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O dirigente de 69 anos foi eleito para o seu 3º mandato à frente do leão. Foto: Sport/Twitter.

Pela primeira vez, em quase 30 eleições, um presidente foi eleito no trio de ferro do Recife tendo menos de 50% dos votos. O cenário no Sport foi mesmo acirrado, justificando toda a polêmica sobre os adiamentos durante quatro meses. O resultado final do pleito em 2021 mostra que, apesar da vitória, o novo mandato não começa tendo a aprovação da maioria dos sócios. Nem a convicção da torcida, com pressão nas redes sociais. Este é um ponto essencial para que Milton Bivar entenda todo o processo vivido no período, com o último capítulo em 9 de abril.

Apesar de o pleito ter sido realizado especialmente no sistema drive-thru, com três caminhos distintos para os veículos dentro da Ilha do Retiro, tendo o aval da Secretaria de Saúde de Pernambuco, a aglomeração acabou existindo de todo jeito dentro da sede, comprometendo o combate contra a Covid-19. No fim, bate-boca entre apoiadores, discussão sobre a condução da apuração e a presença de torcidas uniformizadas, com apoio maciço ao candidato da situação. A apuração, que quase entrou no sábado, passou em 18 urnas.

Até a penúltima urna o cenário seguia indefinido, com Bivar à frente de Nelo Campos por 31 votos, com 994 x 963. Por sinal, ficou a impressão de que a presença de mais dois candidatos, Delmiro Gouveia e Eduardo Carvalho, foi decisiva para a reeleição – e o único bate-chapa vencido pela oposição segue sendo o de 1986. Na última urna, o experiente dirigente rubro-negro confirmou a liderança, mas por uma margem ínfima, tendo só 43% dos votos totais, ou 38 votos de vantagem sobre Nelo, considerando os 2.359 votos contabilizados na noite. Em termos democráticos, foi a eleição mais acirrada na história do leão e a segunda em PE.

As cinco menores diferenças absolutas em eleições do trio de ferro*
10 votos – Náutico 2015 (Marcos Freitas; 50,3% de 1.544)
38 votos – Sport 2021 (Milton Bivar; 43,3% de 2.359)
57 votos – Santa Cruz 2006 (Edson Nogueira; 52,0% de 1.405)
289 votos – Santa Cruz 2021 (Joaquim Bezerra; 63,9% de 1.032)
453 votos – Santa Cruz 2004 (Romerito Jatobá; 66,9% de 1.337)
* Eleições abertas a conselheiros e sócios

Com o resultado efetivado, Milton segue no comando executivo do Sport, cujo orçamento para esta temporada é de cerca de R$ 80 milhões, com o segundo ano seguido na Série A – fato que deve ter pesado em votos mais conservadores (e faz sentido). Em relação ao carro-chefe do clube, o biênio 2021/2022 já “começa” com duas eliminações duras, na Copa do Brasil e no Nordestão. Além do prejuízo técnico e moral, o dano financeiro. O clube estimou a receita sem considerar avanços nas competições. Contudo, é óbvio que internamente havia um planejamento de seguir ao menos à segunda fase – somando as duas cotas, o clube deixou ganhar R$ 1,37 milhão (e ainda jogaria a 2ª fase da copa nacional em casa, valendo R$ 1,7 mi).

Além disso, a eleição aconteceu com o Sport sem comando técnico, com a saída de Jair Ventura ocorrendo 35 dias após a renovação contratual – ou seja, já aumentando a complicada folha paralela do clube rubro-negro, à parte da folha do futebol profissional. A oficialização do novo treinador deve ser o primeiro passo para a nova gestão, que tende a ser cobrada como nunca, e com certa razão. Agora é com Milton Bivar, de novo.

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Votação na eleição do Sport para o biênio 2021/2022
1º) 1.023 votos (43,3%) – Milton Bivar (Sport de Primeira)
2º) 985 votos (41,7%) – Nelo Campos (Sport na Raça)
3º) 232 votos (9,8%) – Delmiro Gouveia (Juntos pelo Sport)
4º) 119 votos (5,0%) – Eduardo Carvalho (Uma razão para viver)

Sport de Primeira (chapa vencedora)
Presidente executivo: Milton Bivar
Vice executivo: Carlos Frederico
Presidente do Conselho Deliberativo: Pedro Lacerda
Vice do Conselho Deliberativo: Gustavo Oiticica

Vale lembrar que além dos presidentes e vices do Executivo e do Conselho Deliberativo, a chapa ainda conta com 133 conselheiros e 50 suplentes, além de 17 membros natos ao CD (ex-presidentes do Executivo e do Conselho), que já estavam garantidos via estatuto do clube.

Os 10 maiores bate-chapas na Ilha do Retiro (e os eleitos)
1º) 4.063 votos – 2016 (Arnaldo Barros; 61%, situação)
2º) 3.456 votos – 2008 (Silvio Guimarães; 75%, situação)
3º) 3.441 votos – 2012 (Luciano Bivar; 57%, situação)
4º) 2.997 votos – 1974 (Jarbas Guimarães; 76%, situação)
5º) 2.816 votos – 2000 (Luciano Bivar; 64%, situação)
6º) 2.776 votos – 2018 (Milton Bivar; 88%, oposição)
7º) 2.403 votos – 1978 (José Moura; 87%, situação)
8º) 2.359 votos – 2021 (Milton Bivar; 43%, situação)
9º) 2.224 votos – 1986 (Homero Lacerda; 62%, oposição)
10º) 1.957 votos – 2010 (Gustavo Dubeux; 98%, situação)

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