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A Ilha do Retiro sem a “Ilha do Retiro”. Pela marcação amarela, viraria espaço público.

Desde já, alertando ao leitor sobre a inexistência de uma negociação efetiva deste porte. Dito isso, vamos ao episódio. A pauta era sobre o orçamento do Sport em 2020, detalhando as receitas e despesas do clube na próxima temporada. Durante a entrevista houve o questionamento sobre uma maior utilização da Arena Pernambuco por parte do rubro-negro – historicamente, o clube manda poucos jogos lá. Foi quando o presidente leonino, Milton Bivar, comentou o seguinte:

“Eu tive uma ideia sobre esse assunto (Arena PE), mas acho que o governo do estado não toparia. Para assumir a Arena Pernambuco, como nossa propriedade mesmo, eu faria a proposta de trocar pela Ilha do Retiro, juntando terreno e estádio, e ainda cederia o campo auxiliar. O restante do clube (sede administrativa, ginásios e parque aquático) continuaria com o Sport”.

Naturalmente, a pauta principal parou por um instante para discorrer um pouco mais sobre o assunto. Seria mesmo possível? Por que esta vontade? Um dos motivos seria o reequilíbrio estrutural do Sport, mas numa condição de comando da arena, e não como “inquilino”. E uma das exigências seria a conclusão do plano de mobilidade do palco em São Lourenço.

Em relação ao comparativo financeiro Arena/Ilha, existem vários meios, sendo difícil mensurar o valor. Em termos de área construída, a arena certamente fica à frente, por se tratar de um equipamento muito mais moderno e maior também. Sobre a obra de R$ 532 milhões, valor que na prática foi maior, este dado contabiliza o estacionamento para 5 mil veículos, que a princípio ficaria “fora” da troca, nos mesmos moldes do restante da Ilha.

Por outro lado, o terreno ocupado pelo estádio do leão é um dos mais valorizados da área central do Recife. Segundo o último balanço do clube, o complexo de 110 mil m² valeria R$ 175 milhões – o estádio e o campo auxiliar representam mais da metade da área. Entretanto, trata-se de uma cifra congelada há muitos anos, algo permitido por lei. Em 2017, a direção do Santa Cruz divulgou um laudo sobre a reavaliação do seu patrimônio. E o clube do Arruda, com 58 mil m², passou de R$ 63,7 mi para R$ 274,6 milhões. Então, como curiosidade, a multiplicação do patrimônio leonino neste mesmo nível (x 4,309) elevaria a cifra para R$ 755,9 milhões. Vale?

Após a entrevista, perguntei ao dirigente se poderia publicar a “ideia”. Milton autorizou…

Curiosidade – Até esta publicação, o leão já havia disputado 2.192 partidas em seu estádio, inaugurado em 1937 e com várias ampliações desde então, mas hoje defasado em relação à infraestrutura – cenário que tem a Arena PE como um dos exemplos de ponta no país.

O ranking de patrimônio do NE, pelo valor de custo (entre parênteses, os principais bens)
1º) R$ 175.421.297 – Sport (Ilha do Retiro e clube, 110 mil m²)
2º) R$ 172.240.502 – Náutico (CT de 49 hectares, garagem de remo; Aflitos e clube, 41 mil m²)
3º) R$ 96.400.000 – Central (Lacerdão e terreno)
4º) R$ 63.739.000 – Santa Cruz (Arruda e clube, 58 mil m²)
5º) R$ 38.391.000 – Bahia (CTs Fazendão e Cidade Tricolor)

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Apesar do enorme terreno, a “marcação” focou na arena e em suas entradas. E o estacionamento?


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