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Foram 3 gols de pênalti na noite, com Wellington Paulista empatando. Foto: Fortaleza/Twitter.

Em 20 de fevereiro de 2021, pressionado pela tabela, o Bahia foi ao Castelão e surpreendeu o Fortaleza, goleando por 4 x 0. Naquela noite, o tricolor baiano conseguiu a permanência na 1ª divisão na penúltima rodada. Em 24 de abril, pela semifinal do Nordestão, o Bahia foi lá de novo e obteve a vaga nos pênaltis. Ainda no mesmo ano, agora em 9 de dezembro, o Bahia retornou à arena cearense para pegar o mesmo adversário, mas num sarrafo de pressão ainda maior.

Era a última rodada da Série A, novamente necessitando de pontos para seguir na elite – naquele primeiro clássico regional valeu por “2020” e agora foi por “2021” de fato. Só que a sorte (e a competência) não sorriu desta vez, não para o visitante. Apoiado por 50 mil pessoas, o leão do pici, já garantido na Libertadores, venceu por 2 x 1, de virada, e festejou à vera. Quanto ao time de Salvador, o rebaixamento após cinco anos competindo no Brasileirão. Em 34 anos desde a implantação do sistema de acesso e descenso, em 1988, ano em que foi campeão brasileiro, este é o 4º rebaixamento do clube baiano da A pra B.

No mau sentido, esta campanha se soma a 1997, 2003 e 2014 – tendo ainda um outro rebaixamento, mais duro até, da B pra C, em 2005. A queda nesta temporada, no último jogo oficial do ano, aconteceu justamente no período de maior capacidade econômica do clube, num comparativo direto aos outros descensos. Mesmo com o impacto da pandemia, o orçamento tricolor estimou uma receita total de R$ 171,9 milhões. Mesmo considerando apenas as receitas referentes à temporada de “2021”, que começou no fim de fevereiro, o número foi de R$ 149,6 milhões, disparado o maior do Nordeste – e a diferença entre jogar na A ou na B seria de R$ 56,9 milhões, o pesado cenário que deverá valer em 2022.

Enquanto isso, o Fortaleza projetou R$ 94,6 milhões, basicamente o que o Bahia havia imaginado para a segundona – que acabou chegou com uma edição de atraso. Mesmo com o caixa mais enxuto, terminou o BR num histórico 4º lugar, o que não acontecia no NE desde o Vitória em 1999. Também alcançou a semifinal da Copa do Brasil, mostrando muita força em 2021, tendo como benesse a vaga inédita na Liberta. É impossível não comparar com o Bahia, o maior vencedor da região, mas que não termina no G10 há vinte anos. Por isso, essa queda do Bahia é um duro golpe na gestão do clube, com Guilherme Bellintani à frente, já em seu segundo mandato. A condução do futebol, à parte da conquista da Copa do Nordeste, foi questionada seguidamente, com o time indo no limite. Nesta noite, não teve como.

Com a queda do Bahia, o Nordeste terá apenas dois representantes na 1ª divisão em 2022, justamente os mais organizados na atualidade, ambos lá do CE. O Fortaleza de Vojvoda (presidido por Marcelo Paz) e Ceará de Tiago Nunes (presidido por Robinson de Castro). O vozão, por sinal, chegará a cinco participações seguidas, igualando as maiores sequência da região, de Sport e Bahia, cuja chegada de Guto na reta final acabou não sendo suficiente. Logo, o alvinegro terá a chance de bater o recorde. Ao Bahia, o objetivo será bem diferente, num escalação abaixo, mais pesado do que de costume, com Cruzeiro, Vasco, Grêmio, Sport…

Mais participações seguidas nos pontos corridos na Série A (2003-2022; +3)
1º) 5 anos – Sport (2014-2018)
1º) 5 anos – Bahia (2017-2021)
1º) 5 anos – Ceará (2018-2022)*
4º) 4 anos – Bahia (2011-2014)
4º) 4 anos – Fortaleza (2019-2022)*
6º) 3 anos – Náutico (2007-2009)
6º) 3 anos – Sport (2007-2009)
6º) 3 anos – Vitória (2008-2010)
6º) 3 anos – Vitória (2016-2018)
* Em andamento

Total de participações nos pontos corridos na Série A (2003-2022)
1º) 11 vezes – Sport (07, 08, 09, 12, 14, 15, 16, 17, 18, 20 e 21)
2º) 10 vezes – Vitória (03, 04, 08, 09, 10, 13, 14, 16, 17 e 18)
2º) 10 vezes – Bahia (03, 11, 12, 13, 14, 17, 18, 19, 20 e 21)
4º) 7 vezes – Fortaleza (03, 05, 06, 19, 20, 21 e 22)
4º) 7 vezes – Ceará (10, 11, 18, 19, 20, 21 e 22)
6º) 5 vezes – Náutico (07, 08, 09, 12 e 13)
7º) 2 vezes – Santa Cruz (06 e 16)
8º) 1 vez – América-RN (07)
8º) 1 vez – CSA (19)

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