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A festa no Sertão do São Francisco. O mascote “Derrotinha” ficou feliz com o empate.

Do campo digital para o campo de fato, o Íbis se refez no futebol. O apelido de “pior time do mundo”, popular desde os anos 80, foi durante muitos anos uma barreira sobre a seriedade do clube em relação à disputa de algo mais. Era apenas folclórico? Basicamente sim, até que o próprio clube passou a capitalizar esta imagem, sobretudo a partir das redes sociais, com um perfil bem humorado e de alcance nacional, bem trabalhado e contínuo. Com engajamento massivo, o Íbis já tem a 29ª maior base digital do país nas redes sociais, com 787 mil seguidores em cinco perfis oficiais.

A partir disso, mais receitas, como as primeiras marcas de uniformes com venda expandida (Erreà e Topper) e o maior contrato de patrocínio de sua história, firmado neste ano com um site de apostas. Assim, o rendimento pífio na segunda divisão estadual deu lugar a campanhas mais competitivas nos últimos anos, degrau por degrau. Até o acesso, quebrando um jejum de 21 anos desde a última participação na primeira divisão, no maior hiato da octogenária história do pássaro preto. Uma classificação que chama a atenção, pois ainda estamos falando do “pior time do mundo”, apelido que o Íbis não tem a menor intenção de abandonar.

Por outro lado, este acesso, confirmado no empate em 2 x 2 em Petrolina, na última rodada do quadrangular final, faz justiça à regularidade durante toda a Série A2 de 2021, na qual o Íbis disputou 12 jogos, com 6 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas, com 15 gols feitos e apenas 8 sofridos. E por pouco não veio a taça. Após virar no 2º tempo, cedeu o gol aos 52 minutos. Mesmo assim, não diminuiu a festa do rubro-negro no Estádio Paulo Coelho.

Agora, o Íbis, que manda os seus jogos no Ademir Cunha, na cidade de Paulista, no norte da região metropolitana, volta ao convívio tradicional com os grandes. Em 678 jogos na 1ª divisão, o pássaro preto tem uma média de quase 3 gols sofridos por jogo, enquanto o índice de gols a favor não chega a 1. O saldo disso, negativo, é de 1.488 gols. Após 21 anos, a estatística será atualizada, não necessariamente de forma negativa. Parabéns, Íbis!

Sobre o Íbis: déficit no último balanço, maior patrocínio da história e marca própria de uniformes.

A origem tecelã
O “rubro-negro suburbano” foi fundado em 15 de novembro de 1938, pela Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP). O objetivo era fomentar alguma diversão para funcionários da empresa – e a modalidade já era popular. A família “Ramos”, sobrenome onipresente no Íbis, entrou na parada após a morte do proprietário da fábrica, João Pessoa de Queiroz. Onildo Ramos, avô do atual presidente, Ozir, era o gerente daquela empresa.

Saco de pancadas no Campeonato Pernambucano
Em 107 anos de disputa, o Íbis é o 7º clube com mais participações no Estadual. Em 2022 chegará a 47. No entanto, ganhou apenas 12% dos jogos, indo mal quase sempre. Com -1.488, o clube tem, disparado, o pior saldo de gols entre os 66 times que já jogaram o Pernambucano desde 1915. A diferença no saldo em relação ao penúltimo da lista, o Ferroviário do Recife, é de 376 gols. Na estreia na primeira divisão local, em 13 de abril de 1947, nove anos após a fundação, foi goleado pelo Náutico por 9 x 2. O cartão de visitantes se estenderia logo depois ao Sport (6 x 0) e ao Santa (6 x 1). Ainda assim, naquele ano, existiu um time pior, o Moinho Recife. Depois, contudo, o Íbis já terminou várias vezes na lanterna. Para ser exato, foram 24 vezes, incluindo campanhas “memoráveis”, com a de 1981, com 16 derrotas em 16 jogos, ou a de 1994, quando acabou na 16ª colocação, a pior posição da história da competição (abaixo, o histórico).

Lanternas: 48, 50, 53, 60, 62, 63, 64, 68, 69, 70, 72, 75, 78, 79, 80, 81, 82, 87, 88, 89, 90, 91, 93 e 94.

Agora, um resumo estatístico do clube tanto na primeira divisão quanto na segunda divisão de Pernambuco. Ao todo foram 70 participações nas duas competições estaduais. Na Série A2, de onde finalmente saiu, a melhor colocação foi o vice-campeonato, em 1999 e em 2021, em ambos os casos subindo no campo para a Série A1.

Íbis na 1ª divisão do Pernambucano (46 participações, 1947-2000)
678 jogos (507 GP e 1.995 GC; -1.488)
83 vitórias (12,2%)
91 empates (13,4%)
504 derrotas (74,3%)
16,7% de aproveitamento

Íbis na 2ª divisão do Pernambucano (24 participações, 1977-2021)
306 jogos (296 GP e 531 GC; -235 SG)
73 vitórias (23,8%)
83 empates (27,1%)
150 derrotas (49,0%)
32,8% de aproveitamento dos pontos

Abaixo, o histórico de confrontos do Íbis diante de alvirrubros, tricolores e rubro-negros, considerando amistosos e jogos pelo campeonato estadual e pelo extinto Torneio Início. O levantamento, que baliza a freguesia, foi feito pelo pesquisador Carlos Celso Cordeiro. Ao todo, 308 jogos, com 12 vitórias do pássaro preto (3,8%), 31 empates (10,0%) e 265 derrotas (86,0%).


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