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Léo Lemos/Náutico

Apesar de ter terminado na liderança do grupo A, o Náutico acabou eliminado na Série C pelo 4º colocado do grupo B, num revés que custou o acesso à segundona de 2019.

A desclassificação evitou a confirmação de 2018 como um dos melhores anos da história recente do Náutico, campeão pernambucano no primeiro semestre, findando um jejum de 13 anos, e com a volta aos Aflitos encaminhada após a reforma. Ainda assim, vale uma avaliação sobre erros e acertos no administrativo e no futebol do timbu nesta temporada e as metas para a próxima. Abaixo, pontuei alguns cenários em Rosa Silva. Confira e deixe o seu comentário…

Os principais acertos

1) A paz política. Pode parecer algo óbvio, mas no Náutico os bastidores ferveram demais nos últimos anos, derretendo o clube com desavenças entre o executivo e o conselho, com contas questionadas e afastamento de lideranças. Com perfil moderado, Edno Melo conseguiu se conectar à torcida ao colocar em prática o projeto de volta aos Aflitos – além de honrar a folha do futebol.

2) A permanência de Roberto Fernandes, apesar do rebaixamento na Série B – ele chegou no fim do ano, sendo o 5º técnico em 2017. Assim, ele conduziu a montagem de um elenco barato, ao menos para as primeiras metas do ano, com a vaga na fase de grupos do Nordestão, diante da Itabaiana (valendo R$ 500 mil), e o jogo contra o Cordino, na 1ª fase da Copa do Brasil (valendo R$ 600 mil).

3) A Copa do Brasil como prioridade. Se a missão era eliminar o Cordino-MA, o time foi além, despachando também o Fluminense-BA e o Cuiabá-MT. Chegando na 4ª fase, contra a Ponte Preta, o timbu abocanhou R$ 4,3 milhões em cotas na competição – receita utilizada para bancar a requalificação técnica do elenco, que começou o ano, na preliminar do regional, com uma formação extremamente limitada. Foi a maior receita já obtida pelo timbu considerando cotas de participação/classificação. Os frutos começaram já com o título estadual.

4) Usar a força da torcida para reformar o sucateado estádio dos Aflitos era algo necessário – e viável. Através da campanha “Voltando pra Casa”, o Náutico arrecadou R$ 500 mil, além das parcerias firmadas com empresas como Pamesa (cerâmica e revestimento) e Iquine (pintura). Embora a obra não tenha terminado a tempo dos torneios oficiais, o estádio estará apto em 2019, o que possibilitará, inclusive, negociações pontuais com a Arena – como ocorre com os rivais.

5) Ortigoza. O atacante paraguaio, que jogou no Palmeiras em 2009 e no Cruzeiro em 2011, estava no Cerro Porteño e firmou um contrato surpreendente – foi bancado, em parte, por abnegados, algo possível após a pacificação. Ele deixou um dos principais clubes do seu país para jogar na Série C do Brasil, mas veio com foco e rendeu. Foi campeão pernambucano, como destaque, e marcou 13 gols na temporada (4 tentos no Estadual, 2 na Copa do Brasil e 7 na Série C).

Os maiores erros

1) A escolha sobre a Copa do Nordeste. Na última rodada da fase de grupos, o Náutico teve a chance de avançar às quartas – seria a 1ª vez nesta volta oficial da Lampions, em 2013. Bastava vencer o eliminado Altos, em Teresina, e torcer por uma derrota do Botafogo – o que ocorreu. Entretanto, focando a ida da final estadual, três dias depois, o timbu atuou com os reservas, incluindo o atacante Daniel Bueno (o jogador de pior desempenho no time). Empatou e acabou fora pela 4ª vez, perdendo R$ 450 mil. Teria tido condições de passar e ganhar a final sobre o Central?

