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Nas décadas de 1980 e 1990, o visual mais bonito já visto nos estádios de futebol do Recife.

Em tempos de vetos sem sentido no futebol pernambucano, por parte do poder público, a flexibilização anunciada pelo governo do estado, com a volta das charangas, sem limitação, e de bandeirões com mastro, foi bem surpreendente. Desta vez de forma positiva – veja a nota abaixo. A decisão foi tomada pelo “Grupo de Trabalho Futebol”. Criado pela portaria 1.491 em 2019, pela Secretaria de Defesa Social, a pasta que comanda a Polícia e o Corpo de Bombeiros, o GT também conta com a participação do Ministério Público, da FPF e dos clubes – esses quase com ouvintes. Neste ano, esse grupo havia começado de forma radical.

Ainda no primeiro mês de gestão da governadora Raquel Lyra, o GT decidiu pela “torcida única” nos clássicos locais. Na verdade, a ideia era evitar torcidas visitantes até de outros estados, mas o STJD desmontou a ideia. Oca, medida sobre a torcida única durou apenas 36 dias. Porém, o movimento sinalizou um endurecimento no debate, mesmo sem lastro para tantos vetos. Até esta noite, os jogos de Náutico, nos Aflitos, Sport, na Ilha do Retiro, e Santa Cruz, no Arruda, estavam entre os mais restritos do país entre os clubes de massa.

O fim da “punição” absoluta

Até o estado de São Paulo, pioneiro no veto dos bandeirões, a partir de uma lei estadual de 1996, já havia flexibilizado recentemente, com a volta das bandeiras com mastro. Restava Pernambuco. Ainda que não tenha acontecido nada de forma efetiva para “mudar” a visão do GT, ainda bem que houve a liberação. Até porque, francamente, não há registro de incidentes com instrumentos musicais, como chegou a ser alegado, e com os próprios bandeirões com mastro, cuja entrada nos estádios já era catalogada, havendo controle.

Ou seja, nesse tempo todo, na minha visão, a proibição foi mais uma “punição” às maiores torcidas organizadas, pelo evidente histórico de violência, sobretudo fora dos estádios, do que uma medida real de segurança dentro dos estádios. A bronca é que a “punição” acabou se estendendo a todos torcedores presentes. E não dá pra ser assim. Que essa volta, após vários anos, seja aproveitada da melhor forma possível pelo público. E que as autoridades fardadas nas arquibancadas consigam enxergar a festa como o que ela é: festa.

Nota oficial do Governo de Pernambuco em 15 de maio de 2023:
“O Grupo de Trabalho Futebol, que é formado pelas forças de segurança de Pernambuco, a Federação Pernambucana de Futebol e os clubes, decidiu liberar a presença de charangas e de bandeirões com mastros nos estádios do Estado. As medidas seguem uma evolução do que foi decidido em fevereiro, quando o Grupo já tinha autorizado a presença de uma charanga da torcida anfitriã e os bandeirões sem mastro, itens que estavam proibidos no ano passado. As novas regras serão publicadas em uma portaria estadual nos próximos dias, mas, charangas sem limitações e bandeirões com mastros, já estão liberados para o jogo do Sport nesta quarta-feira, contra o São Paulo, na Ilha do Retiro, válido pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil.”

A seguir, as imagens do passado sem restrição, com as torcidas de Náutico (Arruda, em 84), Santa Cruz (Arruda, anos 80) e Sport (Ilha, em 82). Quantas bandeiras tremulando? Eram incontáveis.


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