a simples divisão do valor total pelo número de jogos, com média de R$ 2,95 por partida, não me parece justificável, pois o PPV parte da ideia de preferência pelos jogos do seu clube, de forma quase específica. Este modelo, firmado pelas próximas três temporadas, surgiu a partir da rescisão da Globo, que tentou renegociar os valores do contrato com a Conmebol – que não aceitou e acabou fechando por menos com o SBT, embora com mais liberdade para os seus patrocinadores.

A mensalidade estipulada foi semelhante à mensalidade adotada pela DAZN em sua estreia no país. Na ocasião, em 2019, cobrou R$ 37,90. A adesão abaixo do esperado provocou uma revisão da empresa para 2020, com o valor caindo para R$ 19,90 (-47%). Outro exemplo, mas por outro caminho bem diferente, ocorreu com o Campeonato Espanhol. Era transmitido regularmente no Fox Sports, mas aí a empresa optou por remanejar os principais jogos da edição 2019/2020 para o Fox Premium, um canal a la carte. Por qual motivo o assinante, que já “tinha” adquirido o campeonato, aceitaria pagar mais em outro canal do mesmo grupo? Um fiasco, com La Liga voltando para o Fox Sports, numa resposta válida do público.

Voltando à novidade no mercado, com a Conmebol TV, vamos a um exemplo sobre o custo. O seu clube está na Série A e na Libertadores/Sul-Americana? Então, para não depender (em tese) dos jogos regulares na grade da TV aberta, com a Globo no Brasileirão e o SBT na Liberta, ou da TV por assinatura, o torcedor precisa desembolsar R$ 99,80 por mês. Isso considerando que é preciso ter um bom pacote de internet para a exibição online – se for assinante da Netflix ou da Amazon, com conteúdos originais, mais R$ 32,90 e R$ 9,90, respectivamente. Sem contar no surgimento das plataformas dos próprios clubes de futebol, como Sócio Digital (Bahia) e Furacão Play (Athletico), também focadas em transmissões ao vivo.

Neste ritmo, a fragmentação do mercado sobre o futebol na TV deverá ficar pesada para o torcedor, que uma hora poderá “largar”, deixando de pagar tantas assinaturas. Sem controle, a pirataria, que já é uma problema sério no mercado, tomando uma fatia considerável do público, pode ganhar ainda mais campo. Logo, esse futuro, sobre este viés econômico, é questionável. Para os clubes, o ganho econômico parece caso a caso, longe de ser uniforme (ou mesmo proporcional). Por outro lado, também entendo que o momento atual ainda seja de acomodação do mercado ao novo perfil. No entanto, para o telespectador, o aumento no custo/futebol já é realidade. Liberdade de escolha, inclusive para ver ou não.

O valor das assinaturas de streaming em 2020 (de torneios com clubes do Brasil)
R$ 59,90 – Premiere (Séries A e B, Copa do Brasil e Estaduais: BA, MG, PE, RS e SP)*
R$ 39,90 – Conmebol TV (Libertadores, Sul-Americana e Recopa)
R$ 19,90 – DAZN (Série C e Estaduais: PR)**
R$ 19,90 – Live FC (Copa do Nordeste)
R$ 17,47 – TV NSports (Estaduais: SC)***

* Pacote anual. Avulso sai por R$ 79,90/mês
** Inclui outras competições de outras modalidades
*** O pacote teve valor único de R$ 69,90 (pelos 4 meses do torneio, com todos os jogos)

A validade dos atuais contratos de transmissão por streaming (dos torneios acima)
2024 – Premiere (acordos individuais com os clubes)
2022 – DAZN (via CBF e federação paranaense)
2022 – Conmebol TV (via Conmebol)
2022 – Live FC (via Liga do Nordeste)
2020 – TV NSports (via federação catarinense)

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