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A evolução das receitas do Sport. Em relação a 2019, mais dinheiro e mais dificuldades em 2020.

A volta do Sport à Série A não representa, num primeiro momento, a volta ao patamar financeiro de antes da queda. Nas últimas três participações na elite, o leão faturou mais de R$ 100 milhões em cada ano. Em 2020, a soma de todas as receitas deverá chegar a R$ 77,5 milhões, a cifra apresentada ao Conselho Deliberativo, com o orçamento já aprovado – em outubro, o clube chegou a projetar cenários tanto na A quanto na B.

Além da receita “menor”, na contramão de uma divisão nacional cada vez mais endinheirada (como exemplo, o Bahia já mira R$ 179 mi, recorde na região), o Sport não terá “direito” ao montante completo. Na produção deste post, entrevistei o presidente Milton Bivar e o superintendente administrativo e financeiro, Genivaldo Cerqueira. E ambos foram categóricos ao considerar o valor líquido de R$ 61 milhões.

O motivo é simples: o Sport terá que pagar R$ 16,5 milhões à Rede Globo (isso mesmo), consequência do adiantamento tomado em 2016, na assinatura do atual contrato de transmissão do Brasileirão – que vai até 2024. A “dívida” original era de R$ 18 mi, mas o Sport pagou R$ 1,5 mi em 2019, com a cota da B – e não houve mais renegociação. Como a nova receita de tevê é variável (40% fixa, 30% por exibição e 30% por desempenho), o clube ainda não sabe ao certo a cota total, mas estima em R$ 40 mi – o valor bruto na B foi de R$ 6 mi.

A receita rubro-negra também deverá ser impactada em outras frentes. Em relação à bilheteria líquida, o clube passou de R$ 1,4 mi em 2018 para R$ 3,7 mi em 2019. Para 2020, prevê R$ 5,8 mi, mantendo o mando na Ilha do Retiro – a Arena PE será considerada caso a caso. Neste cenário, o clube quer aumentar a média de público de 13,8 mil, dado de 2019, para um patamar entre 16 e 18 mil espectadores. Em relação ao patrocínio (“vai crescer”, garante o mandatário), o clube almeja um uniforme com menos marcas, valorizando o aporte do patrocinador-master. Também há uma estimativa de +30% no quadro de sócios titulares adimplentes, hoje em cerca de 23 mil – ou seja, o quadro se aproximaria de 30 mil.

Investimento no futebol e déficit programado
Apesar do arrocho, o clube ainda deverá registrar um déficit de R$ 4,6 milhões em 2020. Ou seja, uma despesa total, entre salários, investimentos e encargos, de R$ 82,1 mi. Porém, existem dois caminhos para deixar o cenário mais equilibrado. Primeiro porque o Sport não somou à previsão a negociação de atletas (o Bahia, já citado, prevê R$ 30 milhões em vendas). E a negociação de ativos do futebol deverá ser uma realidade. Além disso, o clube considerou apenas as cotas da 1ª fase tanto do Nordestão quanto da Copa do Brasil – avançando, mais grana. Por sinal, em relação ao futebol propriamente dito, a mudança na folha será paulatina. Em 2019 começou em R$ 800 mil, terminando o ano (com o acesso) na casa de R$ 1,2 milhão. Este segundo número é a base inicial de 2020, segundo Bivar. O valor tende a aumentar entre abril a maio, mas sem uma marca estipulada.

Previsão de orçamento do Sport
2018 (A) – R$ 108.382.297
2019 (B) – R$ 60.000.000 (-44,6%)*
2020 (A) – R$ 77.500.000 (+29,1%)
* O valor foi estimado visando a 1ª divisão (porém, jogou a 2ª)

Faturamento do clube (balanços mais recentes)
2014 (A) – R$ 60.797.294,
2015 (A) – R$ 87.649.465 (+44,1%)
2016 (A) – R$ 129.596.886 (+47,8%)
2017 (A) – R$ 105.471.746 (-18,6%)
2018 (A) – R$ 104.098.716 (-1,3%)

Alguns dados de receita em 2019
R$ 7.051.814 em bilheteria (renda bruta em 27 jogos)
R$ 7.525.000 em cotas de participação/premiação/transmissão na tevê

Competições em 2020 (4)
Campeonato Pernambucano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série A

Nota do blog
Milton Bivar acredita que o Sport só voltará aos trilhos em seis anos, considerando uma receita mais condizente com a capacidade do clube e sem dívidas milionárias de curto prazo – a maior bronca enfrentada nesta sua gestão. “Para voltar a passar de R$ 100 milhões em todos anos vai demorar. E a estabilidade nesse nível passa pela Série A. Pés no chão sempre”, disse, tratando o 16º lugar (a colocação mínima pela permanência) como “o” título em 2020. E é mesmo.

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