2) A indecisão sobre a formação com Ortigoza e Wallace Pernambucano. Na teoria, a presença de dois atacantes técnicos no grupo (para o Estadual e Série C) era algo positivo. Na prática, a escalação nunca encaixou, mantendo sempre a dúvida sobre a possibilidade de uma “dupla titular” – o que não ocorreu nem no último jogo, contra o Bragantino. Com o rodízio, os dois, coincidentemente, acabaram perdendo ritmo em determinado momento, com ambos no banco.

3) A “quase efetivação” de Dudu Capixaba. O interino assumiu o comando após a saída precoce de Roberto Fernandes, com 1E e 3D em quatro rodadas (entendo que ele tinha mais lastro, naquele momento, após o título pernambucano). A estreia vitoriosa, com um 3 x 0 sobre o fraco Salgueiro, colocou um freio sobre a procura por um novo técnico. Porém, a péssima atuação diante da Juazeirense, na sequência, refez a realidade no Náutico, com a chegada de Márcio Goiano – cujo trabalho, com o time saindo da lanterna até a liderança do grupo A foi bem além do esperado.

4) O superdimensionamento das campanhas no grupo A. Nas quartas de final da terceirona, os quatro primeiros colocados do grupo B tiraram os quatro primeiros do grupo A – onde estavam os clubes pernambucanos. Nesta edição, considerando a primeira fase, apenas os jogos entre clubes do Norte e Nordeste foram exibidos na tevê, até então através do Esporte Interativo. Embora os clubes tenham contratado equipes para analisar alguns jogos dos adversários do Sul-Sudeste, o “4 x 0” no agregado pode ser interpretado, também, como uma diferença entre as chaves.

Observações sobre a próxima temporada…

1) A manutenção do time-base, junto ao técnico Márcio Goiano, é a primeira medida. No entanto, o calendário encerrado em agosto dificulta bastante este cenário, ainda mais com jogadores de mercado em outras divisões, como Ortigoza e Sueliton. Não por acaso, apenas dois nomes (os volantes Jobson e Jimenez) têm contrato para 2019, à parte dos atletas oriundos da base.

2) Foco mantido na Copa do Brasil. O milionário reajuste na competição em 2018 a deixou como uma fonte de receita fora da curva para qualquer clube do país. No caso do timbu, o time deverá estrear novamente fora de casa, outra vez com a vantagem do empate. O sucesso ao longo de 2018 aconteceu no embalo deste faturamento, com o cenário em 2019 sendo bem semelhante – em relação às cotas de transmissão das competições presentes.

3) A pressão pelo acesso será bem maior. Os aplausos dos torcedores que ficaram na arena até o apito final da partida contra o Bragantino foram emblemáticos. Creio que a reação simbolizou o reconhecimento do bom ano e da luta da equipe. Mesmo que o script de janeiro a agosto se repita em 2019, um novo insucesso, já com a volta dos Aflitos, irá ancorar o clube num patamar financeiro e competitivo muito abaixo dos rivais regionais – a manutenção na Série C, aliás, custou no mínimo R$ 6 milhões em cotas de TV, fora patrocínios e rendas.

4) A volta aos Aflitos, possivelmente ainda em 2018, pode gerar uma renda perto de R$ 1 milhão, tamanha a expectativa da torcida pela recuperação de sua identidade. Para 2019, o clube poderá, enfim, impor um mando de campo melhor – apesar de, pelos números, o desempenho geral na arena ter sido bom, com 59% em 152 partidas.

O desempenho do Náutico em 2018
48 jogos (65 GP, 52 GC, +13 SG)
23 vitórias (47,9%)
15 empates (31,2%)
10 derrotas (20,8%)
58,3% de aproveitamento

Estadual (14 jogos; 8V, 5E e 1D) – Campeão
Nordestão (8 jogos; 2V, 4E e 2D) – Fase de grupos (11º)
Copa do Brasil (6 jogos; 4V, 1E e 1D) – 4ª fase (20º)
Série C (20 jogos; 9V, 5E e 6D) – Quartas de final (5º)

A análise do Podcast 45 Minutos sobre as consequências da eliminação alvirrubra na Série C

Ricardo Fernandes/Spia Photo


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