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O gráfico com a evolução das receitas e pendências do tricolor do Recife na última década.

Numa transmissão aberta no Youtube, num bom sinal de transparência, as contas do Santa Cruz referentes a 2020 foram apresentadas ao Conselho Deliberativo em 30 de março, a um mês do prazo final. Considerando o G7 do Nordeste, o tricolor pernambucano foi o primeiro clube a divulgar os dados. E o quadro foi pesado.

Embora a Série C de 2020 tenha acabado somente no início de 2021, o balanço financeiro de 2020 contabiliza apenas os dados de 1º de janeiro a 31 de dezembro – o que fez enorme diferença, pois a venda milionária de Maycon Cleiton, por exemplo, só foi registrada após o revéillon, forçando o aumento das “provisões para contingência”.

O impacto da pandemia, que ainda assola o país, era esperado e foi mesmo grave, ainda mais no Santa, que não tem um aporte relevante nas cotas de transmissão na TV, uma vez que o acordo da terceirona com a DAZN serve apenas para o custeio dos times, com hospedagens, viagens e arbitragens – ao contrário das Séries A e B, com piso de R$ 35 milhões e R$ 6 milhões nas cotas, respectivamente. Assim, o faturamento coral sofreu uma redução de R$ 7,8 mi em relação a 2019, terminando em R$ 13,7 milhões, um dos valores nominais mais baixos nesta década – nesta publicação, abaixo, você confere todos os dados desde 2011.

Com isso, considerando custos com pessoal, acordos trabalhistas, dívidas, renegociações e outras pendências, o déficit foi um dos maiores já vistos no Arruda. Neste recorte do blog, o saldo de negativo de R$ 27 milhões só fica abaixo de 2017 – porém, aquele número, de R$ 32 mi, foi registrado após um pente fino no Arruda, que recalculou os três balanços anteriores. Ainda vale pontuar que o déficit somou a depreciação patrimonial, uma regra contábil a cada ano – e o número desta vez foi de R$ 5 milhões (!). Com o reconhecimento das provisões de contingências fiscais e trabalhistas, há uma tendência de “equalização” do saldo em 2021.

Geração de caixa sob controle
O balanço foi apresentado pelo contador Ítalo Mendes, que esteve à frente da republicação dos últimos relatórios. Apesar do déficit, Ítalo pontua que o cenário só com receitas e despesas ativas foi considerado bom dentro do clube. Neste cenário do Ebitda, um indicador cuja sigla em inglês significa “Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”, a “capacidade de geração de caixa” teve um saldo negativo de R$ 452 mil, sendo uma realidade menos grave do que parece.

Dados destrinchados no relatório coral
Abaixo, um comparativo sobre quatro frentes importantes para a composição da receita no futebol profissional, considerando os últimos quatro balanços do Santa Cruz – e as respectivas séries nacionais. As quedas na bilheteria dos jogos, a partir dos portões fechados em março, e no quadro de sócios, com a crise econômica na população, não surpreendem. Já o departamento de marketing, através da marca própria Cobra Coral, foi o único segmento a registrar um aumento.

Direitos de transmissão na TV
2017 (B) – R$ 747.000
2018 (C) – R$ 3.675.572 (+392,0%; +2,92 mi)
2019 (C) – R$ 8.349.488 (+127,1%; +4,67 mi)
2020 (C) – R$ 4.309.419 (-48,3%; -4,04 mi)

Quadro de sócios-torcedores
2017 (B) – R$ 3.289.661
2018 (C) – R$ 1.013.716 (-69,1%; -2,27 mi)
2019 (C) – R$ 1.597.038 (+57,5%; +0,58 mi)
2020 (C) – R$ 982.480 (-38,4%; -0,61 mi)

Renda nos jogos
2017 (B) – R$ 7.194.726
2018 (C) – R$ 4.462.034 (-37,9%; -2,73 mi)
2019 (C) – R$ 5.811.738 (+30,2%; +1,34 mi)
2020 (C) – R$ 3.262.921 (-43,8%; -2,54 mi)

Patrocínio/Marketing
2017 (B) – R$ 3.050.965
2018 (C) – R$ 2.892.150 (-5,2%; -0,15 mi)
2019 (C) – R$ 3.690.214 (+27,5%; +0,79 mi)
2020 (C) – R$ 3.946.440 (+6,9%; +0,25 mi)

A seguir, o histórico de receitas, saldos e dívidas do Santa na última década. Em relação ao faturamento, o número oscilou entre R$ 12 mi e R$ 21 mi nas temporadas fora da elite. Na única presença na Série A no período, o recorde. Sobre o passivo, o enorme salto de 2016 para 2017 deve-se ao processo de reconhecimento de dívidas. Já considerando isso, chama a atenção o volume registrado em 2020, passando de R$ 200 milhões pela 1ª vez. O recente ajuste no patrimônio social do clube, que elevou o dado a R$ 241.722.788, faz com que o patrimônio líquido do Santa ainda siga positivo, hoje em R$ 26,98 milhões. Numa ordem de grandeza, já está perto do limite.

Faturamento do clube (receita total)
2011 (D) – R$ 17.185.073
2012 (C) – R$ 13.133.535 (-23,5%; -4,05 mi)
2013 (C) – R$ 16.955.711 (+29,1%; +3,82 mi)
2014 (B) – R$ 16.504.362 (-2,6%; -0,45 mi)
2015 (B) – R$ 15.110.061 (-8,4%; -1,39 mi)
2016 (A) – R$ 36.854.071 (+143,9%; +21,74 mi)
2017 (B) – R$ 17.971.188 (-51,2%; -18,88 mi)
2018 (C) – R$ 12.401.650 (-30,9%; -5,56 mi)
2019 (C) – R$ 21.594.461 (+74,1%; +9,19 mi)
2020 (C) – R$ 13.753.051 (-36,3%; -7,84 mi)

Resultado do exercício (superávit/déficit)
2011 (D): +1.442.869
2012 (C): -692.408
2013 (C): +453.996
2014 (B): -1.766.461
2015 (B): -3.388.522
2016 (A): -3.861.281
2017 (B): -32.795.861
2018 (C): -18.804.746
2019 (C): -2.573.353
2020 (C): -27.327.777

Evolução do passivo do clube (circulante + não circulante)
2011 (D) – R$ 69.775.333
2012 (C) – R$ 71.536.863 (+2,5%; +1,76 mi)
2013 (C) – R$ 71.377.478 (-0,2%; -0,15 mi)
2014 (B) – R$ 72.727.047 (+1,8%; +1,34 mi)
2015 (B) – R$ 77.728.805 (+6,8%; +5,00 mi)
2016 (A) – R$ 62.604.879 (-19,45%; -15,12 mi)
2017 (B) – R$ 155.530.004 (+148,4%; +92,92 mi)
2018 (C) – R$ 173.150.141 (+11,3%; +17,62 mi)
2019 (C) – R$ 172.399.861 (-0,4%; -0,75 mi)
2020 (C) – R$ 218.750.008 (+26,8%; +46,35 mi)


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