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A ordem do comando executivo após a primeira licença de Milton Bivar, em novembro de 2020.

Há bastante tempo o estatuto do Sport rege eleições a cada dois anos, com o comando executivo e o Conselho Deliberativo. Alguns presidentes executivos já chegaram a se reeleger por duas vezes, casos de Wanderson Lacerda e Luciano Bivar nos anos 90. Dito isso, voltemos ao presente, com o clube anunciando o 5º presidente em menos de um ano, num cenário político caótico, que obviamente influencia nos resultados no campo – com a temporada de 2021 sendo uma das piores do clube.

E já vimos algo parecido em PE, com indícios que o desfecho é o pior possível. Em 2016/2017 o Náutico teve quatro presidentes, também por licenças e renúncias, com mudanças até o fim do biênio, com o vice do Conselho à frente. As arestas políticas não foram cessadas em momento algum, até o rebaixamento para a 3ª divisão. No caso do rubro-negro, que superou o “recorde”, é difícil não imaginar algo diferente de uma queda para a 2ª divisão, até mesmo pelos erros amadores cometidos em sequência pela direção de futebol, já destituída, com o esquecimento da inscrição de atletas e suspeita de escalação irregular em plena Série A.

Sem contar a montagem do elenco profissional daqueles que chegaram de fato. Algo falho com todos os mandatários, independentemente do tempo à frente. Não por acaso, o Sport teve mais presidentes do que jogadores para a posição de segundo volante, a maior carência – e o nome achado de última hora, o argentino Aguirre, foi um dos esquecidos (inacreditável).

Ou seja, numa comparação com o rival, o número de presidentes é maior e as lambanças também foram. Num cenário no qual “a bola não entra por acaso”, algo quase literal na Ilha, ainda entra na abordagem a crise financeira, com o pagamento de 70% dos salários após um acordo que não costuma cair bem no meio do futebol – ainda mais com a previsão dos outros 30% ficando distante, pois o pagamento seria a partir da premiação oficial pela permanência.

Para completar, o novo presidente, Yuri Romão, larga quase como um exército de um homem só após a saída do recém-eleito Leonardo Lopes, que alegou problemas pessoais. Em pouco tempo já foi quase tudo. Vice-executivo na chapa, iniciou no departamento administrativo, levantando as principais pendências de uma instituição com R$ 200 milhões de passivo.

Com a saída de toda a cúpula de futebol, Yuri acabou indo a Porto Alegre já representando o “futebol” junto ao elenco. No dia seguinte ao bom triunfo diante do Grêmio pela 23ª rodada, na volta ao Recife, um novo cargo, agora como presidente. Com carta branca, é verdade, mas uma carta branca forçada, uma vez que está basicamente só nas principais áreas que tocam o Sport. Há uma semana publiquei o texto “O colapso do Sport, dentro e fora do campo, abre caminho a outro rebaixamento”. De lá pra cá, a missão vai ficando cada vez mais difícil…

Recorde em 116 anos
Considerando toda a história do Sport, desde 1905, a maior rotatividade de presidentes havia sido justamente nos primeiros anos, numa época completamente amadora. Elysio Alberto (1905-1906), Manoel José da Silva (1906) e Ernesto Brotherhood (1906-1907) se revezaram no período de um ano. Pois agora a marca pulou de três para cinco nomes, num cenário bem difícil de ser superado.

A cronologia das mudanças no comando executivo do Sport
20/11/2020 – Milton Bivar pediu licença da presidência
20/11/2020 – Vice, Carlos Frederico assumiu a presidência interina
09/04/2021 – Milton Bivar foi reeleito presidente
21/04/2021 – Cerimônia de posse, com Milton Bivar como presidente
15/06/2021 – Milton Bivar (presidente) e Carlos Frederico (vice) renunciaram
16/06/2021 – Presidente do Conselho, Pedro Lacerda assumiu o executivo interinamente
16/07/2021 – Leonardo Lopes venceu a eleição suplementar para o comando executivo
04/10/2021 – Leonardo Lopes pediu licença da presidência
04/10/2021 – Vice, Yuri Romão assumiu a presidência interina

Nº de dias à frente do Sport desde a primeira licença de Milton, há 11 meses
151 dias – Carlos Frederico
80 dias – Leonardo Lopes
55 dias – Milton Bivar
30 dias – Pedro Lacerda
1 dia – Yuri Romão


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