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O Centro Limoeirense foi o primeiro clube pernambucano a divulgar o balanço financeiro referente a 2018, repetindo o pioneirismo visto nas duas temporadas anteriores.

O documento foi publicado no site da FPF em 1º de fevereiro de 2019, com quase três meses de antecedência – o prazo esgota em 30 de abril. Apesar da antecipação, o relatório do alvirrubro tem apenas uma página, num balanço ainda mais enxuto que o anterior, de duas páginas. Este modelo contábil é totalmente impraticável para o sistema proposto pela CBF para a busca pela “Licença de Clubes”, que começa a vigorar na Série A deste ano – a implantação geral será gradativa.

1) Balanço patrimonial? Valores desconhecidos da sede e do estádio José Vareda.
2) Demonstração das mutações do patrimônio líquido? Não.
3) Notas explicativas? Nenhuma.

O documento traz só o fluxo de caixa, prática comum entre os clubes intermediários do estado. O Centro teve uma receita de R$ 91 mil e uma despesa de R$ 91 mil – isso mesmo, o resultado do exercício foi “zero”. O maior gasto (34%) foi com a regularização dos jogadores, num cenário inconcebível num futebol já deficitário. Pagar mais pela inscrição do que pelos três meses de salários do elenco? Não faz sentido – aliás, faz, para o sustento das federações.

Em campo, o Dragão de Limoeiro até foi longe. A receita, a maior no período pós-intervenção, resultou numa campanha beirando o acesso. Com 3V, 6E e 3D, o time terminou como vice-campeão da A2 do Estadual – logo na última edição com apenas um classificado, pois a partir de 2019 sobem dois. Durante todo o campeonato, apenas R$ 22 mil em salários. Trata-se da dura realidade semiamadora da imensa maioria dos clubes profissionais do país…

Curiosidade
Em 2013 o Centro passou por uma intervenção por parte da FPF. O interventor João Caixero, também diretor da entidade, listou vários problemas num relatório de 33 páginas, incluindo uma mesa de baralho a dinheiro (atividade ilegal) na sede. Portanto, considerando o período de restauração do clube mais velho do interior, fundado em 1913, este é apenas o 5º demonstrativo financeiro. Nos últimos quatro, com a mesma assinatura, do presidente Geraldo Hermínio da Silva.

Receita total do Centro Limoeirense
2014 – R$ 45.675
2015 – R$ 37.271 (-8.404 reais; -18,3%)
2016 – R$ 44.439 (+7.168 reais; +19,2%)
2017 – R$ 48.080 (+3.641 reais; +8,1%)
2018 – R$ 91.528 (+43.448 reais; +90,3%)

Recursos próprios do clube (aluguéis, sócios e bilheteria)
2014 – R$ 675
2015 – R$ 18.271 (+17.596 reais; +2.606,8%)
2016 – R$ 25.439 (+7.168 reais; +39,2%)
2017 – R$ 24.080 (-1.359 reais; -5,3%)
2018 – R$ 38.383 (+14.303 reais; +59,3%)

Patrocínios
2014 – R$ 45.000 (Prefeitura de Limoeiro)
2015 – R$ 19.000 (Prefeitura de Limoeiro)
2016 – R$ 19.000 (Prefeitura de Limoeiro)
2017 – R$ 24.000 (Tintas Iquine, 15 mil; ONG Pedra D’Água 9 mil)
2018 – R$ 27.500 (investidores não detalhados)

Confira os balanços financeiros do Centro Limoeirense: 201420152016, 2017 e 2018.

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