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Além das conquistas no Recife, Duque foi campeão no Rio e em São Paulo. Foto: Placar/reprodução.

Como técnico, Duque alcançou duas marcas expressivas na história do futebol pernambucano. Em 1975, já tendo uma carreira vitoriosa no Náutico e no Santa Cruz, foi o responsável por tirar o Sport de uma fila de doze anos, com o “Supertime da Ilha”, quando obteve o seu 7º título pernambucano, igualando o recorde, ainda vigente, de Palmeira, hepta em 1962. Ali, Duque tornou-se, também, um dos quatro nomes com conquistas oficiais nos três grandes clubes da capital.

Foi campeão nos Aflitos, no Arruda e na Ilha do Retiro. Para se ter uma ideia, o último a obter o feito foi o multicampeão brasileiro Ênio Andrade, no já distante ano de 1984. Esses números dão lastro à passagem do mineiro no Recife, equipe com verbetes generosos em cada clube. Não por acaso estava na área técnica do Eládio de Barros de Carvalho, em 1968, observando o gol de Ramos, que deu o hexa ao timbu. Um ano antes esteve no Maracanã, encerrando o duelo de três jogos contra Mário Travaglini, na final da Taça Brasil entre Náutico e Palmeiras.

Após as quatro taças conquistadas no alvirrubro, organizando o time formado por Nado, Bita, Nino e Lala, fincou o seu nome como o melhor técnico da história de Rosa e Silva. Depois, foi ser campeão no Santa, levando, inclusive, o lateral-direito Gena, o nome que deu o equilíbrio necessário ao time imaginado nas bandas do Arruda. Lá, encontrou Givanildo Oliveira (volante de brilho ascendente), Luciano Veloso e Fernando Santana. Ganhou duas finais seguidas, contra Náutico e Sport, com as conquistas integrando o pentacampeonato do tricolor. Ou seja, Duque esteve tanto na era de ouro do Náutico quanto na era de ouro do Santa. Somente.

Até então, o leão era um coadjuvante na sua trajetória, tendo sido vice-campeão em cinco dos seis títulos de Duque. Ele acabou se “redimindo” ao azeitar um timaço com Luciano Veloso (na maior e mais polêmica transação do Recife, na época), Assis Paraíba e Dadá Maravilha. David Ferreira, para os chegados, aposentou-se da função no início dos anos 80, após se arriscar no Oriente Médio, já no embalo de outras taças estaduais no eixo Rio-SP, com o Carioca de 73 no Flu e o Paulistão de 77, no Corinthians – onde o clube alvinegro acabou um jejum de 22 anos. Ainda virou comentarista de rádio no Rio de Janeiro, onde viveu até os 91 anos. Duque faleceu em julho de 2017, mantendo um legado difícil de ser superado em Pernambuco. A explicação do sucesso? Certa vez o próprio resumiu, embora hoje seja algo inviável…

“Eu era o preparador físico, o preparador técnico, o preparador tático e o homem que impunha a psicologia a serviço da equipe”.

Ranking de títulos pernambucanos entre treinadores

7x – Palmeira: 1946 e 1947 no Santa; 1950, 1951 e 1952 no Náutico; 1961 e 1962 no Sport

7x – Duque: 1964, 1966, 1967 e 1968 no Náutico; 1970 e 1971 no Santa; 1975 no Sport

5x – Givanildo Oliveira: 1991, 1992, 1994 e 2010 no Sport; 2005 no Santa

Técnicos campeões pelo Trio de Ferro (e o ano do ciclo completo)

1960, Gentil Cardoso (55 Sport, 59 Santa, 60 Náutico)

1962, Palmeira (46/47 Santa, 50/51/52 Náutico, 61/62 Sport)

1975, Duque (64/66/67/68 Náutico, 70/71 Santa, 75 Sport)

1984, Ênio Andrade (76 Santa, 77 Sport, 84 Náutico)

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