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O gráfico com a evolução das receitas e das pendências do leão de Salvador na última década.

Rebaixado em 2018, o Vitória disputou duas edições da Série B tendo uma receita muito acima da média na competição. Na verdade, o clube teve o maior faturamento em 2019, com R$ 53 milhões, e o segundo maior em 2020, com R$ 49 milhões, neste caso só abaixo do Cruzeiro – algo já esperado. Nesses anos, com R$ 102,7 milhões, o rubro-negro passou bem longe do acesso, ficando na parte inferior da tabela, em 12º e 14º, respectivamente. Ao todo, em 76 jogos, teve 22 vitórias, 27 empates e 27 derrotas, com apenas 40,7% de aproveitamento dos pontos.

Especificamente sobre o último ano, o balanço financeiro do clube ainda não foi divulgado, com o prazo encerrado desde 30 de abril, apesar de o presidente Paulo Carneiro alegar uma prorrogação na data. No entanto, o clube divulgou os doze balancetes contábeis analíticos, com extratos mensais das finanças do leão – todos à disposição no site oficial. Com o auxílio do contador Hyllo Gregório, foi possível pinçar alguns dados analisados anualmente na cobertura do blog sobre os principais clubes do NE. Do G7, estava faltando só esta publicação.

A receita total do Vitória foi de R$ 49.760.595. Na Série A, por exemplo, o Atlético-GO teve R$ 51 mi e o Sport R$ 54 mi, e ambos ficaram. As deduções de impostos nas finanças baianas foram de R$ 1,83 milhão, com a receita líquida terminando em R$ 47.928.522. Apesar da crise técnica em campo, com seguidas trocas de treinador e ameaça de rebaixamento até a reta final da segundona, paralelamente à pressão sobre o comando executivo, o clube terminou com superávit após três anos seguidos no vermelho. O saldo positivo foi de R$ 3,6 milhões. Sobre as despesas, só o futebol profissional consumiu R$ 35,3 mi em 2019 e R$ 31,7 mi em 2020. Já a base recebeu R$ 9,8 mi e R$ 7,0 mi, respectivamente, acima da média na região.

E a base sempre foi a mina de ouro do clube, desde a década de 1990. Desta vez, “salvou” o Vitória. Em janeiro de 2020 o leão da barra finalizou a venda do zagueiro Lucas Ribeiro ao Hoffenheim-ALE, recebendo R$ 3,1 mi, e em agosto negociou o volante Diego Rosa junto ao Manchester City-ING por R$ 11,7 mi. Neste caso, a maior parte do repasse deve ter entrado em outubro, o melhor mês do clube nos balancetes, com R$ 12,3 milhões de receita.

Passivo recorde e mais dívidas de curto prazo
Na contabilidade, o “superávit” não é sinônimo de redução de dívida, por “N” motivos, como juros, novos acordos etc. No Vitória, apesar do caixa no azul, o passivo aumentou em R$ 7 mi, chegando a R$ 151 milhões, o maior da história do clube – e metade do rival. E um ponto que precisa ser bem observado aqui é o aumento do “passivo circulante”, que se refere às pendências que precisam ser pagas em até doze meses – ou seja, até dezembro de 2021. O montante subiu de R$ 44,7 mi para R$ 71,4 mi, com +59%. Ou 26,6 milhões a mais! Se o todo passivo não subiu nem 1/3 disso, como é possível? No caso, as dívidas de longo prazo, do “passivo não circulante”, viraram dívidas de curto prazo. Este item caiu de R$ 99,6 mi para R$ 77,9 mi. O passivo, reforçando, é a soma de obrigações (contratos firmados com jogadores, por exemplo) e dívidas (atrasos de pagamentos, por exemplo).

Abaixo, um comparativo com quatro frentes importantes na composição da receita no futebol profissional, presentes nos últimos quatro balanços do Vitória – e as respectivas séries no BR.

Direitos de transmissão na TV
2017 (A) – R$ 50.678.045
2018 (A) – R$ 48.563.000 (-4,1%; -2,11 mi)
2019 (B) – R$ 7.835.000 (-83,8%; -40,72 mi)
2020 (B) – R$ Não divulgado

Quadro de sócios-torcedores
2017 (A) – R$ 5.557.847
2018 (A) – não divulgado*
2019 (B) – não divulgado*
2020 (B) – Não divulgado*
* O clube somou esta receita às premiações e loterias. Em 2018, R$ 11,7 mi. Em 2019, R$ 14,0 mi

Renda nos jogos
2017 (A) – R$ 4.270.159
2018 (A) – R$ 3.394.000 (-20,5%; -0,87 mi)
2019 (B) – R$ 2.174.000 (-35,9%; -1,22 mi)
2020 (B) – R$ Não divulgado

Patrocínio/Marketing
2017 (A) – R$ 5.689.619
2018 (A) – R$ 6.469.000 (+13,6%; +0,77 mi)
2019 (B) – R$ 1.119.000 (-82,7%; -5,35 mi)
2020 (B) – R$ Não divulgado

A seguir, o histórico de receitas do Vitória nesta década, com um salto de R$ 18,8 milhões em oito anos, embora o auge tenha sido em 2016, ano da assinatura do contrato anterior com a Globo.

Faturamento anual do clube (receita total)
2011 (B) – R$ 34.200.000
2012 (B) – R$ 52.303.000 (+52,9%; +18,10 mi)
2013 (A) – R$ 65.101.000 (+24,4%; +12,79 mi)
2014 (A) – R$ 61.835.000 (-5,0%; -3,26 mi)
2015 (B) – R$ 52.280.000 (-15,4%; -9,55 mi)
2016 (A) – R$ 111.976.212 (+114,1%; +59,69 mi)
2017 (A) – R$ 88.071.107 (-21,3%; -23,90 mi)
2018 (A) – R$ 87.013.000 (-1,2%; -1,05 mi)
2019 (B) – R$ 53.010.000 (-39,9%; -34,00 mi)
2020 (B) – R$ 49.760.595 (-6,1%; -3,24 mi)

Resultado do exercício (superávit/déficit)*
2011 (B): +229.000
2012 (B): +204.000
2013 (A): +531.000
2014 (A): +268.000
2015 (B): -7.607.000
2016 (A): +25.912.546
2017 (A): -59.845.190
2018 (A): -4.804.000
2019 (B): -1.831.000
2020 (B): +3.623.537
* O saldo da subtração da receita líquida pela despesa anual

Evolução do passivo acumulado do clube (circulante + não circulante)
2011 (B) – R$ 10.441.000
2012 (B) – R$ 57.809.000 (+453,6%; +47,36 mi)
2013 (A) – R$ 59.376.000 (+2,7%; +1,56 mi)
2014 (A) – R$ 64.612.000 (+8,8%; +5,23 mi)
2015 (B) – R$ 76.475.687 (+18,3%; +11,86 mi)
2016 (A) – R$ 66.734.271 (-12,7%; -9,74 mi)
2017 (A) – R$ 109.221.000 (+63,6%; +42,48)
2018 (A) – R$ 143.110.000 (+31,0%; +33,88 mi)
2019 (B) – R$ 144.398.000 (0,9%; +1,28 mi)
2020 (B) – R$ 151.450.113 (+4,8%; +7,05 mi)

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