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A proporção dentro das torcidas do G7 do Nordeste, à parte do tamanho absoluto de cada uma.

A pesquisa “DNA Torcedor 2017” já foi abordada algumas vezes no blog, voltando a partir da divulgação de novos dados, uma vez que nunca houve uma apresentação integral por parte do Ibope. O material é restrito aos clubes e às marcas que subsidiaram parte do custo. Desta vez, o foco é no percentual entre “torcedores mistos”, abordado pelo próprio diretor do instituto, José Colagrossi, que publicou uma análise sobre este comportamento clubístico cada vez mais presente – e com mais estágios do que você imagina (confira as descrições mais abaixo).

Paralelamente ao texto no site do Ibope, foram revelados os percentuais de 22 clubes, incluindo 7 nordestinos. Os três grandes do Recife (Náutico, Santa e Sport), os dois grandes de Salvador (Bahia e Vitória) e os dois grandes de Fortaleza (Ceará e Fortaleza). Trata-se da divisão entre aqueles que escolheram os respectivos clubes como 1ª opção (a “torcida” de fato) e aqueles que responderam na 2ª opção (a “simpatia”). Para dar lastro ao cenário, considerando dados oficiais mostrados anteriormente, cito também as torcidas absolutas (soma das opções) dos times citados – no fim do post, um link com outra análise do blog sobre a pesquisa.

Em relação ao Nordeste, o quadro apresenta um cenário curioso. Com a maior parcela agregada de seguidores, tendo mais de 3 milhões de pessoas espalhadas pelo país, o Bahia tem o segundo maior percentual de simpatizantes (44%). Já o Náutico, com a menor massa, cerca de 400 mil, aparece com o maior percentual de torcedores (73%). Num cenário nacional, o timbu aparece em 11º neste quesito, com a dupla Grenal dividindo a ponta. Clube de maior torcida do país, o Flamengo aparece na contramão do senso comum em relação aos mistos. O clube carioca tem uma das maiores bases como “1ª opção”, acima de 80%. Contudo, devido ao enorme tamanho da torcida, a sua parcela de simpatizantes é considerável mesmo com o percentual baixo, tendo aproximadamente 6 milhões de pessoas.

Pesquisa de 2020 travada pela pandemia
O Ibope havia programado para este ano a pesquisa “DNA Torcedor 2020”, mas o trabalho de campo foi interrompido devido à necessidade de distanciamento social, a forma de combate à pandemia do Coronavírus no Brasil. Se em 2017 foram 6 mil pessoas ouvidas em 319 municípios dos 27 estados, para 2020 a expectativa era entrevistar 40 mil em 425 cidades. Seria o recorde.

A seguir, os quatro níveis de torcida no futebol, segundo José Colagrossi.

1) Torcedor-raiz ou superfã
“Aquele que se engaja com o time o tempo todo e em qualquer situação. O superfã é sócio-torcedor, vai aos jogos, assina pay-per-view o ano todo, compra camisa oficial, e está sempre nas mídias sociais comentando, defendendo, brigando pelo clube de coração. Frequência e intensidade o definem”.

2) Torcedor ou fã
“É uma versão menos engajada do superfã e o nível depende do sucesso do time no campo. Se o time está bem, engajamento total. Se não vai bem, torce igual mas com distância e intensidade menores”.

3) Torcedor de oportunidade
“É aquele que torce quando for conveniente. Quando o time está bem, vira, temporariamente, um superfã. Quando o time está mal, hiberna. Não deixa de torcer, mas fica frio e distante durante o ‘inverno de conquistas'”.

4) Torcedor de Copa do Mundo
“É aquele que só se interessa por futebol na Copa do Mundo e apenas torce pela Seleção Brasileira de Futebol”.

Abaixo, os dados sobre as torcidas dos clubes, considerando o público acima de 16 anos. Somando todos os clubes, incluindo aqueles que não estão listados aqui, chega-se à soma de 110,4 milhões de torcedores (e simpatizantes). Isso corresponde a 69,1% dos 159,7 milhões de indivíduos brasileiros mensurados no estudo – ou seja, a faixa da população acima de 16 anos.

O percentual de escolha como 1º opção (torcedor)*
1º) 86% – Grêmio e Internacional
3º) 82% – Corinthians
4º) 81% – Flamengo
5º) 80% – Coritiba
6º) 79% – Vasco
7º) 77% – São Paulo
8º) 76% – Cruzeiro
9º) 75% – Palmeiras
10º) 74% – Atlético-MG
11º) 73% – Náutico
12º) 70% – Sport
13º) 66% – Santos e Vitória
15º) 65% – Athletico-PR e Santa Cruz
17º) 64% – Ceará
18º) 59% – Fluminense
19º) 56% – Bahia
20º) 55% – Botafogo
21º) 54% – Fortaleza
22º) 44% – Paraná
* Considerando o percentual dentro da torcida absoluta de cada clube (1ª opção + 2ª opção)

O percentual de escolha como 2º opção (simpatizante)*
1º) 56% – Paraná
2º) 46% – Fortaleza
3º) 45% – Botafogo
4º) 44% – Bahia
5º) 41% – Fluminense
6º) 36% – Ceará
7º) 35% – Athletico-PR e Santa Cruz
9º) 34% – Santos e Vitória
11º) 30% – Sport
12º) 27% – Náutico
13º) 26% – Atlético-MG
14º) 25% – Palmeiras
15º) 24% – Cruzeiro
16º) 23% – São Paulo
17º) 21% – Vasco
18º) 20% – Coritiba
19º) 19% – Flamengo
20º) 18% – Corinthians
21º) 14% – Grêmio e Internacional
* Considerando o percentual dentro da torcida absoluta de cada clube (1ª opção + 2ª opção)

Ranking absoluto a partir de 16 anos (1º opção + 2ª opção)*
1º) Flamengo – 31,7 milhões
2º) Corinthians – 25,7 milhões
3º) São Paulo – 14,3 milhões
4º) Palmeiras – 13,6 milhões
5º) Vasco – 8,3 milhões
6º) Santos – 6,0 milhões
7º) Cruzeiro – 5,2 milhões
7º) Grêmio – 5,2 milhões
9º) Atlético-MG – 4,6 milhões
10º) Internacional – 4,1 milhões
11º) Botafogo – 3,22 milhões
12º) Bahia – 3,19 milhões
13º) Fluminense – 3,16 milhões
14º) Sport – 2,71 milhões
15º) Vitória – 1,86 milhão
16º) Ceará – 1,76 milhão
17º) Santa Cruz – 1,65 milhão
19º) Athletico-PR – 1,3 milhão
21º) Fortaleza – 745 mil
25º) Coritiba – 399 mil
25º) Náutico – 399 mil
36º) Paraná – 239 mil
* Considerando a população brasileira a partir de 16 anos. Dados de 2017.

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