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O surpreendente resultado no estádio em Saquarema. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF, via CBF.

Diante do Corinthians, o Retrô fez o maior jogo de sua curta história, de apenas três anos como profissional. Valendo pela 2ª fase da Copa do Brasil, na condição de estreante, o clube-empresa de Camaragibe jogou melhor que o segundo clube mais popular do país. No scout, a fênix teve mais posse de bola (65% x 35%), finalizou mais (11 x 8) e acertou mais passes (330 x 169).

Tendo que mandar o jogo no Rio de Janeiro, devido ao veto em seu estado de origem, pela Covid-19, o time paulista, tricampeão do torneio, abriu o placar com Otero ainda no primeiro tempo. O gol saiu logo aos 19 minutos, encaminhando uma classificação fácil e esperada. Porém, o Retrô, comandado por Nilson Corrêa, mostrou organização e lutou para bastante pelo gol, marcado na reta final, aos 39 minutos, através do atacante Mayco Félix. O empate em 1 x 1 ocorreu sob uma disparidade daquelas, entre uma folha de R$ 12 milhões e uma folha de R$ 200 mil.

Ou seja, 60 vezes de diferença, embora este cenário acabe passando uma falsa impressão de disparidade também na infraestrutura, o que, acredite, não é o caso. Com um resultado já para ser guardado, o Retrô acabou superado apenas nas penalidades, por 5 x 3 – o time pernambucano desperdiçou logo a primeira cobrança, com Gelson, que foi bem no jogo, mas acertou o travessão. No fim, ocorreu a classificação esperada para o Corinthians, mas num roteiro interessante e que até incomodou o timão, pressionando neste início de temporada.

Numa declaração infeliz, o experiente lateral-esquerdo Fábio Santos disse após o jogo que o Retrô estava mais acostumado com gramados ruins – como o do acanhado Elcyr Resende. A opinião seria válida se fosse verdade, pois o Retrô manda os seus jogos na Arena Pernambuco e tem um centro de treinamento de primeira linha, que recentemente recebeu treinos da Seleção Brasileira Sub 18. Por outro lado, o Retrô resolveu enaltecer a boa atuação, vista nacionalmente, postando o scout da partida em seu perfil no instagram, apesar da arte no SporTV ter invertido o número de passes completos. Junto ao registro, a seguinte frase: “‘Prefiro perder jogando do que ganhar se defendendo’, esse é o lema do Retrô, avante”.

A frase pode funcionar como resposta aos corintianos, mas também acho que soa um pouco rasa. Primeiro porque dificilmente o clube saiu com esse grau de satisfação, pois esteve perto de uma classificação histórica – e que ainda renderia R$ 1,7 milhão, além da cota apurada em duas fases, de R$ 1,235 mi. Segundo porque se defender faz parte do jogo de futebol, como estratégia e sem demérito algum, sobretudo sendo efetivo – como diz a própria frase.

O Retrô, creio, já deve ter consciência disso para se manter competitivo nos âmbitos estadual, regional ou, como neste caso, nacional. Não que tenha sido o intuito, mas se defender não pode ser sinônimo de antijogo – e aí o clube estaria 100% certo. Ao caçula do futebol local, parabéns pelo desempenho diante de uma camisa tão pesada. Sobre o lema adotado, o futebol bem jogado, pra frente, é louvável. Só que a dinâmica do futebol é mais ampla…

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Abaixo a publicação do Retrô após o histórico confronto contra o Corinthians.


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